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📍 Munique

O que fazer em Munique: 10 paradas escolhidas

Salão do Café Luitpold, na Brienner Straße, em Munique

Foto: Fred Romero, Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Um roteiro com 10 paradas em Munique, Alemanha: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Viktualienmarkt
  2. Neues Rathaus (Glockenspiel)
  3. Schloss Nymphenburg
  4. BMW Welt
  5. Schneider Bräuhaus
  6. Zum Franziskaner
  7. Café Luitpold
  8. Café Frischhut (Schmalznudel)
  9. Augustiner-Keller
  10. Chinesischer Turm

O que visitar

1. Viktualienmarkt

Bancas do Viktualienmarkt, no centro de Munique
Foto: Wikiolo, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Munique já tinha um mercado na praça central, mas ele ficou pequeno. Em 2 de maio de 1807, o rei Maximiliano I José assinou o decreto que tirou a venda de alimentos da Marienplatz, então tomada pelo comércio de grãos, e a levou para o terreno ao lado da igreja do Espírito Santo. Desde então, o Viktualienmarkt abre todos os dias, com exceção de domingos e feriados.

O mercado cresceu em etapas, com uma grande ampliação entre 1823 e 1829, e hoje reúne cerca de 140 bancas e lojas de flores, frutas, queijos, peixes, especiarias, caça e, claro, salsichas.

Um biergarten que troca de cervejaria

No meio das bancas fica o detalhe mais bávaro de todos: o biergarten do mercado não pertence a uma cervejaria só. A torneira alterna, em rodízio de algumas semanas, entre as seis cervejarias tradicionais de Munique (Augustiner, Hacker-Pschorr, Löwenbräu, Hofbräu, Paulaner e Spaten), e uma placa sobre o balcão avisa qual está servindo no momento.

Ao lado ergue-se o Maibaum, o mastro de maio. O primeiro foi doado pelas cervejarias em maio de 1962, depois de um comentário do político municipal Albert Bayerle de que uma "aldeia de um milhão de habitantes" como Munique merecia ter o seu; desde então, vários o substituíram.

Fontes para os comediantes

Espalhadas pelo mercado há fontes com estátuas de artistas populares da cidade: Karl Valentin, Liesl Karlstadt, Weiß Ferdl, Ida Schumacher, Elise Aulinger e Roider Jackl.

Endereço: Viktualienmarkt 3, 80331 Munique, Alemanha

2. Neues Rathaus (Glockenspiel)

O Glockenspiel na torre do Novo Paço Municipal, na Marienplatz, em Munique
Foto: Strubbl, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Pouco antes das 11 horas, a Marienplatz se enche de gente olhando para cima. Na torre de 85 metros do Neues Rathaus, o Novo Paço Municipal, está o Glockenspiel, um carrilhão mecânico com 43 sinos, que somam 7 mil quilos, e 32 figuras que ganham vida duas vezes por dia.

O que as figuras contam

O andar de cima encena o casamento do duque Guilherme V com Renata de Lorena, em 1568, com direito a um torneio a cavalo entre um cavaleiro bávaro e um de Lorena. Embaixo, os bonecos dançam a Schäfflertanz, a dança dos tanoeiros, que a tradição liga ao fim de uma epidemia de peste em 1517. No encerramento, um pequeno galo dourado canta três vezes.

A dança dos tanoeiros não existe só na torre: ela é apresentada ao vivo nas ruas de Munique a cada sete anos, durante o carnaval.

Horários e história

O espetáculo acontece todos os dias às 11h e ao meio-dia, com uma sessão extra às 17h de março a outubro, e dura cerca de 15 minutos. O carrilhão soou pela primeira vez em 1908, quando o prédio neogótico projetado por Georg von Hauberrisser estava perto de ficar pronto, depois de obras feitas em etapas desde 1867. Passou por restauração em 2007.

Vale olhar também para o topo da torre: lá está o Münchner Kindl, a figura de monge que é símbolo da cidade, obra do escultor Anton Schmid.

Endereço: Marienplatz 8, 80331 Munique, Alemanha

3. Schloss Nymphenburg

Fachada do Schloss Nymphenburg em Munique, com o lago em frente
Foto: Wikimedia Commons

O Schloss Nymphenburg foi a residência de verão dos governantes da Baviera e hoje é um dos principais pontos turísticos de Munique. Vale reservar a manhã para caminhar pelo parque e pelos jardins barrocos antes das salas do palácio ficarem cheias.

Endereço: Schloss Nymphenburg 1, Munique, Alemanha

4. BMW Welt

Fachada do complexo BMW Welt em Munique
Foto: Wikimedia Commons

Junto à sede da BMW e ao Parque Olímpico, o complexo BMW Welt reúne um showroom de arquitetura arrojada e o BMW Museum, com a história da marca. Boa opção de passeio à tarde, sem precisar ser fã de carros.

Endereço: Am Olympiapark 1, Munique, Alemanha

Onde comer

5. Schneider Bräuhaus

Fachada do Schneider Bräuhaus, na rua Tal, em Munique
Foto: Strubbl, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Durante séculos, cerveja de trigo em Munique era assunto da coroa: só a cervejaria da corte, o Hofbräuhaus, podia fazê-la. Quem levou essa cerveja para a iniciativa privada foi justamente o homem que administrava o Hofbräuhaus. Em 1872, Georg Schneider, então arrendatário da casa, adquiriu o privilégio de cerveja de trigo do Hofbräuhaus e, no mesmo ano, adquiriu o terreno da antiga cervejaria Maderbräu, na rua Tal. Em 1874, abriu ali a G. Schneider & Sohn, a primeira cervejaria privada de cerveja de trigo de Munique.

O prédio dos mesmos construtores do Hofbräuhaus

Em 1901, os prédios antigos foram demolidos, e em 1902 e 1903 a construtora Heilmann & Littmann, a mesma que acabara de refazer o Hofbräuhaus, ergueu o Weisses Bräuhaus que está de pé até hoje. A família também deixou marca no estilo: foi Mathilde Schneider quem lançou em 1907 a Aventinus, uma cerveja de trigo forte e escura batizada em homenagem ao historiador bávaro Johannes Aventinus.

A guerra e a mudança para Kelheim

Em 1944, as bombas atingiram o prédio e a produção nunca mais voltou para o centro de Munique: a cervejaria passou a funcionar em Kelheim, onde a família já tinha outra unidade, e continua lá, ainda em mãos da família, hoje com Georg Schneider VI. A casa do Tal foi restaurada entre 1987 e 1993, com as águas-furtadas originais reconstruídas, e em 2016 trocou o nome de Weisses Bräuhaus para Schneider Bräuhaus.

Continua sendo um restaurante de cozinha bávara onde a cerveja de trigo da família é servida no copo alto tradicional, a poucos passos da Marienplatz.

Endereço: Tal 7, 80331 Munique, Alemanha

6. Zum Franziskaner

Interior do restaurante Zum Franziskaner em Munique
Foto: Wikimedia Commons

A poucos passos da Residenz de Munique, o Zum Franziskaner serve clássicos bávaros como weißwurst e brotzeit desde o século 19. É uma boa parada de almoço entre um ponto turístico e outro no centro da cidade.

Endereço: Residenzstraße 9, Munique, Alemanha

Onde tomar café

7. Café Luitpold

Salão do Café Luitpold, na Brienner Straße, em Munique
Foto: Fred Romero, Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Quando abriu as portas, em 1º de janeiro de 1888, o Café Luitpold não era um café: era um palácio. O arquiteto Otto Lasne levou de 1886 a 1888 para erguer, na Brienner Straße, um conjunto de mais de 20 salões decorados em neorrenascença, neobarroco e neorrococó, com cúpula, sala de espelhos, corredor de colunas e uma sala de bilhar com 16 mesas. Na época, estava entre os maiores cafés da Europa, e é comparado até hoje ao Café Central de Viena e ao New York de Budapeste.

A mesa do Cavaleiro Azul

A fama artística veio em seguida. A tradição de Munique conta que foi numa mesa do Luitpold que, em 1911, nasceu o grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), com Wassily Kandinsky entre os fundadores. A ligação não é só lenda de balcão: em 1912, a segunda exposição do grupo aconteceu na galeria de Hans Goltz, instalada no mesmo quarteirão do café, o Luitpoldblock. Décadas depois, nos anos 1960, o humorista Loriot era frequentador.

Destruído e refeito

Em 1944, os bombardeios destruíram 80% do prédio. O café reabriu em 1948, numa versão bem mais simples, com o nome de Palmengarten, e os proprietários passaram as décadas seguintes reconstruindo o quarteirão aos poucos. Hoje o Luitpold funciona de novo como café e confeitaria, e no primeiro andar guarda a Sammlung Café Luitpold, provavelmente o menor museu de Munique, que conta a história da casa desde 1888.

Endereço: Brienner Straße 11, 80333 Munique, Alemanha

8. Café Frischhut (Schmalznudel)

Fachada do Café Frischhut (Schmalznudel) em Munique
Foto: Wikimedia Commons

Aberta desde 1973, a Schmalznudel — Café Frischhut é parada certa pra quem passa pelo Viktualienmarkt. A especialidade é a Schmalznudel, uma massa frita polvilhada de açúcar, servida quentinha no balcão.

Endereço: Prälat-Zistl-Straße 8, Munique, Alemanha

Onde beber

9. Augustiner-Keller

Mesas do biergarten do Augustiner-Keller sob as castanheiras, em Munique
Foto: Chris Light, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Antes de ser biergarten, o Augustiner-Keller era um depósito. No mapa de Munique de 1812, o terreno da Arnulfstraße aparece como armazém de cerveja: porões cavados no chão para guardar a bebida fresca antes da refrigeração. Por cima deles se plantavam castanheiras, cujas folhas largas faziam sombra e impediam o solo de esquentar. Das mesas colocadas debaixo dessas árvores nasceram os biergärten.

De Knorrkeller a Augustiner

Em 1842, o local já aparecia como jardim de cerveja, quando o taberneiro Georg Knorr o assumiu e o rebatizou de Knorrkeller. Em 1862, foi comprado por Josef Wagner, da cervejaria Augustiner, e em 1880 ganhou o nome atual. A grande reforma veio em 1896: salão de festas maior, cozinha nova e um biergarten com 5 mil lugares, cuja aparência externa quase não mudou desde então. Cerca de cem castanheiras ainda fazem sombra no terreno.

A cervejaria que não faz propaganda

A Augustiner é a cervejaria mais antiga de Munique ainda independente, fundada em 1328 por monges agostinianos. O mosteiro foi dissolvido em 1803, a família Wagner comprou a cervejaria em 1829, e desde 1996, por vontade da última herdeira, Edith Haberland Wagner, uma fundação beneficente controla 51% das ações. A marca é conhecida por não fazer publicidade e por ser, entre as seis cervejarias da Oktoberfest, a única que serve na festa exclusivamente de barris de madeira.

Desde 2010, o casal Christian e Petra Vogler administra a casa, a poucos minutos a pé da estação central.

Endereço: Arnulfstraße 52, 80335 Munique, Alemanha

10. Chinesischer Turm

Biergarten ao redor da Chinesischer Turm no Englischer Garten, Munique
Foto: Wikimedia Commons

No coração do Englischer Garten, a Chinesischer Turm é ponto de encontro clássico no fim do dia: cerca de 7 mil lugares ao redor da torre para tomar uma cerveja e ver a orquestra que toca no alto quando o tempo ajuda.

Endereço: Englischer Garten 3, Munique, Alemanha

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Café Luitpold — foto: Fred Romero, Wikimedia Commons, CC BY 2.0
  • Viktualienmarkt — foto: Wikiolo, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
  • Neues Rathaus (Glockenspiel) — foto: Strubbl, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Schneider Bräuhaus — foto: Strubbl, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Augustiner-Keller — foto: Chris Light, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Schloss Nymphenburg — foto: Wikimedia Commons
  • Café Frischhut (Schmalznudel) — foto: Wikimedia Commons
  • Zum Franziskaner — foto: Wikimedia Commons
  • BMW Welt — foto: Wikimedia Commons
  • Chinesischer Turm — foto: Wikimedia Commons

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Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim: a ilha do diabo que guardava Florianópolis dos espanhóis

Vista panorâmica da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim na Baía Norte de Florianópolis

Foto: Rodbats / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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"Pequena ilha do diabo" — é isso, aproximadamente, o que significa Anhatomirim em tupi. O nome sombrio acabou sendo profético: a fortaleza erguida nessa ilhota da Baía Norte, na Grande Florianópolis, passaria por um dos episódios mais sangrentos da história catarinense antes de se tornar o sítio histórico tranquilo que hoje recebe visitantes de escuna.

Um brigadeiro português contra a ameaça espanhola

A construção da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim começou em 1739, sob o comando do brigadeiro português José da Silva Paes, engenheiro militar responsável por todo o sistema de defesa da Ilha de Santa Catarina no século XVIII. Erguida em pedra, com traços que remetem à arquitetura renascentista das fortificações europeias, Santa Cruz foi projetada como o vértice principal de um sistema defensivo triangular que protegia a entrada da Baía Norte contra ataques espanhóis vindos do sul do continente.

Esse sistema reunia três fortalezas complementares, que cruzavam seus canhões sobre o canal de acesso à ilha:

  • Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, na ilha de mesmo nome — a mais robusta das três
  • Fortaleza de São José da Ponta Grossa, na península de Jurerê
  • Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, na Ilha de Ratones Grande

Curiosamente, apesar de todo o investimento militar português, os registros históricos indicam que Santa Cruz nunca chegou a disparar contra um invasor: durante a invasão espanhola de 1777, quando forças de Buenos Aires tomaram a Ilha de Santa Catarina, a fortaleza não foi utilizada em combate. Depois desse episódio, o sistema de defesa entrou em declínio e foi progressivamente abandonado ao longo do século XIX.

Muralhas de pedra e canhões da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim

As muralhas do século XVIII, restauradas a partir dos anos 1970

Sangue na fortaleza: a Revolta Federalista de 1894

Foi mais de um século depois de abandonada como posto militar que Anhatomirim viveu seu capítulo mais dramático. Em 1894, durante a Revolta Federalista — o violento conflito civil que opôs federalistas a forças ligadas ao governo de Floriano Peixoto —, a fortaleza voltou a ter uso oficial, desta vez como prisão e local de execuções sumárias de prisioneiros políticos capturados em Santa Catarina.

Em 24 de abril de 1894, por ordem de Floriano Peixoto, um grupo de prisioneiros foi fuzilado nas dependências da fortaleza. Entre os executados estava o Barão de Batovi, oficial que havia lutado como herói na Guerra do Paraguai décadas antes e que, na Revolta Federalista, se posicionou do lado derrotado. O episódio deixou uma marca duradoura na memória local e é hoje um dos pontos mais lembrados por historiadores que estudam o período da consolidação da República no Brasil.

Ruínas, tombamento e o que resta hoje

Depois de décadas de abandono e deterioração, a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo IPHAN em 1938. Ainda assim, a recuperação efetiva das ruínas só começou nos anos 1970, quando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assumiu um papel de protagonismo na restauração do conjunto. Em 1979, um convênio formal entre a UFSC, o Ministério da Marinha e o IPHAN estabeleceu a guarda e a administração do monumento, acelerando as obras de recuperação das muralhas, do quartel e da capela internos.

Vista aérea da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim cercada pelo mar

Hoje administrada pela UFSC como parte do Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, a fortaleza só é acessível por mar — passeios de escuna partem de pontos da Grande Florianópolis, como a região de Canasvieiras e Jurerê, para atravessar a Baía Norte até a ilha. Quem desembarca encontra um raro conjunto militar português do século XVIII quase completo: muralhas, baluartes, quartel, capela e a antiga casa do comandante, hoje transformados em museu a céu aberto. Da fortaleza que nunca disparou um tiro contra invasores restou, paradoxalmente, uma das histórias mais violentas do litoral catarinense — e um dos monumentos coloniais mais bem preservados do Brasil.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim — Wikipédia

Foto: Rodbats / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Entrada baratinha e um passeio de barco bem agradável para acessar a Fortaleza.

Onde fica

  • Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim Histórico
    Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, Governador Celso Ramos, Santa Catarina

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📍 Marrakech

O que fazer em Marrakech: 5 paradas escolhidas

Vista geral da praça Jemaa el-Fnaa em Marrakech

Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Um roteiro com 5 paradas em Marrakech, Marrocos: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Praça Jemaa el-Fnaa
  2. Jardin Majorelle
  3. Palácio da Bahia
  4. Madrasa Ben Youssef
  5. La Mamounia

O que visitar

1. Praça Jemaa el-Fnaa

Vista geral da praça Jemaa el-Fnaa em Marrakech
Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Por volta das cinco da tarde, a praça Jemaa el-Fnaa começa a se transformar. Barracas de comida se multiplicam, tambores de músicos gnawa começam a tocar e contadores de histórias reúnem plateias em círculo, como fazem há séculos. É a praça mais movimentada do Marrocos — e uma das poucas do mundo reconhecidas pela UNESCO não por seus prédios, mas pelo que acontece nela.

Do "assembleia dos mortos" ao patrimônio da UNESCO

A praça existe desde o século XI, fundada junto com a própria Marrakech pela dinastia almorávida. Seu nome, segundo a explicação mais aceita, remete a "assembleia dos mortos" ou "assembleia do nada" — uma referência ao passado da praça como local de execuções públicas. Em 2001, a UNESCO declarou o espaço Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, reconhecendo não a arquitetura ao redor, mas as tradições vivas que a praça ainda abriga.

Mais de 50 barracas de comida ao anoitecer

Durante o dia, a praça funciona como mercado e ponto de encontro. À noite, vira um imenso restaurante a céu aberto: mais de 50 barracas de comida se instalam lado a lado, servindo desde tagines e espetinhos até caracóis cozidos e sopa harira, em meio à fumaça e ao barulho dos vendedores anunciando os pratos.

Contadores de histórias, músicos e encantadores de serpentes

Ao redor das barracas, artistas de rua mantêm vivo um tipo de entretenimento que já foi comum em praças de todo o mundo árabe e hoje sobrevive quase só aqui: os hekayati (contadores de histórias) narram lendas locais para plateias que se formam em círculo, enquanto músicos berberes, dançarinos gnawa e encantadores de serpentes disputam a atenção de moradores e visitantes.

Endereço: Jemaa el-Fnaa, Marrakech 40000, Marrocos

2. Jardin Majorelle

Vista do Jardin Majorelle, em Marrakech, com o azul Majorelle característico
Foto: Alexander Leisser / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Jardin Majorelle é um dos raros lugares do mundo batizados com o nome de uma cor. O "azul Majorelle", um tom de ultramarino vibrante, cobre paredes, potes e treliças em meio a um jardim botânico de mais de 300 espécies de plantas — e a história de como o jardim quase desapareceu, antes de ser salvo por um dos maiores nomes da moda do século XX, é tão marcante quanto a paisagem.

O jardim de um pintor francês

Em 1919, o pintor francês Jacques Majorelle se instalou na medina de Marrakech. Em 1923, comprou um bosque de palmeiras nos arredores da cidade e ali construiu a Villa Bousafsaf. Em 1931, encomendou ao arquiteto Paul Sinoir um ateliê em estilo Art Déco no meio da propriedade.

O azul que leva o nome de Majorelle

Em 1937, Majorelle criou um tom de azul ultramarino intenso — hoje patenteado como "azul Majorelle" — e passou a usá-lo para pintar a fachada do ateliê, portões, vasos e pérgolas. O jardim foi aberto ao público em 1947. Mas, após um acidente de carro, Majorelle voltou à França, onde morreu em 1962, e o jardim entrou em decadência.

Salvo por Yves Saint Laurent

Em 1980, o estilista Yves Saint Laurent e seu parceiro Pierre Bergé compraram a propriedade para evitar que fosse demolida por incorporadores imobiliários. Restauraram o jardim com a ajuda de mais de 20 jardineiros, elevando o número de espécies de plantas para cerca de 300. Hoje o local também abriga o Museu Yves Saint Laurent Marrakech, dedicado ao trabalho do estilista.

Endereço: Rue Yves Saint Laurent, Gueliz, 40090 Marrakech, Marrocos

História

3. Palácio da Bahia

Pátio interno do Palácio da Bahia, em Marrakech
Foto: FuriousYogi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Com 8 hectares e mais de 150 salas, o Palácio da Bahia foi construído para ser, literalmente, o palácio mais deslumbrante do Marrocos — um projeto pessoal de dois vizires que, juntos, passaram décadas ampliando a própria residência até ela ofuscar os palácios dos sultões que serviam.

Começou como a casa de um vizir

A construção original data da década de 1860, erguida por Si Moussa, grão-vizir do sultão, como residência pessoal. O nome "Bahia" significa "brilhância" ou "beleza radiante" em árabe — uma declaração de intenções desde o início.

O filho que dobrou o tamanho do palácio

Quem transformou a Bahia no complexo que existe hoje foi o filho de Si Moussa, Ahmed ibn Moussa — conhecido como Ba Ahmed —, ele próprio grão-vizir do sultão Moulay Abdelaziz. Entre 1894 e 1900, Ba Ahmed expandiu drasticamente a propriedade, adicionando cerca de 150 novos cômodos, o grande pátio, o harém e uma profusão de zellige (mosaico de azulejos) trabalhado por artesãos andaluzes trazidos especialmente para a obra.

Tetos de cedro entalhado e pátios com fonte

O resultado é um labirinto de pátios internos, jardins e salões com tetos de madeira de cedro entalhada e pintada à mão, um estilo decorativo que resume o auge da arquitetura palaciana marroquina do fim do século XIX — a mesma tradição de trabalho manual em couro e madeira que ainda hoje sustenta os ateliês de artesãos de Marrakech.

Endereço: Marrakesh 40000, Morocco

4. Madrasa Ben Youssef

Pátio central da Madrasa Ben Youssef, em Marrakech
Foto: Ymblanter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por mais de quatro séculos, a Madrasa Ben Youssef foi a maior escola islâmica do Magrebe — chegou a abrigar até 900 estudantes distribuídos em apenas 130 celas-dormitório. Hoje, o que resta é um dos exemplos mais completos de arquitetura saadiana do Marrocos, coberto do chão ao teto por talha em gesso e mosaico de azulejos.

Fundada no século XIV, reconstruída no século XVI

A primeira madrasa no local remonta ao século XIV, época da dinastia merínida. O edifício que existe hoje, no entanto, é obra do sultão saadiano Abdallah al-Ghalib, que encomendou sua reconstrução completa entre 1564 e 1565.

A maior escola corânica do Magrebe

Depois da reconstrução saadiana, a Ben Youssef se tornou o maior colégio islâmico do Magrebe, formando estudantes em estudos corânicos, direito islâmico e outras disciplinas. Em seu auge, chegou a abrigar até 900 alunos, alojados em 130 pequenas celas distribuídas ao redor do pátio central — uma densidade que hoje impressiona qualquer visitante.

Do fechamento à restauração

A madrasa deixou de funcionar como colégio islâmico em 1960, mas permaneceu aberta à visitação como um dos edifícios mais bem preservados de Marrakech. Fechou para uma nova restauração em novembro de 2018 e reabriu ao público em abril de 2022.

Endereço: Place Ben Youssef, Marrakech 40000, Marrocos

Vale a parada

5. La Mamounia

Fachada do hotel La Mamounia, em Marrakech
Foto: muffinn / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Poucos hotéis do mundo podem dizer que hospedaram Winston Churchill o suficiente para ganhar um bar com o nome dele. O La Mamounia, erguido sobre um jardim do século XVIII no coração de Marrakech, é assim: um hotel que atravessou quase um século sendo cenário de política internacional, cinema e, num episódio específico de 1943, de arte.

Um jardim de sultão que virou hotel Art Déco

O terreno onde o hotel fica foi presenteado no século XVIII pelo sultão Mohammed ben Abdallah a seu filho, Moulay Mamoun — de quem vem o nome "Mamounia". O projeto do hotel foi concebido em 1923 pelos arquitetos Henri Prost e Antoine Marchisio, combinando arquitetura marroquina tradicional com o estilo Art Déco então em voga. O hotel abriu as portas em 1929.

O bar batizado em homenagem a Churchill

Ao longo do século XX, o La Mamounia recebeu hóspedes como Charlie Chaplin, Francis Ford Coppola e Yves Saint Laurent — mas foi Winston Churchill quem se tornou seu visitante mais associado ao hotel, a ponto de chamá-lo de "o lugar mais adorável do mundo inteiro". Em sua homenagem, o hotel batizou um de seus bares de Churchill Bar, decorado como um vagão-salão de trem da era Pullman. O diretor Alfred Hitchcock também filmou cenas de "O Homem Que Sabia Demais" no hotel, o que ajudou a atrair ainda mais celebridades para Marrakech nas décadas seguintes.

A única pintura de Churchill na Segunda Guerra

Em janeiro de 1943, hospedado no La Mamounia após a Conferência de Casablanca, Churchill convenceu Franklin Roosevelt a passar por Marrakech antes de retornar aos Estados Unidos. Depois que a delegação americana partiu, Churchill ficou mais um dia e pintou a torre da Mesquita Koutoubia vista do jardim do hotel — a única pintura que fez durante toda a guerra. Deu o quadro de presente a Roosevelt; décadas depois, ele foi vendido em leilão pela então proprietária Angelina Jolie por US$ 11,5 milhões.

Endereço: Avenue Bab Jdid, 40040 Marrakech, Marrocos

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Praça Jemaa el-Fnaa — foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
  • Palácio da Bahia — foto: FuriousYogi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Jardin Majorelle — foto: Alexander Leisser / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Madrasa Ben Youssef — foto: Ymblanter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • La Mamounia — foto: muffinn / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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📍 Munique
📍 Dica rápida

Zum Franziskaner: weißwurst e cerveja a poucos passos da Residenz

A poucos passos da Residenz de Munique, o Zum Franziskaner serve clássicos bávaros como weißwurst e brotzeit desde o século 19. É uma boa parada de almoço entre um ponto turístico e outro no centro da cidade.

Interior do restaurante Zum Franziskaner em Munique

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Zum Franziskaner Restaurante
    Residenzstraße 9, Munique, Alemanha
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