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Pelourinho: a praça que guarda (e expõe) a história afro-brasileira de Salvador

Casario colorido do Pelourinho, centro histórico de Salvador

Foto: Wikimedia Commons

No topo da Cidade Alta de Salvador, um conjunto de ladeiras íngremes e casarios coloridos do período colonial forma um dos centros históricos mais importantes do Brasil. O Pelourinho recebeu esse nome por ter sido, durante o Brasil colonial, o local onde ficava o pelourinho — poste de pedra usado para castigar publicamente pessoas escravizadas. Hoje, o mesmo espaço se tornou um dos principais símbolos da cultura afro-brasileira no país, um giro histórico carregado de significado.

Centro do comércio colonial

Fundada em 1549 como a primeira capital do Brasil colonial, Salvador teve no Pelourinho o coração administrativo, religioso e comercial da cidade durante séculos. A região concentrava igrejas barrocas, sobrados de comerciantes e, tragicamente, também foi um dos principais pontos de comércio de pessoas escravizadas trazidas da África — a Bahia recebeu, ao longo de mais de três séculos, o maior contingente de africanos escravizados de todo o Brasil.

Patrimônio Mundial da Unesco

Depois de décadas de abandono e degradação ao longo do século XX, o Pelourinho passou por um amplo processo de restauração a partir de 1992, recuperando fachadas, ladeiras e igrejas históricas. Em 1985, antes mesmo da restauração, o conjunto já havia sido reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, muito por conta do valor arquitetônico do maior conjunto de arquitetura colonial e barroca preservado nas Américas.

Ruas de pedra e casarios coloniais do Pelourinho

As ladeiras de pedra e os sobrados coloridos são marca registrada do bairro.

Cultura afro-brasileira em primeiro plano

Hoje o Pelourinho é também point de grupos como o Olodum, bloco afro fundado em 1979 que transformou o local em palco de ensaios e apresentações, e sede de instituições culturais dedicadas à história e à cultura negra, como a Fundação Casa de Jorge Amado e diversos museus afro-brasileiros. Capoeira, candomblé e música percussiva fazem parte do cotidiano das ruas, tornando o Pelourinho um espaço de celebração da cultura que, séculos atrás, sofreu ali sua página mais violenta.

Casario colonial colorido do centro histórico de Salvador

O bairro é hoje um dos centros culturais mais ativos de Salvador.

Dicas para a visita

As ladeiras de pedra são bonitas mas exigem atenção — calçados confortáveis ajudam bastante. Vale reservar uma tarde inteira para caminhar sem pressa, visitar igrejas como a de São Francisco (com interior coberto de ouro) e assistir, se coincidir com terça-feira à noite, à roda de música que costuma tomar conta das ruas do bairro.

Onde fica

  • Largo do Pelourinho Histórico
    Pelourinho, Salvador, Bahia