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La Closerie des Lilas: o bar literário onde Hemingway escreveu seus primeiros romances

Aberta em 1847, a Closerie des Lilas se tornou point de escritores e artistas como Hemingway, Fitzgerald, Picasso e Man Ray.

No balcão do bar, placas de latão indicam onde cada um costumava sentar — Hemingway garante ter escrito boa parte de 'O Sol Também Se Levanta' ali.

Fachada do bar-brasserie La Closerie des Lilas em Paris

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • La Closerie des Lilas Bar
    171 Boulevard du Montparnasse, Paris, França
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Estação da Luz: o marco de ferro inglês que virou símbolo de São Paulo

Fachada histórica da Estação da Luz, em São Paulo

Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

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Com sua torre do relógio, estrutura de ferro e ares de estação vitoriana inglesa, a Estação da Luz destoa propositalmente da paisagem do centro de São Paulo — e é exatamente essa origem britânica que explica boa parte de sua história. Inaugurada em 1901, a estação foi construída para atender a São Paulo Railway, companhia inglesa responsável por ligar a capital paulista ao porto de Santos, essencial para escoar a produção de café que sustentava a economia do estado no fim do século XIX.

Peças importadas da Inglaterra

Boa parte da estrutura metálica do prédio foi fabricada na Inglaterra e transportada de navio até o Brasil, sendo montada em São Paulo peça por peça — método comum em construções ferroviárias da época, mas que reforçou o apelido do prédio como um pedaço da Inglaterra vitoriana em pleno centro paulistano. O estilo arquitetônico, combinando ferro, tijolo aparente e uma torre de relógio central, remete diretamente às estações de trem britânicas do período.

Palco de um incêndio histórico

Em 1946, um incêndio destruiu parte importante da estrutura original, incluindo o corpo central e a torre do relógio, que precisaram ser reconstruídos. Apesar da perda, a reconstrução manteve a fachada e o estilo arquitetônico original, preservando a identidade visual que torna a Luz reconhecível até hoje.

Vista da Estação da Luz em São Paulo

A estrutura de ferro remete diretamente às estações vitorianas inglesas do século XIX.

De estação de trem a museu

Com o declínio do transporte ferroviário de passageiros ao longo do século XX, parte do prédio passou por uma requalificação cultural: desde 2006, abriga o Museu da Língua Portuguesa, um dos museus mais visitados do Brasil até um incêndio em 2015 que atingiu o museu (não a estrutura histórica da estação em si) e levou a uma reforma, reaberta ao público em 2021. A estação continua funcionando normalmente para os trens da CPTM e do Metrô de São Paulo.

Torre do relógio da Estação da Luz

A torre do relógio é um dos pontos mais fotografados do centro de São Paulo.

Dicas para a visita

Além de conhecer o Museu da Língua Portuguesa dentro da própria estação, vale aproveitar a visita para caminhar até o Parque da Luz, jardim histórico ao lado do prédio, e a Pinacoteca de São Paulo, museu de arte que fica a poucos minutos a pé — um dos trios culturais mais concentrados do centro paulistano.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Estação da Luz — Wikipédia

Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0).

Onde fica

  • Estação da Luz Histórico
    Praça da Luz, 1, Luz, São Paulo - SP

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Harry's Bar Veneza: o bar que inventou o Bellini e o carpaccio

Fachada do Harry's Bar à beira do Canal Grande, em Veneza

Foto: This Photo was taken by Wolfgang Moroder . Feel free to use my photos, but pl… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Perto da Piazza San Marco, com vista para o Canal Grande, um bar discreto fundado em 1931 por Giuseppe Cipriani deu origem a dois clássicos que hoje fazem parte do repertório gastronômico mundial: o coquetel Bellini e o prato carpaccio. O Harry's Bar nasceu depois que Cipriani, então barman num hotel de Veneza, recebeu ajuda financeira de um cliente americano chamado Harry Pickering para abrir seu próprio negócio — daí o nome do bar.

O nascimento do Bellini

Em 1948, Cipriani criou o Bellini, coquetel feito com purê de pêssego branco e prosecco, batizado em homenagem ao pintor renascentista veneziano Giovanni Bellini, cujas obras tinham tons de rosa parecidos com a cor da bebida. O drinque se popularizou rapidamente e hoje é servido em bares do mundo inteiro, sempre remetendo à receita original criada em Veneza.

O carpaccio: carne crua que virou clássico

Em 1950, Cipriani criou o carpaccio para uma cliente que precisava seguir uma dieta sem carne cozida: finas fatias de carne bovina crua servidas com um molho à base de maionese. O nome é uma homenagem ao pintor Vittore Carpaccio, cujas obras estavam em exibição em Veneza na época e usavam tons de vermelho e branco parecidos com os do prato. Hoje o carpaccio é servido — com variações de carne, peixe e até frutas — em restaurantes ao redor do mundo.

Vista externa do Harry's Bar em Veneza

O bar fica a poucos passos da Piazza San Marco, à beira do Canal Grande.

Hemingway e o cinema em Veneza

Assim como em Cuba, Ernest Hemingway também frequentou o Harry's Bar durante temporadas em Veneza, e o local aparece mencionado em sua obra "Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores". Outros nomes célebres associados ao bar incluem Charlie Chaplin, Orson Welles e Truman Capote, reforçando a reputação do espaço como point internacional de artistas e escritores ao longo do século XX.

Carpaccio, prato criado no Harry's Bar

O carpaccio criado por Cipriani se tornou um clássico da gastronomia mundial.

Dicas para a visita

Por ser um dos bares mais famosos do mundo, os preços do Harry's Bar são consideravelmente altos para os padrões venezianos — muitos visitantes optam por tomar apenas um Bellini como forma de vivenciar a experiência sem um grande investimento. Vale reservar mesa com antecedência, especialmente em temporada alta de turismo.

Onde fica

  • Harry's Bar Bar
    Calle Vallaresso 1323, Veneza, Itália

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Rio Minho: o restaurante mais antigo do Rio de Janeiro ainda serve a sopa criada por um embaixador

Praça XV de Novembro, no Centro do Rio de Janeiro, onde fica o restaurante Rio Minho

Foto: Estela Neto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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São seis da tarde na Praça XV, no Centro do Rio, e um cheiro de caldo de peixe escapa por uma porta de madeira na Rua do Ouvidor. Do lado de dentro, garçons de paletó branco circulam entre toalhas engomadas e paredes com azulejos portugueses, servindo o mesmo prato que ambientava as mesas ali há mais de cem anos. É o Rio Minho, considerado o restaurante mais antigo em atividade ininterrupta da cidade, funcionando no mesmo endereço desde 1884.

Um sobrevivente da Rua do Ouvidor

O Rio Minho foi inaugurado por comerciantes portugueses no número 1 da Rua do Ouvidor — endereço que, com a renumeração da rua ao longo do século XX, corresponde hoje ao número 10, na esquina com a Praça XV de Novembro. Batizado em homenagem à província do Minho, no norte de Portugal, de onde vieram muitos de seus fundadores, o restaurante já teve diferentes donos ao longo de mais de 140 anos, mas nunca deixou de funcionar como restaurante — um recorde raro em uma região do Centro do Rio que viu desaparecer boa parte do comércio da era imperial e republicana.

A especialidade da casa sempre foi peixes e frutos do mar, num cardápio que atravessou o Império, a Proclamação da República e todas as reformas urbanas que remodelaram a Rua do Ouvidor — via que, no fim do século XIX, era o centro da vida elegante, política e boêmia da capital do país.

A sopa que virou lenda

Nenhum prato está mais associado ao Rio Minho do que a Sopa Leão Veloso. A receita nasceu no início do século XX a partir da experiência do diplomata Pedro Leão Velloso Neto (1887–1947), que, durante uma viagem à França, provou a bouillabaisse marselhesa e trouxe a ideia para o Rio de Janeiro. Adaptada pela cozinha do Rio Minho com peixes e frutos do mar locais, a sopa cremosa e encorpada recebeu o nome do embaixador e virou um clássico da gastronomia carioca, servida até hoje praticamente sem alterações na receita.

Retrato do Barão do Rio Branco, diplomata que frequentava o Rio Minho

O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, tinha mesa cativa no Rio Minho.

Mesa de diplomatas e intelectuais

Por sua localização a poucos passos do antigo Ministério das Relações Exteriores e dos prédios públicos que cercavam a Praça XV, o Rio Minho tornou-se ponto de encontro de figuras da política e das letras desde o início do século XX. Entre os frequentadores mais célebres estão:

  • O Barão do Rio Branco, considerado o patrono da diplomacia brasileira, que tinha mesa cativa no restaurante e ali recebia colegas de trabalho e amigos;
  • O filólogo e lexicógrafo Antônio Houaiss, um dos frequentadores assíduos nas décadas seguintes;
  • Gerações de diplomatas do Itamaraty, que fizeram do salão uma extensão informal de suas reuniões de trabalho.
Sopa de peixes no estilo bouillabaisse, base da receita da Sopa Leão Veloso

A bouillabaisse marselhesa inspirou a criação da Sopa Leão Veloso.

O prédio onde o restaurante funciona também guarda parte dessa memória: o salão principal preserva móveis, azulejaria e uma atmosfera que remetem diretamente ao Rio de Janeiro do fim do século XIX, quando a Rua do Ouvidor concentrava confeitarias, livrarias e redações de jornal — um circuito que hoje sobrevive quase só em fotografias e nas paredes do Rio Minho. Reconhecido como parte do patrimônio histórico e cultural do Centro do Rio, o restaurante segue como um dos poucos elos ainda em funcionamento entre a cidade de hoje e a que existia antes das grandes reformas urbanas do início do século XX — prova de que, na culinária carioca, tradição e permanência também podem ser servidas à mesa.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Fundado em 1884, e ainda é o melhor lugar pra comer frutos do mar. A sopa leão veloso foi inventada lá.

Onde fica

  • Rio Minho Restaurante
    R. do Ouvidor, 10 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, 20010-150

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