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📍 Dublin
📍 Dica rápida

The Brazen Head: o pub que Dublin chama de mais antigo da Irlanda

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Na Bridge Street, a poucos metros do rio Liffey, o The Brazen Head se apresenta como o pub mais antigo da Irlanda, com a data de 1198 estampada na fachada. A rigor, o prédio atual é de 1754, e o registro mais antigo de licença para vender cerveja no endereço é de 1661. Mas há séculos existe alguma hospedaria funcionando naquele ponto, que fica na área onde a Dublin medieval começou.

O pub aparece na história política irlandesa mais de uma vez. Frequentadores como Robert Emmet, Wolfe Tone e Daniel O'Connell são citados em relatos dos séculos XVIII e XIX, e a tradição local conta que Emmet usava um quarto com vista para a porta da frente para vigiar quem se aproximava enquanto planejava a revolta de 1803. James Joyce cita o Brazen Head em Ulysses.

Hoje o Brazen Head vive de música tradicional irlandesa ao vivo todas as noites e de jantares com contação de histórias sobre folclore e literatura do país. O pátio interno, cheio de mesas, costuma lotar no fim de semana. Vale saber que o título de pub mais antigo é disputado: o Sean's Bar, em Athlone, apresenta documentação que remonta a datas ainda mais recuadas.

Fachada do pub The Brazen Head, em Dublin

Foto: Matthewvetter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • The Brazen Head Bar
    20 Lower Bridge Street, Usher's Quay, Dublin 8, D08 WC64, Irlanda
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Café de Flore: dentro do café que virou point de Sartre e Simone de Beauvoir

Fachada do Café de Flore em Paris

Foto: Wikimedia Commons

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No cruzamento do Boulevard Saint-Germain com a Rue Saint-Benoît, no coração do 6º arrondissement de Paris, uma marquise vermelha e um toldo discreto marcam a entrada de um dos cafés mais famosos do mundo. Aberto por volta de 1887 e batizado em homenagem a uma estátua da deusa romana Flora que ficava próxima dali, o Café de Flore passou por mais de um século sem perder a essência: mesas de mármore, bancos de veludo vermelho e garçons de avental branco atendendo clientes que vão do turista de primeira viagem ao parisiense que frequenta a casa há décadas.

O point de Sartre e Simone de Beauvoir

A fama internacional do Flore se consolidou durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos seguintes, quando o filósofo Jean-Paul Sartre e a escritora Simone de Beauvoir praticamente se mudaram para uma mesa do café — em parte porque, em uma Paris ocupada e com escassez de combustível, o Flore era um dos poucos lugares aquecidos da região onde se podia escrever, ler e discutir por horas. Foi ali que boa parte do existencialismo francês tomou forma, entre xícaras de café e cigarros, discussões que se estendiam noite adentro.

Sartre e Beauvoir não estavam sozinhos. Ao longo do século XX, o Flore recebeu nomes como Albert Camus, Pablo Picasso, Guillaume Apollinaire e, em temporadas parisienses, escritores americanos como Ernest Hemingway. Essa combinação de literatura, filosofia e boemia deu ao café um status que vai muito além de simplesmente servir bebidas quentes — o Flore virou personagem da própria história cultural de Paris.

Mesas na calçada do Café de Flore

As mesas na calçada seguem disputadas em qualquer horário do dia.

Um prêmio literário próprio

Em 1994, o Café de Flore criou o Prix de Flore, uma premiação literária concedida anualmente a um jovem escritor francês — uma forma de manter viva a ligação da casa com o mundo das letras, décadas depois do auge existencialista. O prêmio é entregue no próprio café, reforçando o papel do Flore como uma espécie de salão literário informal que nunca deixou de funcionar.

Visitar o Flore hoje

Hoje o Café de Flore é, ao mesmo tempo, ponto turístico e café de bairro. Pela manhã, é possível pedir o tradicional chocolat chaud (chocolate quente) ou um café com croissant sentado nas mesinhas da calçada, observando o movimento do Boulevard Saint-Germain. À noite, o salão interno, com seus espelhos e madeira escura praticamente intactos desde meados do século XX, mantém o clima que atraiu gerações de escritores.

Vista da rua do Café de Flore

O Flore fica no boulevard Saint-Germain, bem em frente ao seu tradicional rival, Les Deux Magots.

Vale lembrar que, por ser uma instituição turística, os preços do Flore são mais altos que os de um café comum de bairro parisiense — parte do que se paga ali é, literalmente, décadas de história. Ainda assim, para quem gosta de literatura e história cultural, sentar por meia hora numa mesa que já recebeu Sartre e Beauvoir é uma experiência difícil de replicar em qualquer outro lugar de Paris.

Onde fica

  • Café de Flore Cafeteria
    172 Boulevard Saint-Germain, 75006 Paris, França

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📍 Dica rápida

Banteay Srei: o templo rosa considerado a joia da arte khmer

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Erguido no século 10, o Banteay Srei é pequeno perto de Angkor Wat, mas é considerado a peça mais refinada da arte khmer, com relevos entalhados em arenito rosa. Fica a cerca de 35 km do centro, meio caminho que vale o passeio.

Torres de arenito rosa entalhado do templo Banteay Srei

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Banteay Srei Ponto Turístico
    Banteay Srei, Siem Reap, Camboja
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Maxim's de Paris: o bistrô de um garçom que virou templo art nouveau da Belle Époque

Fachada verde e dourada do restaurante Maxim's de Paris, na Rue Royale

Foto: Wikimedia Commons

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Na esquina da Rue Royale com a Place de la Concorde, em Paris, uma fachada verde-escura emoldurada em ferro dourado esconde um dos salões mais fotografados — e menos visitados por dentro — da cidade. Passar pela porta do Maxim's é entrar numa cápsula do tempo que resume toda a extravagância da Belle Époque francesa, quando o restaurante virou sinônimo de luxo, escândalo e alta sociedade.

De bistrô de esquina a ponto de encontro da elite

O endereço 3 Rue Royale abrigava, em 1893, apenas um modesto café de bairro. Foi ali que o garçom Maxim Gaillard decidiu abrir seu próprio estabelecimento, batizando-o com o próprio nome. O pequeno bistrô ganhou popularidade rápido entre a burguesia parisiense, mas foi a virada do século que transformaria o Maxim's de simples ponto de encontro em símbolo internacional de sofisticação.

A reforma que criou um marco art nouveau

Entre 1899 e 1900, o maître d'hôtel Eugène Cornuché comprou o restaurante e contratou o arquiteto-decorador Louis Marnez para prepará-lo às pressas para a Exposição Universal de 1900. O resultado foi um dos interiores art nouveau mais completos já preservados na França: painéis de mogno, espelhos biselados, ornamentos em bronze e cobre entrelaçados em motivos florais e afrescos nas paredes assinados pelo pintor Léon Sonnier. A decoração, quase intacta até hoje, rendeu ao salão principal reconhecimento como patrimônio histórico.

Fachada do restaurante Maxim's no número 3 da Rue Royale, em Paris

A fachada do Maxim's na Rue Royale, entre a Place de la Concorde e a Madeleine.

O palco das noites mais badaladas de Paris

Ao longo da Belle Époque e das décadas seguintes, as mesas do Maxim's reuniram aristocratas, cortesãs, escritores e artistas em um ambiente reservado e badalado. Entre os frequentadores mais citados pela história do restaurante estão:

  • Marcel Proust e Jean Cocteau, que levaram o clima do salão para suas obras;
  • Salvador Dalí, com suas aparições tão extravagantes quanto seus quadros;
  • a atriz Grace Kelly, já como princesa de Mônaco;
  • a soprano Maria Callas, o cineasta Alfred Hitchcock e o artista Andy Warhol.

Foi também nesse período que o Maxim's ganhou vida na cultura popular: a personagem Chegrette e o próprio nome do restaurante aparecem na opereta "A Viúva Alegre", de Franz Lehár, estreada em 1905, ambientada justamente entre suas mesas.

De Pierre Cardin ao museu acima do salão

Em maio de 1981, o estilista Pierre Cardin comprou o Maxim's por um valor nunca revelado publicamente, estimado em mais de 20 milhões de dólares, e transformou o nome em marca internacional, com filiais em outras cidades e uma linha de produtos derivados, de porcelanas a perfumes. Colecionador de peças art nouveau havia décadas, Cardin instalou no andar acima do salão principal o Musée Art Nouveau — Maxim's, com mais de 550 objetos de nomes como Louis Majorelle, Louis Comfort Tiffany, Émile Gallé e Henri de Toulouse-Lautrec.

Retrato de Arlette Dorgère feito no verso de um menu do Maxim's em 16 de abril de 1908

Retrato feito no verso de um cardápio do Maxim's, em 16 de abril de 1908 — um dos muitos vestígios das noites boêmias do salão.

Mais de 130 anos depois de Maxim Gaillard servir seus primeiros clientes, o pequeno bistrô que ele batizou com o próprio nome continua funcionando na mesma esquina da Rue Royale — hoje como um dos raros interiores art nouveau da virada do século ainda em uso diário, servindo jantares sob os mesmos afrescos que testemunharam a Belle Époque.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Muitos dizem ser o almoço perfeito em Paris. Reserve com antecedência.

Onde fica

  • Maxim's de Paris Restaurante
    Maxim's de Paris, 3 Rue Royale, Paris, França

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