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📍 Pompeia

Anfiteatro de Pompeia: a arena que já enchia as arquibancadas 150 anos antes do Coliseu

Vista externa do Anfiteatro de Pompeia ao entardecer, com o Monte Vesúvio ao fundo

Foto: Wikimedia Commons

Cento e cinquenta anos antes de Roma inaugurar o Coliseu, Pompeia já tinha sua própria arena de pedra para gladiadores. Construído por volta de 70 a.C. graças às doações de dois magistrados locais, Caio Quíncio Valgo e Marco Pórcio, o Anfiteatro de Pompeia é hoje reconhecido como o mais antigo anfiteatro romano de alvenaria que ainda existe de pé — e sobreviveu a uma catástrofe que apagou a cidade inteira do mapa por quase 1.700 anos.

Uma arena erguida com a própria terra que escavou

O anfiteatro fica encostado no canto sudeste das muralhas de Pompeia, numa área que até então era pouco ocupada. Os construtores aproveitaram essa posição de forma inteligente: em vez de erguer uma estrutura elevada em arcos como seria feito depois em Roma, escavaram o chão para formar a arena central e usaram a terra retirada para levantar os taludes da cavea, a arquibancada. O resultado é uma construção elíptica que, apoiada parcialmente nas muralhas da cidade, dispensava boa parte da engenharia complexa que marcaria anfiteatros posteriores.

Com capacidade estimada em cerca de 20 mil espectadores, a arena comportava mais gente do que a população da própria Pompeia — sinal de que o local também recebia público das cidades vizinhas da região da Campânia para assistir a combates de gladiadores e caçadas de animais (as chamadas venationes).

Vista interna da arena do Anfiteatro de Pompeia, com as arquibancadas de pedra ao redor

O interior da arena, com a cavea que hoje ainda recebe visitantes

A briga de torcida que parou os jogos por dez anos

Nem tudo nessa arena foi disputa esportiva pacífica. No ano 59 d.C., durante um combate de gladiadores, uma rixa antiga entre moradores de Pompeia e da vizinha Nuceria degenerou em confronto generalizado dentro do próprio anfiteatro. O historiador romano Tácito registrou o episódio em seus Anais: o que começou com xingamentos entre as torcidas terminou em pedradas, armas e mortos dos dois lados. O caso chegou ao Senado romano, e a punição foi dura — Pompeia ficou proibida de realizar espetáculos de gladiadores por uma década, associações consideradas ilegais foram dissolvidas e o senador Lívinio Régulo, apontado como organizador dos jogos, acabou exilado junto com outros responsabilizados pelo tumulto.

Soterrado pelo Vesúvio, redescoberto séculos depois

Vinte anos após a briga registrada por Tácito, em 79 d.C., o Monte Vesúvio entrou em erupção e sepultou Pompeia sob camadas de cinzas e piroclastos que chegaram a ser lançadas a mais de 30 quilômetros de altura. A cidade, com uma população estimada entre 11 mil e 20 mil habitantes, foi soterrada quase por completo — e assim permaneceu, esquecida, até que o arquiteto Domenico Fontana esbarrou acidentalmente nas ruínas no fim do século XVI. As escavações sistemáticas só começariam em 1748, sob patrocínio dos reis de Nápoles.

Foi apenas em 1863 que o arqueólogo Giuseppe Fiorelli, então à frente das escavações, teve um insight que mudaria a forma como o mundo entenderia a tragédia: ao notar cavidades vazias nas camadas endurecidas de cinza, ele percebeu que eram o espaço deixado pelos corpos das vítimas, já decompostos. Fiorelli passou a injetar gesso líquido nesses vazios, recriando com precisão as posturas finais — e até expressões — dos moradores surpreendidos pela erupção. Muitos desses moldes continuam expostos no próprio sítio arqueológico até hoje.

Molde de gesso de uma vítima da erupção do Vesúvio, técnica desenvolvida por Giuseppe Fiorelli

Um dos moldes de gesso criados a partir da técnica de Fiorelli

Em 1997, o conjunto arqueológico de Pompeia, Herculano e Torre Annunziata entrou para a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, e o parque arqueológico voltou a atrair multidões: mais de 4 milhões de visitantes passaram pelo sítio em 2024, muitos deles parando justamente diante da arena que, quase 2.100 anos atrás, já enchia as arquibancadas antes mesmo de existir o Coliseu.

  • 70 a.C.: construção do anfiteatro, cerca de 150 anos antes do Coliseu de Roma
  • 59 d.C.: motim entre torcidas de Pompeia e Nuceria, registrado por Tácito
  • 79 d.C.: erupção do Vesúvio soterra a cidade
  • 1748: início das escavações sistemáticas
  • 1863: Giuseppe Fiorelli desenvolve a técnica dos moldes de gesso
  • 1997: Pompeia é declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO

Onde fica

  • Anfiteatro de Pompeia Histórico
    Anfiteatro di Pompei, Pompei, Itália

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Café Slavia: a mesa reservada que Václav Havel salvou

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De frente para o Teatro Nacional e o rio Vltava, o Café Slavia funciona desde 30 de agosto de 1884, quando reabriu sob o nome atual num espaço que já operava como café dois anos antes. Ao longo do século XX, virou o ponto de encontro fixo de escritores, poetas e dramaturgos de Praga — entre os frequentadores registrados estão Franz Kafka e Rainer Maria Rilke.

O cliente mais famoso do Slavia, porém, foi o dramaturgo — e futuro presidente da Tchecoslováquia e da República Tcheca — Václav Havel, que tinha uma mesa reservada no canto do salão, com vista para o prédio onde morava. Quando o café fechou as portas em 1993, já como presidente, Havel interveio pessoalmente para reabri-lo, o que aconteceu em 1997.

O salão, de linhas art déco dentro do Palácio Lažanský — que também abriga a célebre escola de cinema FAMU —, preserva a decoração da época e a vista privilegiada para a Ponte da Legião e o Castelo de Praga ao longe.

Fachada do Café Slavia, em Praga, no Palácio Lažanský

Foto: Foto: DIMSFIKAS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Onde fica

  • Café Slavia Cafeteria
    Smetanovo nábřeží 1012/2, 110 00 Praha 1, República Tcheca
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Tour d'Argent: o restaurante parisiense famoso pelo pato numerado desde 1890

Fachada do Tour d'Argent, vista do Rio Sena, em Paris

Foto: Tangopaso / Wikimedia Commons (Public domain)

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Às margens do Rio Sena, com vista privilegiada para a Catedral de Notre-Dame, o Tour d'Argent é um dos restaurantes mais tradicionais de Paris, com uma história que a casa remonta a uma estalagem do século XVI, embora o restaurante como se conhece hoje tenha se consolidado ao longo do século XIX. Ao longo de sua história, recebeu chefes de estado, membros de realeza e escritores, tornando-se um dos endereços mais associados ao imaginário da alta gastronomia francesa.

O pato numerado

Desde 1890, o Tour d'Argent ficou conhecido por sua especialidade, o canard au sang (pato ao sangue), servido com um cartão numerado que registra a contagem sequencial de cada pato preparado na casa desde aquele ano — um sistema de numeração que já passou de um milhão de unidades e se tornou uma tradição símbolo do restaurante, com clientes ilustres recebendo cartões-lembrança de sua refeição.

Um método próprio de preparo

O prato é preparado com um dispositivo de prensagem próprio, criado especialmente para extrair o suco da carcaça do pato e finalizar o molho servido à mesa, técnica que se tornou marca registrada da casa e é executada tradicionalmente diante do próprio cliente, no salão do restaurante.

Entrada do restaurante Tour d'Argent em Paris

A entrada discreta do Tour d'Argent, às margens do Sena.

Hóspedes ilustres

Ao longo de sua história, o restaurante recebeu nomes como Ernest Hemingway, membros de famílias reais europeias e diversos chefes de estado, consolidando sua reputação como um dos endereços gastronômicos mais prestigiados da capital francesa. A vista do salão principal para Notre-Dame, do outro lado do Sena, é considerada um dos grandes atrativos da experiência, especialmente à noite, quando a catedral é iluminada.

Vista externa do Tour d'Argent, em Paris

O restaurante fica no Quai de la Tournelle, às margens do Sena.

Dicas para a visita

O Tour d'Argent exige reserva com bastante antecedência e traje social, condizente com o padrão da casa, e costuma ser mais concorrido nos horários de jantar, quando a vista noturna para Notre-Dame fica ainda mais valorizada. Para quem busca uma experiência mais acessível sem abrir mão do endereço, a casa também mantém uma boutique de produtos gastronômicos no térreo do prédio.

Onde fica

  • Tour d'Argent Restaurante
    15-17 Quai de la Tournelle, Paris, França

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Museu Frida Kahlo: a Casa Azul onde a artista nasceu e viveu, em Coyoacán

A Casa Azul foi onde Frida Kahlo nasceu, viveu boa parte da vida ao lado de Diego Rivera e morreu em 1954. Desde 1958 funciona como museu, com os móveis, roupas e objetos pessoais da artista preservados.

O jardim interno e as cores fortes da fachada tornaram o lugar um dos museus mais visitados da América Latina. Vale reservar o ingresso com antecedência.

Fachada azul do Museu Frida Kahlo (Casa Azul) em Coyoacán, com visitantes na entrada

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Museo Frida Kahlo (Casa Azul) Ponto Turístico
    Londres 247, Del Carmen, Coyoacán, Cidade do México, México
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