Diferente do que muita gente imagina, a Muralha da China não foi construída de uma só vez nem por uma única dinastia — é, na verdade, um conjunto de muralhas erguidas, reformadas e conectadas ao longo de mais de dois mil anos, começando ainda no século VII a.C. e ganhando a forma mais conhecida hoje durante a dinastia Ming, entre os séculos XIV e XVII. Estima-se que a extensão total de todos os trechos já construídos ultrapasse 21 mil quilômetros.
Unificada pelo primeiro imperador
O primeiro grande esforço de unificação de muralhas já existentes aconteceu sob o comando de Qin Shi Huang, o primeiro imperador de uma China unificada, no século III a.C. Nesse período, trechos construídos separadamente por diferentes reinos em guerra foram conectados numa linha defensiva contra invasões de povos nômades do norte, com um custo humano altíssimo — registros históricos indicam que centenas de milhares de trabalhadores, muitos deles forçados, morreram durante a construção.
Badaling, o trecho mais visitado
O trecho de Badaling, a cerca de 70 quilômetros de Pequim, foi reconstruído durante a dinastia Ming como parte do sistema defensivo mais próximo da capital e é hoje o segmento mais visitado por turistas, tanto pela proximidade com Pequim quanto pelo bom estado de conservação. As torres de vigia espaçadas ao longo do trajeto eram usadas para comunicação por sinais de fumaça, permitindo alertar rapidamente sobre movimentações inimigas ao longo de toda a extensão da muralha.
As torres de vigia serviam para comunicação por sinais de fumaça entre diferentes pontos da muralha.
Um mito sobre visibilidade do espaço
Uma das lendas mais repetidas sobre a Muralha da China é a de que ela seria visível a olho nu do espaço — informação hoje desmentida por astronautas e pela própria Nasa, já que a largura da estrutura é pequena demais para ser distinguida a olho nu de órbita, mesmo sendo tão extensa em comprimento.
A muralha acompanha o relevo montanhoso ao norte da China por milhares de quilômetros.
Dicas para a visita
Badaling costuma ficar extremamente cheio nos fins de semana e feriados chineses — trechos alternativos como Mutianyu, um pouco mais distantes de Pequim, costumam ser opções mais tranquilas para quem prioriza uma experiência menos concorrida. Vale levar água e protetor solar, já que boa parte do trajeto não tem sombra e envolve subidas íngremes por escadas de pedra.
Referências
Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.
Um roteiro com 5 paradas em Cracóvia, Polônia: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.
Fique na Praça Principal de Cracóvia esperando dar a hora cheia. Do alto da torre mais alta da Basílica de Santa Maria, uma janela se abre e um trompetista toca uma melodia curta. Você vai ouvi-la duas, três vezes — e nas quatro direções. E as quatro vezes vão terminar do mesmo jeito estranho: no meio de uma nota, sem resolução, como se alguém tivesse arrancado o instrumento da boca do músico.
É o hejnał mariacki, e ele acontece a cada hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A interrupção não é falha nem estilo: segundo a tradição, ela lembra um trompetista do século XIII que tocava o alarme para avisar a cidade de um ataque mongol e foi atingido na garganta por uma flecha antes de terminar. A cidade foi avisada. Ele, não terminou.
A basílica ao redor dessa cena tem outro tesouro, este perfeitamente documentado. No altar-mor está o retábulo esculpido em madeira por Veit Stoss — Wit Stwosz, para os poloneses —, entalhado entre 1477 e 1489. Stoss era alemão de nascimento, mas morou e trabalhou em Cracóvia por mais de vinte anos, e a obra que deixou é uma das peças-chave da escultura gótica europeia: figuras em tamanho quase natural, dobras de tecido que parecem pesar, rostos que não idealizam nada.
Repare também nas duas torres da fachada, de alturas visivelmente diferentes — a assimetria é uma das assinaturas visuais da cidade. Em 1978, a basílica entrou para o Patrimônio Mundial da UNESCO junto com todo o Centro Histórico de Cracóvia.
Vale programar a visita para chegar alguns minutos antes da hora cheia, na praça, e só depois entrar. O interior explica a arquitetura; a trombeta explica a cidade.
2. Fábrica de Esmaltados de Oskar Schindler (Museu de Cracóvia)
Foto: Adrian Grycuk / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)
No bairro de Zabłocie, do outro lado do rio em relação ao centro turístico de Cracóvia, há um prédio administrativo discreto na rua Lipowa, número 4. Quem viu o filme de Steven Spielberg de 1993 reconhece a escadaria. Quem não viu encontra ali, de todo modo, o museu mais visitado da cidade depois de Wawel.
A fábrica foi inaugurada dois anos antes da Segunda Guerra. No outono de 1939, foi confiscada de seus três proprietários judeus e entregue a um alemão dos Sudetos chamado Oskar Schindler (1908–1974). Sob o nome de Deutsche Emailwarenfabrik — abreviada como Emalia —, a empresa produzia utensílios esmaltados civis, panelas e colheres, e também encomendas militares: marmitas e, mais tarde, cartuchos de munição. Deu bastante dinheiro a Schindler.
E deu também a estrutura que ele usaria para manter empregados judeus fora dos transportes — o episódio que fez de um empresário oportunista um "Justo entre as Nações". O museu não trata isso como conto de fadas: mostra Schindler junto das ambiguidades, do lucro e do contexto.
Aliás, uma expectativa a ajustar antes de comprar o ingresso: a exposição permanente não é sobre Schindler. Chama-se "Cracóvia sob a ocupação nazista, 1939–1945" e é, antes de tudo, a história da cidade e dos seus habitantes, poloneses e judeus, durante a guerra. A fábrica é a moldura; o assunto é Cracóvia inteira. O espaço é hoje uma filial do Museu de Cracóvia e também recebe exposições temporárias e sessões de cinema.
Compre o ingresso online com antecedência — a fila avulsa costuma ser longa — e reserve duas horas cheias. A montagem é imersiva, corredor a corredor, e não funciona bem apressada.
Endereço: Lipowa 4, 30-702 Kraków, Poland
Onde comer
3. Restauracja Wierzynek
Foto: Kgbo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Sobre a porta de um sobrado da Praça Principal de Cracóvia está gravada uma data: 1364. É o ano em que, segundo a tradição, o rico comerciante Mikołaj Wierzynek ofereceu ali um banquete em nome do rei Casimiro III, o Grande — a ocasião era o casamento de uma neta do rei com Carlos IV de Luxemburgo, e à mesa teriam se sentado, entre outros, o rei Luís da Hungria, Valdemar IV da Dinamarca e Pedro de Chipre.
É a festa mais famosa da história polonesa. E é justo dizer o que a maioria dos folhetos omite: a única fonte que a descreve é uma crônica de Jan Długosz, escrita cerca de um século depois do evento. O banquete pode muito bem ter acontecido; provado documentalmente, na acepção estrita, ele não está. Vale também não confundir as coisas — o restaurante atual não funciona ininterruptamente desde o século XIV. O que ele herdou foi o endereço, o nome e a história.
Se a lenda ganhou vida própria, boa parte do crédito é de Jan Matejko, que em 1877 pintou Uczta u Wierzynka, "O Banquete em Wierzynek", em óleo sobre painel — a imagem que fixou a cena na cabeça de gerações de poloneses.
A casa de hoje ocupa quatro andares, com capacidade para cerca de 200 pessoas distribuídas em oito salas de nomes próprios: os Salões Pompeianos italianos, a Sala Tatra, a Sala do Relógio, a Sala dos Cavaleiros, a Câmara da Imaginação. A cozinha é polonesa de tradição, com apresentação contemporânea.
Reserve com antecedência e peça uma sala específica ao reservar — a diferença entre os ambientes é grande, e é para isso que se vai a um lugar que decidiu vender 660 anos de história junto com o jantar.
Endereço: Rynek Główny 16, 31-008 Cracóvia, Polônia
Em 1895, um confeiteiro chamado Jan Apolinary Michalik abriu na rua Floriańska, em Cracóvia, um estabelecimento que registrou como Cukiernia Lwowska — a Confeitaria de Lviv. O nome oficial não pegou. O que pegou foi o apelido, porque no começo Michalik só tinha dinheiro para alugar uma única sala nos fundos, sem nenhuma janela. Os fregueses passaram a chamar aquilo de Jama Michalika: a Toca do Michalik. É assim que a casa se chama até hoje.
A localização era estratégica: a poucos passos ficava a Academia de Belas-Artes. Michalik teve então a ideia que definiria o lugar — convidou os estudantes a comer de graça, em troca de pequenos trabalhos deles. Os alunos pagavam a conta em desenhos, caricaturas, painéis. O café foi se cobrindo por dentro com o que os artistas deixavam, e o que era um arranjo de sobrevivência virou acervo.
Em 1905, o salão recebeu o cabaré Zielony Balonik — o Balão Verde —, que se apresentou regularmente ali até 1912 e esporadicamente até 1915. Foi um dos pontos altos do movimento Młoda Polska, a Jovem Polônia, e um dos raros espaços em que a boemia local pôde satirizar quase tudo à vontade.
O interior continua sendo o argumento principal. É Art Nouveau de verdade, com peças de artistas como Karol Frycz e Kazimierz Sichulski: espelhos ornamentados, vitrais, luminárias de época, marcenaria escura. Boa parte da atmosfera é a mesma do início dos anos 1900.
Vá pelo salão antigo, não pela parte da frente. E aceite que aqui o café custa o preço de um endereço histórico — o que você está comprando, além da bebida, é uma sala que nunca foi redecorada.
Endereço: ul. Floriańska 45, 31-019 Cracóvia, Polônia
Onde beber
5. Piwnica pod Baranami
Foto: Zygmunt Put / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
No número 27 da Praça Principal de Cracóvia fica o Palácio Pod Baranami — "Sob os Carneiros". Quem passa vê uma fachada nobre e um portão. O que interessa está embaixo: os porões abobadados onde, em 1956, um jovem de 26 anos chamado Piotr Skrzynecki montou um clube estudantil que viraria a instituição mais insolente da Polônia comunista.
A Piwnica pod Baranami — literalmente "o Porão sob os Carneiros" — começou a funcionar em 26 de maio de 1956, e a primeira apresentação aconteceu em dezembro daquele ano. Por mais de três décadas, foi o cabaré político mais conhecido do país: canção, dança e esquete usados sistematicamente para ridicularizar o regime, num período em que fazer isso em público exigia cálculo fino sobre o que a censura toleraria naquela semana.
Skrzynecki (1930–1997) era o mestre de cerimônias e a alma do lugar, e sua morte gerou o boato — repetido até hoje — de que a Piwnica havia fechado. Não fechou. O cabaré continua em atividade nos mesmos porões.
Hoje o endereço funciona em duas camadas: o cabaré, com programação própria, e o bar no subsolo, onde dá para beber sob as abóbadas de pedra sem compromisso com nenhum espetáculo. O ambiente é escuro, apinhado de cartazes e retratos, e não faz o menor esforço para parecer moderno — o que, aqui, é exatamente o ponto.
Confira a programação antes de ir: noite de cabaré e noite de bar comum são experiências bem diferentes, e a primeira costuma exigir ingresso.
Endereço: Rynek Główny 27, 31-010 Cracóvia, Polônia
Quem chega a Salzburgo vê a fortaleza antes de ver qualquer outra coisa. Ela ocupa o topo do Festungsberg, acima do centro histórico, e se estende por 250 metros de comprimento e até 150 de largura — é considerada um dos maiores castelos medievais da Europa e, segundo o turismo oficial da cidade, o maior castelo totalmente preservado da Europa Central. Mais de um milhão de pessoas sobem até lá por ano, o que a torna a atração mais visitada da Áustria fora de Viena.
Um arcebispo com medo do imperador
A construção começou em 1077, por ordem do arcebispo Gebhard. Era o auge da Querela das Investiduras, a disputa entre o papa e o imperador sobre quem nomeava bispos, e Gebhard estava do lado do papa. Salzburgo era governada por príncipes-arcebispos, que acumulavam poder religioso e político, e precisavam se proteger. A primeira fortificação era modesta: uma torre residencial cercada por um muro de madeira.
Nos séculos seguintes, cada arcebispo acrescentou alguma coisa — muralhas, torres, bastiões. A fortaleza ganhou a aparência que tem hoje por volta de 1500, sob Leonhard von Keutschach, que governou de 1495 a 1519. Ele foi quem mais deixou marcas no lugar, literalmente: seu brasão, um nabo branco sobre fundo preto, aparece até 58 vezes pelas paredes da fortaleza. A lenda local diz que, quando menino, ele ia mal na escola e um tio atirou um nabo nele; e o nabo acabou no brasão.
O único cerco, e a rendição sem luta
Em mais de 900 anos, a fortaleza foi sitiada uma única vez. Em 1525, durante a Guerra dos Camponeses, camponeses e mineiros revoltados cercaram o príncipe-arcebispo Matthäus Lang lá dentro de 5 de julho a 31 de agosto. Não conseguiram entrar. A frase que se repete em Salzburgo — "nunca foi tomada" — precisa de um asterisco: nas Guerras Napoleônicas, a guarnição entregou a fortaleza às tropas francesas sem lutar. Tomada à força, de fato, nunca foi.
Essa segurança ajudou a preservar o interior. Os aposentos do príncipe foram montados a partir de 1498. A sala mais famosa é a Goldene Stube, a "sala dourada", com o teto de madeira em caixotões salpicado de botões dourados que representam as estrelas do céu.
Um touro de 1502 e um trem de 1460
Keutschach também encomendou, em 1502, o Salzburger Stier, o "touro de Salzburgo": um órgão mecânico de tubos. O acorde em fá maior soa como um touro mugindo, e daí veio o nome. É o instrumento musical mecânico mais antigo ainda tocado com regularidade, segundo o turismo de Salzburgo. Ele toca todos os dias logo depois das 7h, 11h e 18h, em sequência ao carrilhão da cidade velha, e tem melodias compostas por Johann Eberlin e por Leopold Mozart, o pai de Wolfgang.
Outra peça rara é o Reisszug, um elevador de carga sobre trilhos que puxa mercadorias encosta acima. Matthäus Lang o descreveu em 1515, mas vestígios arqueológicos indicam que ele já existia por volta de 1460. É apontado como o funicular mais antigo preservado do mundo e ainda funciona, só para carga — visitante não sobe nele. Para os visitantes existe a FestungsBahn, inaugurada em 1892: são 191 metros de trilho, 99 metros de desnível e rampa de até 62%. Quem preferir pode subir a pé pela trilha que sai da cidade velha, em 15 a 20 minutos.
Lá em cima ficam ainda três museus: o da fortaleza, o de marionetes e o do Regimento Rainer, dedicado ao antigo regimento da cidade.
Perguntas frequentes
Quanto custa visitar a Fortaleza de Hohensalzburg? O ingresso básico custa € 14,20 e o completo, com todas as áreas internas, € 17,80. A fortaleza abre todos os dias do ano.
Precisa pegar o funicular? Não. A subida a pé leva de 15 a 20 minutos a partir do centro histórico. O funicular poupa a ladeira.
Quando ouvir o Salzburger Stier? Logo depois das 7h, 11h e 18h, dá para ouvir de vários pontos da cidade velha.
Onde fica
Fortaleza de Hohensalzburg (Festung Hohensalzburg)Histórico Mönchsberg 34, 5020 Salzburgo, Áustria
No coração de Marrakech, o minarete de 77 metros da Mesquita Koutoubia domina o horizonte da cidade há mais de 800 anos. É o monumento mais fotografado do Marrocos e o ponto de referência a partir do qual toda a medina se orienta — mas sua história guarda também um episódio inesperado da Segunda Guerra Mundial.
Erguida pelos almóadas depois da conquista de Marrakech
A construção da mesquita começou pouco depois de 1147, quando o califa almóada Abd al-Mumin conquistou Marrakech e decidiu marcar a vitória com um novo templo à altura da capital do seu império, que na época se estendia do Marrocos à Espanha muçulmana. O minarete, elemento mais célebre do conjunto, só ficou pronto décadas mais tarde, por volta de 1199, sob o califa Yacoub al-Mansour.
Com seus 77 metros, é o mais antigo dos três grandes minaretes almóadas que sobrevivem até hoje — os outros dois são a Giralda, em Sevilha, e a Torre Hassan, em Rabat. A semelhança entre as três torres não é coincidência: as três foram erguidas pela mesma dinastia, e a Giralda é explicitamente inspirada no modelo de Marrakech.
Um nome que vem dos livreiros
"Koutoubia" deriva de "koutoub", livro em árabe. O nome existe porque, na época em que a mesquita foi erguida, um mercado de livreiros e copistas funcionava nas proximidades — um detalhe que lembra que Marrakech já era, no século XII, um centro de comércio e de produção de manuscritos.
A única pintura de Churchill na Segunda Guerra
Em janeiro de 1943, logo após a Conferência de Casablanca, Winston Churchill convenceu Franklin Roosevelt a conhecer Marrakech antes de voltar para casa, dizendo que não se podia vir até o norte da África sem ver o pôr do sol sobre as montanhas do Atlas. Depois que a delegação americana partiu, Churchill ficou mais um dia na cidade, hospedado no hotel La Mamounia, e pintou a torre da Koutoubia vista do jardim do hotel.
Foi a única pintura que Churchill fez durante toda a Segunda Guerra Mundial. Ele deu o quadro de presente a Roosevelt. Décadas depois, a obra passou pelas mãos de diversos colecionadores até chegar ao casal Angelina Jolie e Brad Pitt, que a venderam em leilão na Christie's em março de 2021 por US$ 11,5 milhões — recorde de preço para uma obra de Churchill.
Perguntas frequentes
Dá para visitar o interior da mesquita? Não. Como em praticamente todas as mesquitas em atividade no Marrocos, o acesso ao interior é restrito a muçulmanos praticantes. Visitantes de fora podem admirar o exterior e os jardins ao redor, de onde a vista do minarete já vale a visita.
De onde é a melhor vista da Koutoubia? Dos jardins públicos ao redor da mesquita, ou — como Churchill descobriu em 1943 — do jardim do hotel La Mamounia, a poucos passos dali.
Onde fica
Mesquita KoutoubiaHistórico Avenue Mohammed V, Marrakech 40000, Marrocos
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