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📍 Sevilha

O que fazer em Sevilha: 5 paradas escolhidas

Fachada de El Rinconcillo, na Calle Gerona, em Sevilha

Foto: CarlosVdeHabsburgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um roteiro com 5 paradas em Sevilha, Espanha: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Plaza de España
  2. Metropol Parasol (Las Setas)
  3. Torre del Oro
  4. Confitería La Campana
  5. El Rinconcillo

O que visitar

1. Plaza de España

Plaza de España, no Parque de María Luisa, em Sevilha
Foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Plaza de España foi construída para uma festa. O arquiteto sevilhano Aníbal González a projetou para a Exposição Ibero-Americana de 1929, e o conjunto ficou pronto em 1928: um enorme semicírculo de edifícios em tijolo e cerâmica, misturando renascimento espanhol, barroco e neomudéjar, com um canal na frente, atravessado por quatro pontes que representam os antigos reinos da Espanha. No centro, a fonte de Vicente Traver.

Uma província por banco

O detalhe que prende o visitante está no chão: ao longo da curva, nichos de azulejo representam cada província espanhola, com mapa, cena histórica e duas estantes que hoje funcionam como pequenas bibliotecas comunitárias. O cenário chamou o cinema: a praça aparece em "Lawrence da Arábia" (1962) e virou a cidade de Theed, no planeta Naboo, em "Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones" (2002). Entre 2007 e 2010, a prefeitura gastou 9 milhões de euros restaurando o conjunto, recuperando postes e bancos de cerâmica a partir de fotos antigas.

Endereço: Av. de Isabel la Católica, Parque de María Luisa, 41013 Sevilha, Espanha

2. Metropol Parasol (Las Setas)

Metropol Parasol, as Setas, na Plaza de la Encarnación, em Sevilha
Foto: Suicasmo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O arquiteto alemão Jürgen Mayer H. venceu um concurso com 65 propostas para cobrir a Plaza de la Encarnación, e desenhou seis guarda-sóis de madeira que se encontram no alto, inspirados nas abóbadas da Catedral e nos ficus da cidade. Oficialmente, o nome era Metropol Parasol. Os sevilhanos chamaram de Las Setas, "os cogumelos", e o apelido pegou tanto que virou nome oficial depois que o arquiteto registrou a marca original.

Da obra impossível ao mirante

A obra começou em 26 de junho de 2005, com orçamento de 50 milhões de euros e entrega prevista para 2007. Não deu: a engenharia da Arup concluiu que o projeto, do jeito que estava, era tecnicamente inviável, e só em 2009 chegou-se a uma solução com reforços colados. A conta dobrou para cerca de 100 milhões, e a estrutura abriu em abril de 2011. São cerca de 150 por 70 metros e 26 metros de altura, feitos com 3.500 metros cúbicos de pinho finlandês microlaminado, e ela é vendida como a maior estrutura de madeira do mundo. Embaixo ficam um mercado e o Antiquarium, com ruínas romanas e mouras achadas durante a escavação; em cima, uma passarela sinuosa com vista para os telhados do centro.

Endereço: Plaza de la Encarnación, s/n, 41003 Sevilha, Espanha

História

3. Torre del Oro

Torre del Oro às margens do rio Guadalquivir, em Sevilha
Foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Torre del Oro foi construída entre 1220 e 1221, no fim do domínio almóada, por ordem do governador Abu l-Ula, para vigiar o Guadalquivir, a porta de entrada de Sevilha pelo rio. Dela partia uma grande corrente que podia bloquear a passagem dos barcos. O nome, "Torre do Ouro", viria do brilho dourado que ela refletia na água, por causa do material da construção: argamassa, cal e palha prensada.

Três andares, três épocas

A torre é um resumo de história em camadas. O primeiro corpo, de doze lados, é o original almóada. O segundo, octogonal, foi acrescentado no século XIV por Pedro I de Castela, o mesmo do palácio mudéjar do Alcázar. O terceiro, circular, foi refeito em 1760 pelo engenheiro militar Sebastián Van der Borcht, depois dos estragos do terremoto de Lisboa de 1755. Ao longo dos séculos, ela também serviu de prisão. Hoje abriga um pequeno museu naval, com instrumentos náuticos e documentos, e em 1992, durante a Expo de Sevilha, foi irmanada com a Torre de Belém, em Lisboa.

Endereço: Paseo de Cristóbal Colón, s/n, 41001 Sevilha, Espanha

Onde tomar café

4. Confitería La Campana

Fachada da Confitería La Campana, na Calle Sierpes, em Sevilha
Foto: CarlosVdeHabsburgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Antonio Hernández Merino, um homem com raízes em Rota que tinha vivido nas Filipinas, então colônia espanhola, fundou La Campana em 1885 com a mulher, Margarita Nalda Gil. O nome veio do vizinho: no mesmo terreno funcionava um posto de bombeiros, e ele ouviu o sino tocar tantas vezes que, na hora de batizar a doceria, não teve dúvida.

Suspiros e yemas

A casa fica no começo da Calle Sierpes, a rua comercial mais conhecida de Sevilha, e mantém a fachada e as mesas na calçada com cara de fim de século XIX. Quatro gerações da família já passaram pelo balcão, e um escudo dourado na parede lembra que La Campana foi fornecedora da Casa Real. Os clássicos são os merengues, as tortas de polvorón, as lenguas de almendra e as yemas sevillanas; na época certa aparecem torrijas e roscón de reyes. Peça um doce, um café, e fique vendo a Sierpes passar.

Endereço: Calle Sierpes, 1-3, 41004 Sevilha, Espanha

Onde beber

5. El Rinconcillo

Fachada de El Rinconcillo, na Calle Gerona, em Sevilha
Foto: CarlosVdeHabsburgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

El Rinconcillo abriu as portas em 1670, no mesmo endereço onde está até hoje, na esquina da Calle Gerona, e é tido como o bar mais antigo de Sevilha. Em 2020 completou 350 anos. A família De Rueda comprou o imóvel em 1858 e segue como dona; em 1897 adquiriu o prédio vizinho, na Calle Alhóndiga, e juntou os dois na taberna que existe hoje.

A conta no balcão

O ritual que todo mundo vem ver é simples: o garçom anota o pedido com giz, direto no balcão de mogno, e soma tudo ali mesmo na hora de pagar. O resto da decoração acompanha: mesas de mármore, barris que viram mesa e azulejos que vão do século XVII ao XIX. Num deles, na parte mais antiga do bar, dá para ler o preço de uma taça de jerez de outros tempos: "chato 40 céntimos". O bar já serviu de cenário para produções espanholas como "Sangre y Arena". Vá para as tapas no balcão, em pé, como os sevilhanos.

Endereço: Calle Gerona, 40, 41003 Sevilha, Espanha

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • El Rinconcillo — foto: CarlosVdeHabsburgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Confitería La Campana — foto: CarlosVdeHabsburgo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Plaza de España — foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Metropol Parasol (Las Setas) — foto: Suicasmo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Torre del Oro — foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Grande Bazar de Istambul: 4 mil lojas sob um teto erguido para financiar a Hagia Sophia

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Mandado construir em 1461 pelo sultão Mehmed II — que usou a renda dos aluguéis das lojas para financiar a manutenção da Hagia Sophia —, o Grande Bazar (Kapalıçarşı) de Istambul é um dos mercados cobertos mais antigos do mundo ainda em funcionamento. Hoje ocupa cerca de 30.700 m² distribuídos por 61 ruas cobertas, com algo entre 3.000 e 4.000 lojas — em 1890, um levantamento otomano contou 4.399 estabelecimentos ativos ali dentro.

O bazar recebe entre 250 mil e 400 mil visitantes por dia e já foi apontado como a atração turística mais visitada do mundo, com cerca de 91 milhões de visitas anuais registradas em 2014. Entre suas lojas estão vendedores de tapetes, ouro, cerâmica de İznik e as luminárias de mosaico de vidro que se tornaram um dos souvenirs mais associados ao lugar.

Corredor interno do Grande Bazar de Istambul

Foto: espiritu_protector / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Onde fica

  • Grande Bazar (Kapalıçarşı) Local
    Beyazıt, 34126 Fatih/İstanbul, Türkiye
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📍 Brasília

Praça dos Três Poderes: a capital que Juscelino Kubitschek ergueu em menos de quatro anos

Casa de Chá na Praça dos Três Poderes, em Brasília

Foto: Wikimedia Commons

Em 1922, para celebrar o centenário da independência, uma comitiva oficial cravou uma pedra fundamental no meio do cerrado goiano, perto do arraial de Planaltina. Era o marco simbólico de uma capital que a Constituição de 1891 já previa erguer no Planalto Central. E então, nada aconteceu. A pedra ficou ali, isolada, por 34 anos, enquanto o Rio de Janeiro seguia sendo a sede do governo brasileiro. Foi só com um presidente recém-eleito e uma promessa de campanha que aquele pedaço de chão viraria a Praça dos Três Poderes, o coração político do Brasil.

Uma promessa de campanha vira decreto

Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência em 1956 com o lema "cinquenta anos em cinco" e incluiu a mudança da capital como uma das metas de seu governo. Em 19 de setembro daquele ano, a Lei nº 2.874 criou a Novacap — a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil — e definiu oficialmente o nome da cidade que ainda não existia: Brasília. Onze dias depois, em 30 de setembro de 1956, saiu no Diário Oficial o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital, convocando urbanistas de todo o país a desenhar a cidade do zero.

Fachada do Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro em Brasília

Palácio do Planalto, projetado por Oscar Niemeyer

Em março de 1957, um júri internacional — do qual participava o próprio Oscar Niemeyer — escolheu o projeto do urbanista carioca Lúcio Costa, batizado de Plano Piloto. A Niemeyer coube o desenho dos principais edifícios públicos; ao engenheiro Joaquim Cardozo, os cálculos estruturais que tornaram possíveis as formas curvas e as colunas finas que Niemeyer imaginava. As obras começaram ainda em 1957, tocadas por milhares de trabalhadores vindos principalmente do Nordeste, os chamados candangos, que primeiro se instalaram num povoado provisório conhecido como Cidade Livre — hoje o bairro de Núcleo Bandeirante.

O desenho de Lúcio Costa organizava a cidade em torno de dois eixos que se cruzam, lembrando a silhueta de um avião: no eixo Monumental ficariam os prédios do governo, terminando na própria Praça dos Três Poderes; no eixo Rodoviário-Residencial, em curva, as superquadras onde a população viveria. Foi um desenho pensado para uma cidade nova, sem o traçado orgânico das capitais que cresceram ao longo de séculos — e por isso mesmo, décadas depois, ainda seria estudado como um dos maiores experimentos de urbanismo modernista do mundo.

Marcos de uma construção em tempo recorde

  • 19/09/1956 — Lei nº 2.874 cria a Novacap e batiza a cidade de Brasília
  • 30/09/1956 — publicado o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto
  • Março de 1957 — júri escolhe o projeto de Lúcio Costa
  • 1957 — início das obras e chegada dos primeiros candangos
  • 21/04/1960 — inauguração oficial de Brasília

Em menos de quatro anos, o que era um planalto vazio ganhou avenidas, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e a praça que reuniria, lado a lado, as sedes dos três poderes da República — daí o nome que ficaria: Praça dos Três Poderes.

21 de abril de 1960: o dia da inauguração

A data não foi escolhida ao acaso. Kubitschek entregou a nova capital no Dia de Tiradentes, símbolo da luta republicana brasileira. Diante de uma multidão, ele hasteou pela primeira vez a bandeira nacional na praça recém-erguida e declarou: "Declaro, sob a proteção de Deus, inaugurada a cidade de Brasília, capital dos Estados Unidos do Brasil". Seguiram-se missa, desfiles, bailes e fogos de artifício — tudo isso cercado por prédios que, em muitos casos, ainda estavam sendo terminados enquanto a festa acontecia.

Congresso Nacional do Brasil, com suas duas torres e as cúpulas do Senado e da Câmara

Congresso Nacional, um dos edifícios que compõem a Praça dos Três Poderes

Hoje, a praça reúne o Palácio do Planalto (Poder Executivo), o Congresso Nacional (Poder Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Poder Judiciário), além de monumentos como o Panteão da Pátria e a escultura "A Justiça", de Alfredo Ceschiatti. Em 1987, aos 27 anos de idade, Brasília se tornou o primeiro bem do século XX a ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade — um símbolo raro entre as cidades premiadas, quase todas construções seculares. A pedra de 1922 acabou esquecida em Planaltina, a poucos quilômetros dali — enquanto a praça que a substituiu como símbolo se tornou o palco de todas as posses presidenciais do Brasil desde então.

Onde fica

  • Praça dos Três Poderes Histórico
    Praça dos Três Poderes, Brasília - DF

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