A batata frita é séria na Bélgica ao ponto de ter museu próprio — e o Frietmuseum, em Bruges, se apresenta como o primeiro e único do mundo dedicado ao assunto.
A sede tem mais história que o acervo. É a Saaihalle, prédio gótico de 1399 que nasceu como casa dos tecidos, ampliado em 1441 para servir de residência ao cônsul de Gênova. De 1578 a 1750 foi usado por tecelões. Depois disso a lista fica longa: estalagem, café, cinema, salão de dança e, a partir de 1978, banco e espaço de exposições. Poucos edifícios europeus mudaram de função tantas vezes sem nunca sair de pé.
O percurso do museu começa antes da fritura: traça a história da batata desde a América do Sul, sua chegada à Europa e a longa desconfiança que cercou o tubérculo antes de ele virar comida de todo dia. Só então chega à fritura belga propriamente dita e ao repertório de molhos que a acompanha — capítulo que na Bélgica não é detalhe.
O acervo reúne fotografias, obras de arte, descascadores históricos e máquinas de cortar batata de diferentes épocas, além de um vídeo explicando o método da fritura perfeita. E há a parte que resolve o problema óbvio de sair de um museu de batata frita com fome: no porão medieval do prédio vendem-se batatas fritas preparadas pelo método tradicional.






Seja o primeiro a comentar.