Tem Café Aí Tem Café Aí Guia de destinos, sabores e histórias
Bandeira de Bélgica Bélgica
📍 Bruges
📍 Dica rápida

Beguinário de Bruges: o convento fundado por mulheres que não quiseram ser freiras

Kit de Jardinagem 6 Peças (Pá, Garfo, Ancinho, Tesoura de Poda, Luva e Pulverizador)
📦 Recomendação RadarCompraKit de Jardinagem 6 Peças (Pá, Garfo, Ancinho, Tesoura de Poda, Luva e Pulverizador)R$ 109,06Ver no RadarCompra →

Passa-se por uma ponte, atravessa-se um portão e o ruído de Bruges simplesmente acaba. Do outro lado há um gramado cercado de choupos e um anel de casas caiadas de branco. É o Prinselijk Begijnhof Ten Wijngaerde, o único beguinário preservado da cidade.

As beguinas foram uma solução medieval para um impasse: mulheres que queriam dedicar a vida à religião sem entrar para uma ordem monástica, sem votos perpétuos e sem se retirar do mundo. Elas trabalhavam, mantinham bens, podiam sair — e viviam juntas em comunidades muradas, projetadas para dar conta tanto da vida espiritual quanto da material. No século XIII, esse arranjo se espalhou por Flandres.

O de Bruges foi fundado por volta de 1244 por Margarida de Constantinopla, condessa de Flandres, depois de obter autorização de Walter van Marvis, bispo de Tournai, para transferir a comunidade até o Wijngaard. Em 1245 foi reconhecido como paróquia independente. Em 1299 passou à autoridade direta do rei Filipe, o Belo, da França — daí o título de beguinário "principesco" que carrega no nome.

Não há mais beguinas em Bruges. Desde 1927 o conjunto funciona como convento de beneditinas, iniciativa do cônego Hoornaert; no mesmo ano, as casas do lado oeste foram reformadas e ampliadas para formar o Monasterium De Wijngaard, um priorado beneditino. Ou seja: o lugar continua sendo o que sempre foi — um sítio habitado por uma comunidade religiosa de mulheres —, apenas sob outra regra.

O beguinário de Bruges integra o conjunto dos Beguinários Flamengos, treze sítios inscritos como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1998. Quem visitar deve levar a sério os pedidos de silêncio afixados no portão: é a casa de alguém, não um parque.

Pátio central do beguinário Ten Wijngaerde, em Bruges

Foto: Marc Ryckaert / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Prinselijk Begijnhof Ten Wijngaerde Ponto Turístico
    Begijnhof 30, 8000 Brugge, Bélgica
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Continue explorando Bruges


Continue lendo

Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
Bandeira de Nova York Nova York
📍 Dica rápida

The Dead Rabbit: coquetelaria premiada no Financial District

Kit Coqueteleira Profissional (10 peças)
📦 Recomendação RadarCompraKit Coqueteleira Profissional (10 peças)R$ 137,75Ver no RadarCompra →

O The Dead Rabbit é um dos bares mais premiados do mundo, com coquetéis autorais e ambiente que remete aos pubs irlandeses antigos de Nova York.

Interior do bar The Dead Rabbit em Nova York

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • The Dead Rabbit Bar
    The Dead Rabbit, 30 Water Street, Nova York, Estados Unidos
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Brasil Brasil
Bandeira de Amazonas Amazonas
📍 Dica rápida

Biatüwi: a primeira casa de comida indígena do Brasil, no Centro Histórico de Manaus

Molho de Tucupi com Jambu Amazon Flavors (1L)
📦 Recomendação RadarCompraMolho de Tucupi com Jambu Amazon Flavors (1L)R$ 28,50Ver no RadarCompra →

O Biatüwi foi a primeira casa de comida indígena a abrir no Brasil, unindo ingredientes e saberes das etnias Tukano, do Alto Rio Negro, e Sateré-Mawé, do Baixo Amazonas. O cardápio muda com a temporada e traz peixes como o pirarucu preparados com técnicas ancestrais.

Funciona de quarta a sábado, no horário de almoço, dentro de um casarão do Centro Histórico — reserve com antecedência, os lugares são concorridos.

Fachada do restaurante Biatüwi, casa de comida indígena em Manaus

Foto: Ajmcbarreto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Biatüwi Casa de Comida Indígena Restaurante
    Rua Bernardo Ramos, 97, Centro, Manaus, AM
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Brasil Brasil
📍 Brasília

Catedral Metropolitana de Brasília: as 16 colunas de Niemeyer que formam uma coroa de espinhos

Vista externa da Catedral Metropolitana de Brasília com suas colunas hiperboloides na Esplanada dos Ministérios

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0)

Suncatcher Vitral Decorativo Sol e Lua (18cm)
📦 Recomendação RadarCompraSuncatcher Vitral Decorativo Sol e Lua (18cm)R$ 26,18Ver no RadarCompra →

De longe, antes mesmo de qualquer porta ou fachada, o que se vê é uma coroa. Dezesseis colunas de concreto branco se curvam para cima e se afinam na ponta, como se alguém tivesse cravado espinhos gigantes na Esplanada dos Ministérios. Não há torre, não há nave visível, não há o desenho que qualquer brasileiro reconheceria como "igreja" — e é exatamente por isso que a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida se tornou, para muita gente, o símbolo mais forte de Brasília.

Uma estrutura pensada de baixo para cima

O projeto é de Oscar Niemeyer, mas a obra só existe de pé graças ao engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelo cálculo estrutural que tornou possível erguer pilares de seção parabólica em formato hiperboloide — uma curva que, até então, quase nenhuma construção no mundo tinha ousado em escala tão grande. A pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958, ainda nos primeiros meses de construção da nova capital. Em 1960, quando Brasília foi inaugurada, a estrutura das dezesseis colunas — cada uma pesando 90 toneladas — já estava de pé, formando uma área circular de 70 metros de diâmetro, mas sem vidro, sem acabamento, praticamente um esqueleto exposto ao céu do Planalto Central.

A catedral só ficaria pronta dez anos depois. A inauguração oficial aconteceu em 31 de maio de 1970, já com os painéis de vidro colocados entre as colunas — translúcidos o bastante para deixar a luz entrar e transformar o interior num só ambiente aberto, sem paredes internas dividindo o espaço.

Detalhe das colunas de concreto curvo da Catedral Metropolitana de Brasília

As dezesseis colunas hiperboloides, de 90 toneladas cada, sustentam toda a estrutura sem paredes internas.

A passagem pelo túnel escuro

Poucas igrejas no mundo pensam a chegada do visitante como um percurso dramático, mas a Catedral de Brasília faz exatamente isso. Não se entra pela frente: o acesso à nave é feito por uma rampa que desce ao subsolo, atravessando um túnel escuro e baixo. É só depois desse trecho de penumbra que o espaço se abre repentinamente para cima, inundado pela luz colorida dos vitrais assinados pela artista franco-brasileira Marianne Peretti — um contraste que Niemeyer projetou de propósito, quase como uma travessia entre a terra e o céu. Na entrada, quatro esculturas de bronze representando os Evangelistas, também de autoria de Alfredo Ceschiatti, recebem quem chega.

Os três anjos suspensos

Dentro da nave, presos por cabos de aço quase invisíveis, pairam os anjos mais fotografados do Brasil. São três esculturas de fibra de vidro criadas por Alfredo Ceschiatti, cada uma representando um arcanjo:

  • São Miguel — a maior, com 4,45 metros e cerca de 300 quilos
  • São Gabriel — intermediária, com 3,40 metros e 200 quilos
  • São Rafael — a menor, com 2,20 metros e 100 quilos

Vistos de baixo, contra o fundo azul e amarelo dos vitrais de Marianne Peretti, os anjos parecem flutuar sem apoio algum — efeito que se tornou uma das imagens mais reproduzidas da arquitetura brasileira do século 20.

Os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti no interior da Catedral de Brasília

Os três anjos de fibra de vidro, suspensos por cabos de aço, representam os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Niemeyer nunca escondeu que a forma da catedral admite mais de uma leitura: para uns, as colunas erguidas lembram mãos postas em oração; para outros, é a coroa de espinhos de Cristo desenhada em concreto contra o céu do Planalto. O próprio arquiteto preferia deixar a ambiguidade em aberto — prova de que, mais de meio século depois de pronta, a catedral continua sendo menos uma resposta e mais uma pergunta em forma de arquitetura.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Catedral Metropolitana de Brasília — Wikipédia

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vá pela experiência sensorial proporcionada pelo teto de vidro.

Onde fica

  • Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida Ponto Turístico
    Catedral Metropolitana de Brasília, Esplanada dos Ministérios, Brasília, Distrito Federal

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Carregando mais destinos…