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Café Slavia: a mesa reservada que Václav Havel salvou

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De frente para o Teatro Nacional e o rio Vltava, o Café Slavia funciona desde 30 de agosto de 1884, quando reabriu sob o nome atual num espaço que já operava como café dois anos antes. Ao longo do século XX, virou o ponto de encontro fixo de escritores, poetas e dramaturgos de Praga — entre os frequentadores registrados estão Franz Kafka e Rainer Maria Rilke.

O cliente mais famoso do Slavia, porém, foi o dramaturgo — e futuro presidente da Tchecoslováquia e da República Tcheca — Václav Havel, que tinha uma mesa reservada no canto do salão, com vista para o prédio onde morava. Quando o café fechou as portas em 1993, já como presidente, Havel interveio pessoalmente para reabri-lo, o que aconteceu em 1997.

O salão, de linhas art déco dentro do Palácio Lažanský — que também abriga a célebre escola de cinema FAMU —, preserva a decoração da época e a vista privilegiada para a Ponte da Legião e o Castelo de Praga ao longe.

Fachada do Café Slavia, em Praga, no Palácio Lažanský

Foto: Foto: DIMSFIKAS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Onde fica

  • Café Slavia Cafeteria
    Smetanovo nábřeží 1012/2, 110 00 Praha 1, República Tcheca
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Ponte Carlos: a travessia gótica que virou símbolo de Praga

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Trinta estátuas de santos, a maioria em estilo barroco, acompanham quem atravessa a pé os 516 metros da Ponte Carlos sobre o rio Vltava. É a mais antiga ponte de pedra de Praga ainda de pé, erguida entre 1357 e 1402 por ordem do imperador Carlos IV para substituir a antiga Ponte Judith, danificada por uma enchente.

O projeto ficou a cargo do arquiteto Petr Parler — o mesmo responsável por boa parte da Catedral de São Vito, dentro do Castelo de Praga. Segundo a tradição, os astrólogos da corte escolheram a data e a hora exatas do início da obra, 9 de julho de 1357 às 5h31, por formar um palíndromo numérico (1-3-5-7-9-7-5-3-1) que Carlos IV, apaixonado por numerologia, acreditava dar força estrutural à construção.

As estátuas começaram a ser instaladas só a partir do fim do século XVII, quando guildas de artesãos de Praga passaram a financiar esculturas de seus santos padroeiros para exibição pública na ponte. A partir de 1965, a cidade começou a substituir gradualmente os originais por réplicas, preservando as peças autênticas no Museu Nacional.

Fechada para carros desde 1978, a ponte liga o Bairro Pequeno (Malá Strana), aos pés do castelo, ao centro histórico da Cidade Velha — hoje tomada por artistas de rua e vendedores, mas ainda o principal caminho a pé entre as duas margens do Vltava.

Ponte Carlos sobre o rio Vltava, em Praga

Foto: Foto: Peter K Burian / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Ponte Carlos (Karlův most) Ponto Turístico
    Karlův most, 110 00 Praha 1, República Tcheca
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Le Train Bleu: o restaurante Belle Époque escondido dentro de uma estação de trem em Paris

Salão decorado do restaurante Le Train Bleu, em Paris

Foto: Mbzt / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

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É comum pensar em estações de trem como espaços puramente funcionais, mas a Gare de Lyon, em Paris, guarda uma exceção notável dentro de suas próprias paredes. No andar superior da estação funciona o Le Train Bleu, um restaurante monumental inaugurado em 1901 para a Exposição Universal de Paris, com tetos pintados, dourados e mais de quarenta afrescos que fazem dele um dos interiores Belle Époque mais bem preservados da cidade.

Construído para uma exposição universal

Originalmente batizado de "Buffet de la Gare de Lyon", o restaurante foi encomendado pela companhia ferroviária PLM (Paris-Lyon-Méditerranée) para impressionar visitantes da Exposição Universal de 1900, que trouxe à cidade inovações como a primeira linha do metrô parisiense. O nome atual, Le Train Bleu, é uma homenagem ao lendário trem de luxo que ligava Paris à Riviera Francesa, símbolo de elegância e viagens de luxo no início do século XX.

Quarenta e um afrescos e nomes de destinos

Os afrescos que cobrem o teto e as paredes do salão principal retratam cidades atendidas pelas antigas linhas da PLM — de Marselha a Nice — pintados por artistas premiados da época, contratados especialmente para o projeto. Essa combinação de escala monumental e riqueza artística levou o governo francês a tombar o interior do restaurante como monumento histórico em 1972, um reconhecimento raro para um espaço comercial em funcionamento.

Afrescos no teto do restaurante Le Train Bleu

Os afrescos do teto retratam destinos atendidos pela antiga companhia ferroviária PLM.

Cenário de cinema

A grandiosidade do salão chamou a atenção de cineastas ao longo das décadas: o restaurante aparece em filmes como "Mr. Bean's Holiday" e "Nikita", de Luc Besson, além de ter recebido nomes como Coco Chanel, Salvador Dalí e Jean Cocteau entre seus frequentadores históricos.

Interior ornamentado do Le Train Bleu

O tombamento do interior como monumento histórico ocorreu em 1972.

Dicas para a visita

Como fica dentro da própria Gare de Lyon, é possível conhecer o restaurante mesmo sem embarcar em nenhum trem — vale reservar uma mesa com antecedência, já que o salão é procurado tanto por viajantes quanto por parisienses e turistas que vão especificamente para ver a decoração. Chegar com um pouco de antecedência para apreciar os detalhes do teto antes da refeição é uma boa estratégia.

Onde fica

  • Le Train Bleu Restaurante
    Gare de Lyon, Place Louis-Armand, Paris, França

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Stonehenge: o círculo de pedra que levou 1.500 anos para ficar pronto

Vista do círculo de pedras de Stonehenge na planície de Salisbury, na Inglaterra

Foto: Wikimedia Commons

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Nenhuma pedra de Stonehenge nasceu ali. É esse o primeiro fato que costuma surpreender quem visita a planície de Salisbury, no sul da Inglaterra: o monumento mais famoso da pré-história europeia é feito de rochas trazidas de dezenas, às vezes centenas de quilômetros de distância, por pessoas que não tinham rodas, cavalos domesticados nem ferramentas de metal.

Um canteiro de obras que durou 1.500 anos

A construção não foi um projeto único, mas uma sequência de fases que se estendeu de cerca de 3000 a.C. até aproximadamente 1500 a.C. A primeira etapa, por volta de 3000 a.C., não envolveu pedra nenhuma: os construtores neolíticos cavaram um fosso circular e um banco de terra, e dentro desse círculo abriram 56 buracos hoje chamados de Aubrey Holes, em homenagem ao anticuário John Aubrey, que os identificou no século XVII.

As primeiras pedras só chegaram séculos depois. As chamadas bluestones (pedras azuis), com até 4 toneladas cada, vieram das colinas de Preseli, no País de Gales — uma viagem de mais de 240 km que, até hoje, os arqueólogos não sabem explicar por completo: teria sido por terra, por mar, arrastadas em trenós de madeira, ou uma combinação dos três? Só por volta de 2500 a.C. chegaram as sarsen, pedras muito maiores, algumas com mais de 25 toneladas, trazidas de Marlborough Downs, cerca de 32 km ao norte. Foram elas que formaram os trilitos — pares de pedras verticais encimadas por uma pedra horizontal — incluindo o famoso arranjo em ferradura no centro do monumento.

A Heel Stone, marco solitário fora do círculo principal de Stonehenge

A Heel Stone, fora do círculo, marca o ponto onde o sol nasce no solstício de verão.

Para que serve um círculo de pedra?

Ninguém sabe ao certo — e é exatamente essa incerteza que sustenta boa parte do fascínio em torno de Stonehenge. A hipótese mais aceita hoje combina várias funções: um calendário astronômico, um cemitério e um santuário para cerimônias ligadas aos ciclos solares. O alinhamento é o dado mais concreto que existe. No solstício de verão, o sol nasce quase exatamente sobre a Heel Stone, a pedra solitária posicionada fora do círculo principal, e sua luz atravessa o eixo do monumento até o centro. No solstício de inverno, o efeito se inverte, com o pôr do sol alinhado pelo mesmo eixo.

Escavações revelaram cremações humanas enterradas nos Aubrey Holes e ao redor do sítio, datadas de diferentes séculos ao longo de centenas de anos — o que sugere que o local funcionou como necrópole por muito tempo antes, durante e depois da construção dos círculos de pedra. Não era, portanto, um monumento erguido de uma só vez para um único propósito, mas um lugar que foi ganhando significados sucessivos ao longo de sessenta gerações.

De propriedade particular a patrimônio da humanidade

Em 21 de setembro de 1915, Stonehenge foi vendido em leilão no Palace Theatre, em Salisbury — na época, a terra ainda pertencia a uma propriedade rural privada. O comprador foi Cecil Chubb, um advogado local, que pagou 6.600 libras pelo monumento. A lenda popular diz que ele comprou como presente para a esposa; o próprio Chubb, mais tarde, afirmou que quis apenas evitar que as pedras fossem parar nas mãos de compradores estrangeiros. Três anos depois, em 1918, ele doou Stonehenge ao povo britânico, e o primeiro-ministro David Lloyd George o tornou baronete em reconhecimento ao gesto. Em 1986, a UNESCO reconheceu Stonehenge e o sítio arqueológico vizinho de Avebury como Patrimônio Mundial, citando a concentração excepcional de monumentos neolíticos e da Idade do Bronze na região.

  • As bluestones pesam até 4 toneladas e vieram de mais de 240 km de distância.
  • As sarsen, algumas com mais de 25 toneladas, vieram de Marlborough Downs, a 32 km.
  • O monumento foi construído e modificado ao longo de cerca de 1.500 anos.
  • Foi vendido em leilão em 1915 por 6.600 libras — hoje pertence ao público britânico.
Detalhe dos trilitos de pedra sarsen em Stonehenge

Os trilitos de pedra sarsen, erguidos por volta de 2500 a.C., formam o núcleo do monumento.

Talvez o dado mais revelador sobre Stonehenge não esteja nas pedras, mas no tempo: uma comunidade sem escrita, sem metal e sem roda manteve um projeto de engenharia coletiva vivo por gerações inteiras, transmitindo de pai para filho o conhecimento necessário para arrastar blocos de 25 toneladas por dezenas de quilômetros. As pedras seguem de pé há mais de quatro mil anos — o propósito exato talvez nunca seja resolvido, mas o esforço humano por trás delas fala por si.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Stonehenge — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Quem as ergueu e arrumou, homens ou aliens? [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Stonehenge Histórico
    Stonehenge, Amesbury, Reino Unido

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