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Petra: a cidade cor-de-rosa que os nabateus esculpiram na rocha do deserto

Fachada de Al-Khazneh, o Tesouro de Petra, esculpida na rocha arenítica cor-de-rosa

Foto: Wikimedia Commons

No sul da Jordânia, entre montanhas de arenito que mudam de tom conforme a luz do sol, existe uma cidade inteira esculpida diretamente na rocha. Petra foi erguida pelos nabateus, um povo árabe nômade que se fixou na região por volta do século 6 a.C. e transformou o local em capital de um reino próspero. Fundada por volta de 312 a.C., a cidade cresceu graças à sua posição estratégica: ali cruzavam as rotas de caravanas que levavam incenso, especiarias e seda entre a Arábia, o Egito e a Síria. Hoje Petra é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das paradas mais procuradas do Oriente Médio, mas por séculos ela simplesmente desapareceu dos mapas ocidentais.

Uma cidade de mercadores no meio do deserto

Os nabateus não eram apenas comerciantes: eram também engenheiros hábeis em captar e armazenar água, o que permitiu que uma cidade de dezenas de milhares de habitantes prosperasse em pleno deserto. Represas, canais e cisternas escavados na rocha abasteciam Petra mesmo nas estações mais secas. O acesso à cidade se dá por um desfiladeiro estreito chamado Siq, uma fenda natural de mais de um quilômetro entre paredões que chegam a 80 metros de altura. É ao final desse corredor apertado que o visitante se depara de repente com Al-Khazneh, o Tesouro — a fachada mais famosa de Petra, com cerca de 40 metros de altura, esculpida diretamente na pedra arenítica rosada que dá à cidade seu apelido. Apesar do nome, o Tesouro nunca guardou riquezas: acredita-se que tenha sido construído no século 1 a.C. como mausoléu de um rei nabateu.

O Tesouro de Petra visto pela fenda estreita do Siq, o corredor de acesso à cidade

A primeira visão do Tesouro ao final do desfiladeiro do Siq

Roma chega, e a cidade começa a esvaziar

O reino nabateu manteve sua independência por séculos, negociando e às vezes enfrentando o Império Romano, até ser anexado pelos romanos em 106 d.C. e transformado na província da Arábia Pétrea. Com o tempo, as rotas comerciais marítimas passaram a competir com as caravanas terrestres, e Petra foi perdendo importância econômica. Um terremoto no século 4 e outro no século 8 danificaram estruturas da cidade, e aos poucos a população foi diminuindo até restarem apenas grupos beduínos que conheciam o local, mas mantinham sua localização em segredo dos viajantes europeus.

Redescoberta em 1812 e reconhecimento mundial

Foi só em 22 de agosto de 1812 que o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt voltou a apresentar Petra ao Ocidente. Disfarçado de viajante muçulmano e falando árabe fluentemente, ele convenceu um guia local a levá-lo até as ruínas sob o pretexto de fazer um sacrifício em um santuário próximo. O relato de Burckhardt despertou o interesse de arqueólogos e viajantes europeus, e ao longo do século 20 escavações revelaram templos, tumbas, um teatro romano esculpido na rocha para quase 4 mil espectadores e a monumental Ad-Deir, o Monastério — uma fachada ainda maior que a do Tesouro, com 45 metros de altura, situada no alto de uma trilha íngreme nas montanhas que cercam a cidade.

Fachada de Ad-Deir, o Monastério de Petra, no alto das montanhas da cidade

Ad-Deir, o Monastério, no alto das montanhas de Petra

Em 1985, a UNESCO declarou Petra Patrimônio Mundial da Humanidade, descrevendo-a como "um dos bens culturais mais preciosos do patrimônio da humanidade". Em 2007, a cidade foi eleita uma das novas Sete Maravilhas do Mundo em uma votação popular internacional. Hoje, arqueólogos estimam que apenas uma pequena fração de Petra foi escavada — a maior parte da antiga cidade nabateia ainda permanece soterrada sob a areia do deserto jordaniano, à espera de ser revelada.