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Bandeira de Áustria Áustria
📍 Salzburgo

O que fazer em Salzburgo: 5 paradas escolhidas

Fachada do Café Tomaselli na praça Alter Markt, em Salzburgo

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um roteiro com 5 paradas em Salzburgo, Áustria: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Palácio e Jardins Mirabell (Schloss Mirabell)
  2. Mozarts Geburtshaus (Casa natal de Mozart)
  3. Café Tomaselli
  4. Café Konditorei Fürst
  5. Augustiner Bräu Kloster Mülln

O que visitar

1. Palácio e Jardins Mirabell (Schloss Mirabell)

Jardins Mirabell com a Fortaleza de Hohensalzburg ao fundo, em Salzburgo
Foto: Isiwal / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 1606, o príncipe-arcebispo Wolf Dietrich von Raitenau mandou construir um palácio fora das muralhas para Salome Alt, a mulher com quem viveu e teve 15 filhos — arranjo impossível de oficializar para um arcebispo. O palácio se chamava Altenau. O sucessor dele, Markus Sittikus von Hohenems, prendeu Wolf Dietrich e trocou o nome para Mirabell, junção do italiano "mirabile" e "bella". Entre 1721 e 1727, Johann Lukas von Hildebrandt o transformou num palácio barroco; o grande incêndio de 1818 levou boa parte disso, mas a escadaria com esculturas de mármore de Georg Raphael Donner sobreviveu.

O salão onde os Mozart tocaram

O Salão de Mármore é onde Leopold Mozart apresentava os filhos Wolfgang e Nannerl. Hoje é sala de concertos e de casamentos civis — a prefeitura o chama de "o mais bonito salão de casamentos do mundo", e ele é especialmente disputado por casais japoneses.

Anões, Pégaso e Noviça Rebelde

O jardim foi desenhado a partir de 1687 com projeto de Johann Bernhard Fischer von Erlach e aberto ao público pelo imperador Francisco José em 1854. A entrada é gratuita, todos os dias, do começo da manhã até o anoitecer. A Fonte do Pégaso, fundida por Caspar Gras em 1661, só chegou aqui em 1913 — e é em volta dela que Maria e as crianças dançam em A Noviça Rebelde, que teve várias cenas gravadas no jardim. Vale procurar o Zwergerlgarten, o jardim dos anões: 17 figuras de mármore do Untersberg, de 1690-91, apontadas como a coleção mais antiga do tipo na Europa, e o teatro de sebe de por volta de 1691, um dos teatros ao ar livre mais antigos do continente. Do jardim, a vista enquadra a Fortaleza de Hohensalzburg no alto do morro.

Endereço: Mirabellplatz 4, 5020 Salzburgo, Áustria

História

2. Mozarts Geburtshaus (Casa natal de Mozart)

Fachada amarela da casa onde Mozart nasceu, vista da Hagenauerplatz, em Salzburgo
Foto: Andrew Bossi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em 27 de janeiro de 1756 no terceiro andar deste prédio da Getreidegasse, na cidade velha. A família morava ali de aluguel desde 1747 — o senhorio era o comerciante Johann Lorenz Hagenauer. Leopold e Anna Maria tiveram sete filhos nesse apartamento; só dois sobreviveram, Nannerl e Wolfgang. Em 1773 os Mozart se mudaram para a Tanzmeisterhaus, na Makartplatz, do outro lado do rio Salzach.

O violino do menino

A Fundação Internacional Mozarteum abriu o museu no antigo apartamento em 15 de junho de 1880 e comprou o prédio inteiro em 1917. A peça que mais para gente é pequena: o violino de infância de Mozart, feito pelo luthier Andreas Ferdinand Mayr nos anos 1740. Ao lado ficam o clavicórdio dele — acompanhado de um atestado de Constanze listando obras que Mozart compôs nesse teclado, entre elas trechos de A Flauta Mágica —, um fortepiano atribuído a Anton Walter, de cerca de 1782, e o retrato inacabado pintado por Joseph Lange em 1789, cartas, documentos e primeiras edições das partituras.

Dica de visita

A fachada amarela com o letreiro "Mozarts Geburtshaus", a dos cartões-postais, fica virada para a Hagenauerplatz, nos fundos; a entrada é pela Getreidegasse. A casa para onde a família se mudou em 1773, na Makartplatz, também virou museu do Mozarteum.

Endereço: Getreidegasse 9, 5020 Salzburgo, Áustria · site oficial

Onde tomar café

3. Café Tomaselli

Fachada do Café Tomaselli na praça Alter Markt, em Salzburgo
Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A fachada diz 1703, mas a data está errada para menos. Em 2003, o historiador Gerhard Ammerer mostrou que a casa é ainda mais velha: em 31 de março de 1700, o francês Johann Fontaine recebeu licença para vender "chocolate, chá e café" em Salzburgo, primeiro na Goldgasse. É por isso que o Tomaselli se apresenta como o café mais antigo da Áustria.

De Staiger a Tomaselli

No século XVIII, o café passou para Anton Staiger, que comprou o prédio da Alter Markt em 1764. Foi nessa fase, quando ainda se chamava "Staiger", que Mozart o frequentou, e o compositor Michael Haydn fazia parte da roda da casa. Anos depois, de 1820 a 1826, Constanze, a viúva de Mozart, morou no próprio edifício. O nome atual chegou em 12 de março de 1852, quando o confeiteiro Carl Tomaselli, filho do tenor milanês Giuseppe Tomaselli, comprou o negócio. Em 1859 a família abriu o quiosque do outro lado da praça, que funciona até hoje. Segundo o próprio café, foi numa dessas mesas que Hermann Bahr, Hugo von Hofmannsthal e Max Reinhardt tiveram a ideia do Festival de Salzburgo; Herbert von Karajan virou cliente de temporada.

O bolo vem até você

O ritual que ninguém deixa de ver é o das "Kuchendamen": moças de avental branco que circulam entre as mesas com bandejas cheias de fatias de torta, e você escolhe com os olhos. O Tomaselli diz ser o último café de Salzburgo a manter o costume. São 310 lugares dentro e 430 fora, 300 deles no jardim do quiosque. Desde maio de 2026 a operação está com uma nova empresa, a GMS Gourmet, mas a família Tomaselli continua proprietária, e a promessa é manter tudo como está. Abre todos os dias, das 7h às 19h (domingo e feriado a partir das 8h).

Endereço: Alter Markt 9, 5020 Salzburgo, Áustria · site oficial

4. Café Konditorei Fürst

Mozartkugeln da Konditorei Fürst embrulhadas em papel prateado com o retrato de Mozart em azul
Foto: Panoramafotos.net / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)

Paul Fürst nasceu em 1856 em Sierning, no interior da Áustria, e passou onze anos aprendendo confeitaria fora de casa — Viena, Budapeste, Paris e Nice. Em 1884 abriu a própria loja na Brodgasse 13, num prédio que funcionava como padaria da corte desde 1391. Seis anos depois, em 1890, depois de muitas tentativas, apresentou o doce que chamou de "Mozart-Bonbon": uma bola de marzipã de pistache, envolta numa camada de nougat e mergulhada em chocolate amargo.

O palito que faz a bola

O segredo do formato está num palito de madeira: cada bola é espetada nele para ser banhada no chocolate, o que garante a esfera perfeita. O embrulho é o que se reconhece de longe: papel prateado com o retrato de Mozart em azul. Em 1905 o doce ganhou diploma de honra e medalha numa exposição internacional em Paris. Até 2024 a produção era toda manual, cerca de 2,75 milhões de unidades por ano; com a fábrica nova em Elsbethen, parte do trabalho passou para uma linha de produção. A receita segue a do caderno escrito à mão por Paul Fürst em 1915, e a casa está na quinta geração, comandada por Martin Fürst desde 2015.

Por que existe "Mozartkugel" em todo lugar

Fürst nunca patenteou a invenção, e "Mozartkugel" virou nome genérico — qualquer fabricante pode usar. O que ficou exclusivo, por decisão judicial de 1996, é a expressão "Original Salzburger Mozartkugel". Há até regra de formato: entre as industriais, só as da Mirabell podem ser totalmente redondas; as outras precisam ter um lado achatado.

Endereço: Brodgasse 13, 5020 Salzburgo, Áustria · site oficial

Onde beber

5. Augustiner Bräu Kloster Mülln

Prédio do mosteiro de Mülln, sede da cervejaria Augustiner Bräu, em Salzburgo
Foto: C.Stadler/Bwag / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os monges agostinianos chegaram de Munique a Mülln, no pé do Mönchsberg, em 1605, e em 1621 começaram a fazer cerveja. O mosteiro chegou a ser o segundo maior da ordem na região da Baviera e da Áustria. Os agostinianos saíram em 1818; em 1835 os beneditinos da abadia de Michaelbeuern assumiram, e a abadia ainda é dona de metade da cervejaria. O nome "Augustiner" ficou.

Pegue a caneca, lave, encha

O que faz a fama da casa é o jeito de servir. A cerveja sai de barris de madeira, por gravidade, sem gás empurrando, e vai para canecas de pedra (Steinkrüge). O cliente pega a caneca na prateleira, lava na fonte, paga no caixa e entrega ao homem do barril, que enche ali na frente. A comida segue o mesmo esquema: barracas no corredor, no estilo de mercado, cada uma com uma especialidade, e você monta a própria bandeja.

O tamanho da coisa

São mais de 5.000 metros quadrados de salões e 1.400 lugares no jardim. A casa se diz a maior cervejaria-restaurante da Áustria, e produz mais de 12 mil hectolitros por ano. Abre de segunda a sexta a partir das 15h e, nos fins de semana e feriados, a partir das 14h30, sempre até as 23h.

Endereço: Lindhofstraße 7, 5020 Salzburgo, Áustria · site oficial

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Café Tomaselli — foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Café Konditorei Fürst — foto: Panoramafotos.net / Wikimedia Commons (CC BY 2.5) · site oficial
  • Augustiner Bräu Kloster Mülln — foto: C.Stadler/Bwag / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Mozarts Geburtshaus (Casa natal de Mozart) — foto: Andrew Bossi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5) · site oficial
  • Palácio e Jardins Mirabell (Schloss Mirabell) — foto: Isiwal / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Interior decorado do bar Pavilhão Chinês em Lisboa

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Pavilhão Chinês Bar
    Rua Dom Pedro V, Lisboa, Portugal
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Escadaria Selarón: os 215 degraus coloridos entre Lapa e Santa Teresa

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Criada pelo artista chileno Jorge Selarón a partir de 1990, a escadaria liga os bairros da Lapa e Santa Teresa com 215 degraus cobertos por azulejos vindos de mais de 120 países. Está aberta 24 horas e é um dos símbolos mais fotografados do Rio.

Escadaria Selarón coberta de azulejos coloridos, entre Lapa e Santa Teresa

Foto: Rjcastillo / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um ponto bem instagramável

Onde fica

  • Escadaria Selarón Ponto Turístico
    Rua Manuel Carneiro, Santa Teresa, Rio de Janeiro, Brasil
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📍 Cracóvia

O que fazer em Cracóvia: 5 paradas escolhidas

Fachada e torres desiguais da Basílica de Santa Maria, em Cracóvia

Foto: Jar.ciurus / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)

Um roteiro com 5 paradas em Cracóvia, Polônia: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Basílica de Santa Maria (Kościół Mariacki)
  2. Fábrica de Esmaltados de Oskar Schindler (Museu de Cracóvia)
  3. Restauracja Wierzynek
  4. Jama Michalika
  5. Piwnica pod Baranami

O que visitar

1. Basílica de Santa Maria (Kościół Mariacki)

Fachada e torres desiguais da Basílica de Santa Maria, em Cracóvia
Foto: Jar.ciurus / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)

Fique na Praça Principal de Cracóvia esperando dar a hora cheia. Do alto da torre mais alta da Basílica de Santa Maria, uma janela se abre e um trompetista toca uma melodia curta. Você vai ouvi-la duas, três vezes — e nas quatro direções. E as quatro vezes vão terminar do mesmo jeito estranho: no meio de uma nota, sem resolução, como se alguém tivesse arrancado o instrumento da boca do músico.

É o hejnał mariacki, e ele acontece a cada hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A interrupção não é falha nem estilo: segundo a tradição, ela lembra um trompetista do século XIII que tocava o alarme para avisar a cidade de um ataque mongol e foi atingido na garganta por uma flecha antes de terminar. A cidade foi avisada. Ele, não terminou.

A basílica ao redor dessa cena tem outro tesouro, este perfeitamente documentado. No altar-mor está o retábulo esculpido em madeira por Veit Stoss — Wit Stwosz, para os poloneses —, entalhado entre 1477 e 1489. Stoss era alemão de nascimento, mas morou e trabalhou em Cracóvia por mais de vinte anos, e a obra que deixou é uma das peças-chave da escultura gótica europeia: figuras em tamanho quase natural, dobras de tecido que parecem pesar, rostos que não idealizam nada.

Repare também nas duas torres da fachada, de alturas visivelmente diferentes — a assimetria é uma das assinaturas visuais da cidade. Em 1978, a basílica entrou para o Patrimônio Mundial da UNESCO junto com todo o Centro Histórico de Cracóvia.

Vale programar a visita para chegar alguns minutos antes da hora cheia, na praça, e só depois entrar. O interior explica a arquitetura; a trombeta explica a cidade.

Endereço: plac Mariacki 5, 31-042 Cracóvia, Polônia

2. Fábrica de Esmaltados de Oskar Schindler (Museu de Cracóvia)

Prédio administrativo da antiga fábrica de Oskar Schindler, na rua Lipowa 4
Foto: Adrian Grycuk / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)

No bairro de Zabłocie, do outro lado do rio em relação ao centro turístico de Cracóvia, há um prédio administrativo discreto na rua Lipowa, número 4. Quem viu o filme de Steven Spielberg de 1993 reconhece a escadaria. Quem não viu encontra ali, de todo modo, o museu mais visitado da cidade depois de Wawel.

A fábrica foi inaugurada dois anos antes da Segunda Guerra. No outono de 1939, foi confiscada de seus três proprietários judeus e entregue a um alemão dos Sudetos chamado Oskar Schindler (1908–1974). Sob o nome de Deutsche Emailwarenfabrik — abreviada como Emalia —, a empresa produzia utensílios esmaltados civis, panelas e colheres, e também encomendas militares: marmitas e, mais tarde, cartuchos de munição. Deu bastante dinheiro a Schindler.

E deu também a estrutura que ele usaria para manter empregados judeus fora dos transportes — o episódio que fez de um empresário oportunista um "Justo entre as Nações". O museu não trata isso como conto de fadas: mostra Schindler junto das ambiguidades, do lucro e do contexto.

Aliás, uma expectativa a ajustar antes de comprar o ingresso: a exposição permanente não é sobre Schindler. Chama-se "Cracóvia sob a ocupação nazista, 1939–1945" e é, antes de tudo, a história da cidade e dos seus habitantes, poloneses e judeus, durante a guerra. A fábrica é a moldura; o assunto é Cracóvia inteira. O espaço é hoje uma filial do Museu de Cracóvia e também recebe exposições temporárias e sessões de cinema.

Compre o ingresso online com antecedência — a fila avulsa costuma ser longa — e reserve duas horas cheias. A montagem é imersiva, corredor a corredor, e não funciona bem apressada.

Endereço: Lipowa 4, 30-702 Kraków, Poland

Onde comer

3. Restauracja Wierzynek

Fachada do restaurante Wierzynek na Praça Principal de Cracóvia
Foto: Kgbo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Sobre a porta de um sobrado da Praça Principal de Cracóvia está gravada uma data: 1364. É o ano em que, segundo a tradição, o rico comerciante Mikołaj Wierzynek ofereceu ali um banquete em nome do rei Casimiro III, o Grande — a ocasião era o casamento de uma neta do rei com Carlos IV de Luxemburgo, e à mesa teriam se sentado, entre outros, o rei Luís da Hungria, Valdemar IV da Dinamarca e Pedro de Chipre.

É a festa mais famosa da história polonesa. E é justo dizer o que a maioria dos folhetos omite: a única fonte que a descreve é uma crônica de Jan Długosz, escrita cerca de um século depois do evento. O banquete pode muito bem ter acontecido; provado documentalmente, na acepção estrita, ele não está. Vale também não confundir as coisas — o restaurante atual não funciona ininterruptamente desde o século XIV. O que ele herdou foi o endereço, o nome e a história.

Se a lenda ganhou vida própria, boa parte do crédito é de Jan Matejko, que em 1877 pintou Uczta u Wierzynka, "O Banquete em Wierzynek", em óleo sobre painel — a imagem que fixou a cena na cabeça de gerações de poloneses.

A casa de hoje ocupa quatro andares, com capacidade para cerca de 200 pessoas distribuídas em oito salas de nomes próprios: os Salões Pompeianos italianos, a Sala Tatra, a Sala do Relógio, a Sala dos Cavaleiros, a Câmara da Imaginação. A cozinha é polonesa de tradição, com apresentação contemporânea.

Reserve com antecedência e peça uma sala específica ao reservar — a diferença entre os ambientes é grande, e é para isso que se vai a um lugar que decidiu vender 660 anos de história junto com o jantar.

Endereço: Rynek Główny 16, 31-008 Cracóvia, Polônia

Onde tomar café

4. Jama Michalika

Salão antigo do café Jama Michalika, em Cracóvia, com decoração Art Nouveau
Foto: Petrus78PL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 1895, um confeiteiro chamado Jan Apolinary Michalik abriu na rua Floriańska, em Cracóvia, um estabelecimento que registrou como Cukiernia Lwowska — a Confeitaria de Lviv. O nome oficial não pegou. O que pegou foi o apelido, porque no começo Michalik só tinha dinheiro para alugar uma única sala nos fundos, sem nenhuma janela. Os fregueses passaram a chamar aquilo de Jama Michalika: a Toca do Michalik. É assim que a casa se chama até hoje.

A localização era estratégica: a poucos passos ficava a Academia de Belas-Artes. Michalik teve então a ideia que definiria o lugar — convidou os estudantes a comer de graça, em troca de pequenos trabalhos deles. Os alunos pagavam a conta em desenhos, caricaturas, painéis. O café foi se cobrindo por dentro com o que os artistas deixavam, e o que era um arranjo de sobrevivência virou acervo.

Em 1905, o salão recebeu o cabaré Zielony Balonik — o Balão Verde —, que se apresentou regularmente ali até 1912 e esporadicamente até 1915. Foi um dos pontos altos do movimento Młoda Polska, a Jovem Polônia, e um dos raros espaços em que a boemia local pôde satirizar quase tudo à vontade.

O interior continua sendo o argumento principal. É Art Nouveau de verdade, com peças de artistas como Karol Frycz e Kazimierz Sichulski: espelhos ornamentados, vitrais, luminárias de época, marcenaria escura. Boa parte da atmosfera é a mesma do início dos anos 1900.

Vá pelo salão antigo, não pela parte da frente. E aceite que aqui o café custa o preço de um endereço histórico — o que você está comprando, além da bebida, é uma sala que nunca foi redecorada.

Endereço: ul. Floriańska 45, 31-019 Cracóvia, Polônia

Onde beber

5. Piwnica pod Baranami

Fachada do Palácio Pod Baranami, na Praça Principal de Cracóvia
Foto: Zygmunt Put / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No número 27 da Praça Principal de Cracóvia fica o Palácio Pod Baranami — "Sob os Carneiros". Quem passa vê uma fachada nobre e um portão. O que interessa está embaixo: os porões abobadados onde, em 1956, um jovem de 26 anos chamado Piotr Skrzynecki montou um clube estudantil que viraria a instituição mais insolente da Polônia comunista.

A Piwnica pod Baranami — literalmente "o Porão sob os Carneiros" — começou a funcionar em 26 de maio de 1956, e a primeira apresentação aconteceu em dezembro daquele ano. Por mais de três décadas, foi o cabaré político mais conhecido do país: canção, dança e esquete usados sistematicamente para ridicularizar o regime, num período em que fazer isso em público exigia cálculo fino sobre o que a censura toleraria naquela semana.

Skrzynecki (1930–1997) era o mestre de cerimônias e a alma do lugar, e sua morte gerou o boato — repetido até hoje — de que a Piwnica havia fechado. Não fechou. O cabaré continua em atividade nos mesmos porões.

Hoje o endereço funciona em duas camadas: o cabaré, com programação própria, e o bar no subsolo, onde dá para beber sob as abóbadas de pedra sem compromisso com nenhum espetáculo. O ambiente é escuro, apinhado de cartazes e retratos, e não faz o menor esforço para parecer moderno — o que, aqui, é exatamente o ponto.

Confira a programação antes de ir: noite de cabaré e noite de bar comum são experiências bem diferentes, e a primeira costuma exigir ingresso.

Endereço: Rynek Główny 27, 31-010 Cracóvia, Polônia

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Basílica de Santa Maria (Kościół Mariacki) — foto: Jar.ciurus / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)
  • Jama Michalika — foto: Petrus78PL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Restauracja Wierzynek — foto: Kgbo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Piwnica pod Baranami — foto: Zygmunt Put / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Fábrica de Esmaltados de Oskar Schindler (Museu de Cracóvia) — foto: Adrian Grycuk / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)

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