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📍 Dica rápida

Cais da Ribeira: o cartão-postal colorido do Porto

Casario colorido à beira do rio Douro, Patrimônio Mundial da UNESCO. Dali dá pra ver a Ponte Dom Luís I e as caves de vinho do Porto do outro lado, em Vila Nova de Gaia.

Casario colorido do Cais da Ribeira, no Porto

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vários bares e restaurantes, mas, num dia de frio, leve a sua garrafa de vinho, duas taças, a sua amada, um bom queijo e deguste a beira do rio sentado no chão.

Onde fica

  • Cais da Ribeira Ponto Turístico
    Praça da Ribeira, Porto, Portugal
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Pelourinho: a praça que guarda (e expõe) a história afro-brasileira de Salvador

Casario colorido do Pelourinho, centro histórico de Salvador

Foto: Wikimedia Commons

No topo da Cidade Alta de Salvador, um conjunto de ladeiras íngremes e casarios coloridos do período colonial forma um dos centros históricos mais importantes do Brasil. O Pelourinho recebeu esse nome por ter sido, durante o Brasil colonial, o local onde ficava o pelourinho — poste de pedra usado para castigar publicamente pessoas escravizadas. Hoje, o mesmo espaço se tornou um dos principais símbolos da cultura afro-brasileira no país, um giro histórico carregado de significado.

Centro do comércio colonial

Fundada em 1549 como a primeira capital do Brasil colonial, Salvador teve no Pelourinho o coração administrativo, religioso e comercial da cidade durante séculos. A região concentrava igrejas barrocas, sobrados de comerciantes e, tragicamente, também foi um dos principais pontos de comércio de pessoas escravizadas trazidas da África — a Bahia recebeu, ao longo de mais de três séculos, o maior contingente de africanos escravizados de todo o Brasil.

Patrimônio Mundial da Unesco

Depois de décadas de abandono e degradação ao longo do século XX, o Pelourinho passou por um amplo processo de restauração a partir de 1992, recuperando fachadas, ladeiras e igrejas históricas. Em 1985, antes mesmo da restauração, o conjunto já havia sido reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, muito por conta do valor arquitetônico do maior conjunto de arquitetura colonial e barroca preservado nas Américas.

Ruas de pedra e casarios coloniais do Pelourinho

As ladeiras de pedra e os sobrados coloridos são marca registrada do bairro.

Cultura afro-brasileira em primeiro plano

Hoje o Pelourinho é também point de grupos como o Olodum, bloco afro fundado em 1979 que transformou o local em palco de ensaios e apresentações, e sede de instituições culturais dedicadas à história e à cultura negra, como a Fundação Casa de Jorge Amado e diversos museus afro-brasileiros. Capoeira, candomblé e música percussiva fazem parte do cotidiano das ruas, tornando o Pelourinho um espaço de celebração da cultura que, séculos atrás, sofreu ali sua página mais violenta.

Casario colonial colorido do centro histórico de Salvador

O bairro é hoje um dos centros culturais mais ativos de Salvador.

Dicas para a visita

As ladeiras de pedra são bonitas mas exigem atenção — calçados confortáveis ajudam bastante. Vale reservar uma tarde inteira para caminhar sem pressa, visitar igrejas como a de São Francisco (com interior coberto de ouro) e assistir, se coincidir com terça-feira à noite, à roda de música que costuma tomar conta das ruas do bairro.

Onde fica

  • Largo do Pelourinho Histórico
    Pelourinho, Salvador, Bahia

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📍 Pequim

Muralha da China: mais de dois mil anos construindo a maior estrutura defensiva do mundo

Trecho de Badaling da Muralha da China

Foto: Wikimedia Commons

Diferente do que muita gente imagina, a Muralha da China não foi construída de uma só vez nem por uma única dinastia — é, na verdade, um conjunto de muralhas erguidas, reformadas e conectadas ao longo de mais de dois mil anos, começando ainda no século VII a.C. e ganhando a forma mais conhecida hoje durante a dinastia Ming, entre os séculos XIV e XVII. Estima-se que a extensão total de todos os trechos já construídos ultrapasse 21 mil quilômetros.

Unificada pelo primeiro imperador

O primeiro grande esforço de unificação de muralhas já existentes aconteceu sob o comando de Qin Shi Huang, o primeiro imperador de uma China unificada, no século III a.C. Nesse período, trechos construídos separadamente por diferentes reinos em guerra foram conectados numa linha defensiva contra invasões de povos nômades do norte, com um custo humano altíssimo — registros históricos indicam que centenas de milhares de trabalhadores, muitos deles forçados, morreram durante a construção.

Badaling, o trecho mais visitado

O trecho de Badaling, a cerca de 70 quilômetros de Pequim, foi reconstruído durante a dinastia Ming como parte do sistema defensivo mais próximo da capital e é hoje o segmento mais visitado por turistas, tanto pela proximidade com Pequim quanto pelo bom estado de conservação. As torres de vigia espaçadas ao longo do trajeto eram usadas para comunicação por sinais de fumaça, permitindo alertar rapidamente sobre movimentações inimigas ao longo de toda a extensão da muralha.

Torres de vigia ao longo da Muralha da China

As torres de vigia serviam para comunicação por sinais de fumaça entre diferentes pontos da muralha.

Um mito sobre visibilidade do espaço

Uma das lendas mais repetidas sobre a Muralha da China é a de que ela seria visível a olho nu do espaço — informação hoje desmentida por astronautas e pela própria Nasa, já que a largura da estrutura é pequena demais para ser distinguida a olho nu de órbita, mesmo sendo tão extensa em comprimento.

Vista da Muralha da China serpenteando pelas montanhas

A muralha acompanha o relevo montanhoso ao norte da China por milhares de quilômetros.

Dicas para a visita

Badaling costuma ficar extremamente cheio nos fins de semana e feriados chineses — trechos alternativos como Mutianyu, um pouco mais distantes de Pequim, costumam ser opções mais tranquilas para quem prioriza uma experiência menos concorrida. Vale levar água e protetor solar, já que boa parte do trajeto não tem sombra e envolve subidas íngremes por escadas de pedra.

Onde fica

  • Muralha da China (Badaling) Histórico
    Badaling, Pequim, China

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📍 Petra

Petra: a cidade cor-de-rosa que os nabateus esculpiram na rocha do deserto

Fachada de Al-Khazneh, o Tesouro de Petra, esculpida na rocha arenítica cor-de-rosa

Foto: Wikimedia Commons

No sul da Jordânia, entre montanhas de arenito que mudam de tom conforme a luz do sol, existe uma cidade inteira esculpida diretamente na rocha. Petra foi erguida pelos nabateus, um povo árabe nômade que se fixou na região por volta do século 6 a.C. e transformou o local em capital de um reino próspero. Fundada por volta de 312 a.C., a cidade cresceu graças à sua posição estratégica: ali cruzavam as rotas de caravanas que levavam incenso, especiarias e seda entre a Arábia, o Egito e a Síria. Hoje Petra é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das paradas mais procuradas do Oriente Médio, mas por séculos ela simplesmente desapareceu dos mapas ocidentais.

Uma cidade de mercadores no meio do deserto

Os nabateus não eram apenas comerciantes: eram também engenheiros hábeis em captar e armazenar água, o que permitiu que uma cidade de dezenas de milhares de habitantes prosperasse em pleno deserto. Represas, canais e cisternas escavados na rocha abasteciam Petra mesmo nas estações mais secas. O acesso à cidade se dá por um desfiladeiro estreito chamado Siq, uma fenda natural de mais de um quilômetro entre paredões que chegam a 80 metros de altura. É ao final desse corredor apertado que o visitante se depara de repente com Al-Khazneh, o Tesouro — a fachada mais famosa de Petra, com cerca de 40 metros de altura, esculpida diretamente na pedra arenítica rosada que dá à cidade seu apelido. Apesar do nome, o Tesouro nunca guardou riquezas: acredita-se que tenha sido construído no século 1 a.C. como mausoléu de um rei nabateu.

O Tesouro de Petra visto pela fenda estreita do Siq, o corredor de acesso à cidade

A primeira visão do Tesouro ao final do desfiladeiro do Siq

Roma chega, e a cidade começa a esvaziar

O reino nabateu manteve sua independência por séculos, negociando e às vezes enfrentando o Império Romano, até ser anexado pelos romanos em 106 d.C. e transformado na província da Arábia Pétrea. Com o tempo, as rotas comerciais marítimas passaram a competir com as caravanas terrestres, e Petra foi perdendo importância econômica. Um terremoto no século 4 e outro no século 8 danificaram estruturas da cidade, e aos poucos a população foi diminuindo até restarem apenas grupos beduínos que conheciam o local, mas mantinham sua localização em segredo dos viajantes europeus.

Redescoberta em 1812 e reconhecimento mundial

Foi só em 22 de agosto de 1812 que o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt voltou a apresentar Petra ao Ocidente. Disfarçado de viajante muçulmano e falando árabe fluentemente, ele convenceu um guia local a levá-lo até as ruínas sob o pretexto de fazer um sacrifício em um santuário próximo. O relato de Burckhardt despertou o interesse de arqueólogos e viajantes europeus, e ao longo do século 20 escavações revelaram templos, tumbas, um teatro romano esculpido na rocha para quase 4 mil espectadores e a monumental Ad-Deir, o Monastério — uma fachada ainda maior que a do Tesouro, com 45 metros de altura, situada no alto de uma trilha íngreme nas montanhas que cercam a cidade.

Fachada de Ad-Deir, o Monastério de Petra, no alto das montanhas da cidade

Ad-Deir, o Monastério, no alto das montanhas de Petra

Em 1985, a UNESCO declarou Petra Patrimônio Mundial da Humanidade, descrevendo-a como "um dos bens culturais mais preciosos do patrimônio da humanidade". Em 2007, a cidade foi eleita uma das novas Sete Maravilhas do Mundo em uma votação popular internacional. Hoje, arqueólogos estimam que apenas uma pequena fração de Petra foi escavada — a maior parte da antiga cidade nabateia ainda permanece soterrada sob a areia do deserto jordaniano, à espera de ser revelada.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Nomeada pelos Gregos, Petra é uma cidade de cair o queixo, pois foi inteiramente esculpida na pedra de cima para baixo.

Onde fica

  • Petra (Al-Khazneh e Ad-Deir) Histórico
    30°19'44" N, 35°26'41" E

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