O bar do Hotel Monteleone tem 25 lugares e uma peculiaridade mecânica: o balcão gira. Não é metáfora nem efeito de bebida. Instalado em 1949, o Carousel Bar assenta sobre 2.000 roletes de aço movidos por um motor de um quarto de cavalo, e completa uma volta inteira a cada 15 minutos.
A velocidade é o detalhe bem calculado. É lenta o suficiente para que ninguém sinta enjoo, e rápida o bastante para que, ao terminar um drinque, o cliente perceba que está olhando para outra parede. Quem chega e senta de costas para a entrada sai de frente para ela sem ter se mexido.
O bar nasceu colado ao Swan Room, um supper club aberto em 1938 que recebia gente como Liberace e Andy Griffith e concentrava a vida social da cidade. A decoração foi pensada como brinquedo de parque — toldo listrado, banquetas em círculo — e o carrossel que cobre o balcão hoje veio numa reforma de 1992.
O hotel em volta tem crédito próprio. Em 1999 o Monteleone foi declarado marco literário nacional pela Friends of Libraries USA, honraria que apenas três hotéis do país carregam. Passaram por ali William Faulkner, Tennessee Williams, Ernest Hemingway, Sherwood Anderson, Eudora Welty e Anne Rice. Williams pôs o hotel dentro de A Rosa Tatuada, de 1951.
A melhor história da casa, porém, é de Truman Capote. A mãe dele entrou em trabalho de parto hospedada no Monteleone e foi levada por funcionários até o hospital Touro, onde ele nasceu. Capote virou frequentador do Carousel Bar e passou a contar aos vizinhos de balcão que havia nascido ali dentro — um exagero que ele mesmo achava graça em repetir, e que por pouco não foi verdade.




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