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Forte do Presépio: a paliçada de madeira que fundou Belém em 1616

Vista externa do Forte do Presépio (Forte do Castelo) em Belém, Pará

Foto: Wikimedia Commons

Na manhã de 12 de janeiro de 1616, três embarcações portuguesas entraram na baía de Guajará depois de semanas subindo a costa norte a partir do Maranhão. A bordo, menos de duzentos homens comandados pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco. Eles não vinham para admirar a paisagem: tinham ordens de barrar de vez o avanço de franceses e holandeses sobre a foz do Amazonas. O primeiro gesto da expedição foi erguer, às pressas, uma paliçada de madeira e palha na ponta de Mairi. Aquela estrutura simples recebeu o nome de Forte do Presépio — e é dali que nasce a cidade de Belém.

Um forte de barro para segurar um império

A urgência explica a escolha dos materiais. Sem tempo para trazer pedra ou cal da metrópole, os portugueses construíram o forte em taipa, com estacas de madeira e cobertura de palha, apoiados nas três embarcações que haviam feito a viagem: o patacho Santa Maria da Candelária, o caravelão Santa Maria das Graças e a lancha Assunção. Ao redor da fortificação, os soldados abriram a primeira rua do povoado, batizada de Rua do Norte — hoje a Rua Siqueira Mendes, ainda existente no bairro da Cidade Velha. O povoado que crescia em volta do forte recebeu um nome quase poético para uma missão tão militar: Feliz Lusitânia.

Nas décadas seguintes, a estrutura original de madeira foi sendo substituída por alvenaria de pedra e tijolo. Escavações arqueológicas conduzidas já no século 21 encontraram, sob as camadas mais recentes, os alicerces da Capela de Santo Cristo (de 1640), restos da antiga Casa da Pólvora e pisos sobrepostos de diferentes épocas — um verdadeiro corte estratigráfico de quatro séculos de reformas, ataques e reconstruções.

Canhões históricos expostos no Forte do Presépio, em Belém

Canhões remanescentes do período colonial, hoje expostos no sítio histórico.

De ruína militar a museu arqueológico

O forte perdeu função militar ao longo do século 20 e chegou a sofrer com o abandono: em 1980, parte de suas muralhas já estava parcialmente destruída, o que forçou obras emergenciais de contenção. A partir de 1983, a então Diretoria Regional do SPHAN (hoje Iphan, que já havia tombado o sítio em 1962) iniciou trabalhos sistemáticos de conservação. O processo culminou, no início dos anos 2000, em uma ampla escavação e restauração que transformou o local em espaço museológico, inaugurado oficialmente em 2002 como Museu Forte do Presépio.

Hoje o museu reúne mais de 100 mil peças recolhidas no próprio sítio e no entorno: fragmentos de faiança portuguesa e inglesa, moedas — inclusive uma de ouro —, botões de uniformes militares, armas e uma coleção surpreendente de cerâmica indígena. Parte dela, de tradição tapajônica, pode ter cerca de 6 mil anos; outra, produzida por grupos marajoaras, remonta a período entre 600 e 1.600 anos atrás, evidência de que a região já era intensamente habitada muito antes da chegada portuguesa. Essa coleção ocupa a sala chamada Museu do Encontro, enquanto o circuito externo preserva as próprias ruínas e estruturas do forte.

Estrutura de pedra do Forte do Presépio, sítio histórico da fundação de Belém

Trechos de alvenaria de diferentes séculos, preservados como parte do circuito arqueológico.

O coração do Complexo Feliz Lusitânia

O forte é hoje âncora de um conjunto maior batizado justamente de Complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha — o bairro mais antigo de Belém. Ao redor da Praça Dom Frei Caetano Brandão estão também a Casa das Onze Janelas, originalmente projetada pelo arquiteto italiano Antônio Landi no século 18, e a Catedral Metropolitana de Belém, reconstruída pelo mesmo Landi em 1761 e que abriga um órgão Cavaillé-Coll considerado o maior da América Latina. Juntos, esses edifícios contam a passagem de Belém de posto militar improvisado a capital barroca do Grão-Pará, erguida sobre a riqueza das chamadas drogas do sertão — cacau, canela e castanha extraídos da floresta amazônica.

Poucas cidades brasileiras guardam com tanta precisão o ponto exato do próprio nascimento. Enquanto Belém se prepara para receber cada vez mais visitantes atraídos pela Amazônia — o mesmo bairro da Cidade Velha ganhou atenção internacional durante a COP30, realizada na cidade em 2025 —, o Forte do Presépio segue como lembrete de que tudo começou com uma paliçada de barro erguida às pressas, para garantir o controle português sobre a maior floresta tropical do planeta.

Onde fica

  • Museu Forte do Presépio Histórico
    Praça Dom Frei Caetano Brandão, Belém - Pará

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Bandeira de Singapura Singapura
📍 Singapura

Long Bar do Raffles Hotel: o bar de Singapura que inventou o Singapore Sling

Interior do Long Bar, no Raffles Hotel, em Singapura

Foto: Rainer Halama / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Dentro do lendário Raffles Hotel, inaugurado em 1887 e um dos hotéis coloniais mais famosos do sudeste asiático, o Long Bar é o local onde nasceu um dos coquetéis mais conhecidos do mundo: o Singapore Sling. Criado por volta de 1915 pelo bartender Ngiam Tong Boon, o drinque à base de gim, licor de cereja, Cointreau, suco de abacaxi e outros ingredientes foi pensado originalmente para disfarçar como um suco de frutas, numa época em que era mal visto que mulheres bebessem álcool em público.

Um coquetel pensado para a época

A coloração rosada do Singapore Sling, resultado da combinação de licor de cereja com suco de frutas, ajudava a disfarçar a bebida alcoólica como um simples suco tropical, permitindo que mulheres pudessem consumi-la sem chamar atenção nos salões do hotel colonial. A receita original nunca foi documentada de forma definitiva por Ngiam Tong Boon, o que gerou décadas de variações e disputas sobre qual seria a fórmula "autêntica" do coquetel.

Cascas de amendoim no chão

Uma das tradições mais conhecidas do Long Bar é a permissão explícita para que os clientes joguem as cascas de amendoim servido gratuitamente no balcão diretamente no chão de madeira do bar — prática rara em bares de hotéis de luxo, mantida como parte do charme informal e nostálgico do espaço desde muito antes de sua reforma mais recente.

Singapore Sling servido no Long Bar com amendoins

O Singapore Sling é tradicionalmente servido com amendoins à vontade no balcão.

Hóspedes famosos do Raffles

O Raffles Hotel, como um todo, hospedou escritores como Rudyard Kipling, Somerset Maugham e Joseph Conrad, que ajudaram a espalhar a fama do hotel — e, por extensão, do Long Bar — para além da Ásia. O hotel também é famoso por associações lendárias com histórias coloniais de Singapura, incluindo o relato, nunca totalmente comprovado, de um tigre abatido sob uma das mesas de bilhar do próprio hotel no fim do século XIX.

Vista do balcão do Long Bar, no Raffles Hotel

Ventiladores de teto e cadeiras de vime remetem à atmosfera colonial original do bar.

Dicas para a visita

O Long Bar funciona dentro do complexo do Raffles Hotel, na área central de Singapura, e costuma ficar bastante cheio no fim da tarde e à noite, quando turistas buscam experimentar o Singapore Sling original. Vale considerar visitar em horários mais tranquilos, como o início da tarde, para aproveitar melhor a decoração colonial e evitar filas para as mesas.

Onde fica

  • Long Bar - Raffles Hotel Bar
    1 Beach Road, Singapura

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📍 Orlando

O que fazer em Orlando: 5 paradas escolhidas

Esfera geodésica Spaceship Earth no EPCOT, em Orlando

Foto: Wikimedia Commons

Um roteiro com 5 paradas em Orlando, Estados Unidos: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. EPCOT
  2. Disney's Hollywood Studios
  3. Disney's Animal Kingdom
  4. Universal Studios Florida
  5. Islands of Adventure

O que visitar

1. EPCOT

Esfera geodésica Spaceship Earth no EPCOT, em Orlando
Foto: chensiyuan This photo was taken with Nikon D90 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O EPCOT é um dos quatro parques do Walt Disney World Resort, reconhecido pela esfera geodésica Spaceship Earth na entrada. O parque é dividido entre atrações de inovação e o World Showcase, com pavilhões que recriam a culinária e a cultura de mais de dez países.

É uma parada obrigatória para quem quer combinar tecnologia, gastronomia internacional e passeio tranquilo em um só lugar.

Endereço: EPCOT, 200 Epcot Center Dr, Bay Lake, Estados Unidos

2. Disney's Hollywood Studios

Hollywood Boulevard, a avenida de entrada do Disney's Hollywood Studios, em Orlando
Foto: Kickelohm / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Disney's Hollywood Studios recria a época de ouro de Hollywood logo na entrada, na Hollywood Boulevard, e reúne atrações baseadas em franquias como Star Wars, Toy Story e Guardiões da Galáxia.

É um parque mais compacto que o Magic Kingdom, ideal para quem quer aliar cenografia temática a brinquedos radicais em um único dia.

Endereço: Disney's Hollywood Studios, 351 S Studio Dr, Lake Buena Vista, Estados Unidos

3. Disney's Animal Kingdom

Árvore da Vida, o marco central do Disney's Animal Kingdom, em Orlando
Foto: Wikimedia Commons

O Disney's Animal Kingdom tem como marca a Árvore da Vida, esculpida com centenas de animais, e reúne um safári africano de verdade, trilhas com fauna real e a área Pandora, inspirada no filme Avatar.

É a opção mais verde entre os parques de Orlando, com bastante caminhada ao ar livre entre as atrações.

Endereço: Disney's Animal Kingdom, 2901 Osceola Pkwy, Lake Buena Vista, Estados Unidos

4. Universal Studios Florida

Entrada do parque Universal Studios Florida, em Orlando
Foto: Theme Park Tourist / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Universal Studios Florida reúne áreas temáticas de franquias como Harry Potter (Diagon Alley), Minions e Homem-Aranha, além de simuladores baseados em filmes clássicos da Universal.

É o parque mais indicado para quem gosta de brinquedos com efeitos especiais e cenografia bem detalhada.

Endereço: Universal Studios Florida, 6000 Universal Blvd, Orlando, Estados Unidos

5. Islands of Adventure

Vista do parque Islands of Adventure, da Universal, em Orlando
Foto: Robert Linsdell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Islands of Adventure é dividido em ilhas temáticas, com destaque para a Ilha de Marvel, o Jurassic Park e Hogsmeade, cenário de Harry Potter com montanha-russa dentro do castelo de Hogwarts.

É o parque com as atrações mais radicais de Orlando, indicado para quem procura adrenalina em meio à cenografia detalhada.

Endereço: Universal's Islands of Adventure, 6000 Universal Blvd, Orlando, Estados Unidos

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • EPCOT — foto: chensiyuan This photo was taken with Nikon D90 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Disney's Hollywood Studios — foto: Kickelohm / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Disney's Animal Kingdom — foto: Wikimedia Commons
  • Universal Studios Florida — foto: Theme Park Tourist / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
  • Islands of Adventure — foto: Robert Linsdell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

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📍 Dublin

St. James's Gate: o contrato de 9 mil anos que fundou a cervejaria Guinness em Dublin

Edifícios da cervejaria Guinness em St. James's Gate, Dublin

Foto: N Chadwick / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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Em 31 de dezembro de 1759, um cervejeiro de 34 anos chamado Arthur Guinness assinou o arrendamento de uma pequena cervejaria desativada em St. James's Gate, na zona oeste de Dublin. O prazo do aluguel: 9 mil anos, a 45 libras por ano. Mais de dois séculos e meio depois, a cerveja preta ainda é produzida no mesmo endereço, e o número redondo do contrato virou parte da mitologia da marca.

Quatro acres e um número que virou lenda

O terreno que Arthur arrendou tinha cerca de quatro acres e incluía um moinho, dois maltes, estrebaria para doze cavalos e um sótão com capacidade para 200 toneladas de feno. Ele havia herdado 100 libras de um padrinho, o arcebispo Arthur Price, e usou parte do dinheiro para entrar no negócio. O contrato de 9 mil anos com renda fixa entrou para a história do marketing da Guinness, embora, na prática, a empresa tenha comprado a área ao longo das décadas seguintes e se expandido muito além dos quatro acres originais.

Do ale para o porter

Arthur começou produzindo ale, o estilo comum na Irlanda da época. Na década de 1770, passou a fabricar porter, uma cerveja escura que tinha nascido em Londres e fazia sucesso entre os carregadores dos mercados, os porters que deram nome ao estilo. A aposta deu tão certo que, em 1799, Arthur produziu seu último lote de ale e decidiu se concentrar apenas no porter. A St. James's Gate se tornou a maior cervejaria da Irlanda em 1838 e a maior do mundo em 1886, com produção anual de 1,2 milhão de barris.

A Storehouse: do prédio de fermentação ao museu

O edifício que hoje recebe os visitantes foi construído em 1902 para abrigar o processo de fermentação. Projetado no estilo da Escola de Chicago, foi a primeira estrutura de vários andares com esqueleto de aço erguida na Irlanda. Funcionou como parte da fábrica até os anos 1980 e foi reformado para virar centro de visitantes, aberto ao público em 2 de dezembro de 2000.

São sete andares em torno de um átrio de vidro no formato de um copo de pint: se pudesse ser enchido, comportaria 14,3 milhões de pints. O percurso termina no Gravity Bar, no topo, a cerca de 46 metros acima da rua, com vista de 360 graus de Dublin e o pint que está incluído no ingresso. A Storehouse é a atração mais visitada da Irlanda e já recebeu mais de 20 milhões de pessoas desde a inauguração.

Perguntas frequentes

A Guinness ainda é produzida em St. James's Gate?
Sim. A cervejaria continua ativa no mesmo endereço em que Arthur Guinness assinou o contrato em 1759, e de lá sai a Guinness distribuída para dezenas de países.

O contrato de 9 mil anos ainda vale?
Na prática, perdeu a função: a empresa comprou os terrenos ao longo dos anos e é dona da área. O documento original, com a renda de 45 libras ao ano, virou peça de museu e argumento de marketing.

Onde fica

  • Guinness Storehouse Histórico
    St. James's Gate, Ushers, Dublin 8, D08 VF8H, Irlanda

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