A cerca de 545 quilômetros da costa de Pernambuco, o arquipélago de Fernando de Noronha reúne águas cristalinas, uma das maiores concentrações de golfinhos-rotadores do mundo e um formato geológico inconfundível: o Morro do Pico, pico vulcânico de 320 metros que serve de referência visual para praticamente qualquer ponto da ilha principal. Hoje tratado como um dos destinos mais preservados do Brasil, o arquipélago já passou por um passado bem menos idílico.
De posto militar a colônia penal
Descoberto pelos portugueses no início do século XVI, o arquipélago foi ocupado ao longo dos séculos seguintes por diferentes potências europeias interessadas em sua posição estratégica no Atlântico. A partir de 1737, Portugal transformou a ilha principal numa colônia penal, uso que se manteve, com interrupções, até 1957 — por mais de dois séculos, Fernando de Noronha foi conhecida principalmente como local de prisão, não como destino turístico.
Base militar na Segunda Guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, a posição estratégica do arquipélago no Atlântico levou à instalação de uma base aérea americana em parceria com o Brasil, usada para reabastecer aviões em rotas entre as Américas, a África e a Europa. Estruturas remanescentes desse período ainda podem ser vistas em diferentes pontos da ilha, incluindo parte da pista de pouso ainda em uso no aeroporto local.

O Morro do Pico, de origem vulcânica, é visível de quase toda a ilha.
De presídio a santuário ecológico
A partir da desativação da colônia penal, em 1957, e sobretudo depois da criação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em 1988, o arquipélago passou por uma completa reinvenção como destino de ecoturismo. Hoje, o acesso é controlado por uma taxa de preservação ambiental cobrada por dia de permanência, e o número de turistas na ilha é limitado, medida que ajudou a manter o arquipélago como uma das áreas mais bem preservadas do litoral brasileiro.
Fortificações históricas como o Forte dos Remédios lembram o passado militar da ilha.
Dicas para a visita
Além da taxa de preservação ambiental, cobrada por dia, a entrada no Parque Nacional Marinho exige um ingresso à parte, válido por dez dias, para acesso às praias e trilhas dentro da área protegida. Vale reservar passeios de mergulho e observação de golfinhos com antecedência, já que o número de vagas costuma ser limitado para proteger a fauna marinha local.