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Fernando de Noronha: como o arquipélago virou presídio antes de ser paraíso ecológico

Morro do Pico, cartão-postal de Fernando de Noronha

Foto: Wikimedia Commons

A cerca de 545 quilômetros da costa de Pernambuco, o arquipélago de Fernando de Noronha reúne águas cristalinas, uma das maiores concentrações de golfinhos-rotadores do mundo e um formato geológico inconfundível: o Morro do Pico, pico vulcânico de 320 metros que serve de referência visual para praticamente qualquer ponto da ilha principal. Hoje tratado como um dos destinos mais preservados do Brasil, o arquipélago já passou por um passado bem menos idílico.

De posto militar a colônia penal

Descoberto pelos portugueses no início do século XVI, o arquipélago foi ocupado ao longo dos séculos seguintes por diferentes potências europeias interessadas em sua posição estratégica no Atlântico. A partir de 1737, Portugal transformou a ilha principal numa colônia penal, uso que se manteve, com interrupções, até 1957 — por mais de dois séculos, Fernando de Noronha foi conhecida principalmente como local de prisão, não como destino turístico.

Base militar na Segunda Guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, a posição estratégica do arquipélago no Atlântico levou à instalação de uma base aérea americana em parceria com o Brasil, usada para reabastecer aviões em rotas entre as Américas, a África e a Europa. Estruturas remanescentes desse período ainda podem ser vistas em diferentes pontos da ilha, incluindo parte da pista de pouso ainda em uso no aeroporto local.

Morro do Pico visto da Praia da Conceição

O Morro do Pico, de origem vulcânica, é visível de quase toda a ilha.

De presídio a santuário ecológico

A partir da desativação da colônia penal, em 1957, e sobretudo depois da criação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em 1988, o arquipélago passou por uma completa reinvenção como destino de ecoturismo. Hoje, o acesso é controlado por uma taxa de preservação ambiental cobrada por dia de permanência, e o número de turistas na ilha é limitado, medida que ajudou a manter o arquipélago como uma das áreas mais bem preservadas do litoral brasileiro.

Vista do Forte dos Remédios em Fernando de Noronha

Fortificações históricas como o Forte dos Remédios lembram o passado militar da ilha.

Dicas para a visita

Além da taxa de preservação ambiental, cobrada por dia, a entrada no Parque Nacional Marinho exige um ingresso à parte, válido por dez dias, para acesso às praias e trilhas dentro da área protegida. Vale reservar passeios de mergulho e observação de golfinhos com antecedência, já que o número de vagas costuma ser limitado para proteger a fauna marinha local.

Onde fica

  • Morro do Pico Ponto Turístico
    Fernando de Noronha, Pernambuco