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Cervejaria Brasão Aliados: a francesinha mais pedida do Porto

Point clássico na Avenida dos Aliados, no coração do Porto. A francesinha, sanduíche que virou símbolo da cidade, é o motivo número um pra ir.

Avenida dos Aliados, no Porto, onde fica a Cervejaria Brasão

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vinho ou cerveja? Comentem.

Onde fica

  • Cervejaria Brasão Aliados Restaurante
    R. de Ramalho Ortigão 28, 4000-035 Porto, Portugal
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Banzeiro: o restaurante que colocou tambaqui e tucupi no mapa da alta gastronomia amazônica

Casarão histórico em Manaus, cidade onde fica o restaurante Banzeiro

Foto: Wikimedia Commons

Numa casa adaptada na Rua Libertador, no bairro Nossa Senhora das Graças, o Banzeiro abriu as portas em 2009 com uma proposta que, até então, quase ninguém tentava em Manaus: transformar os ingredientes do rio e da mata amazônica em cozinha autoral, sem abrir mão da técnica. O nome vem de um termo usado pelos ribeirinhos para descrever o movimento agitado da água causado pela passagem de embarcações grandes — uma imagem que resume bem a mistura de tradição e agitação criativa que o restaurante propõe.

Do Direito para a cozinha amazônica

Por trás do Banzeiro está o chef Felipe Schaedler, nascido em Maravilha, Santa Catarina, e criado desde os 15 anos em Itacoatiara, no interior do Amazonas, para onde a família se mudou em 2004. Schaedler chegou a cursar Direito antes de abandonar a faculdade para seguir gastronomia, formando-se pelo Ciesa (Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas) em 2008 e completando depois uma pós-graduação em Gastronomia e Cozinha Autoral pela PUC-RS. Um ano depois de se formar, já estava à frente da cozinha do próprio restaurante — hoje reconhecido como uma das referências que ajudaram a colocar a culinária amazônica contemporânea no radar nacional.

Tambaqui, peixe de água doce típico da Amazônia

O tambaqui, peixe de água doce abundante nos rios amazônicos, é a base de vários pratos do cardápio.

Um cardápio construído sobre peixes de rio e ingredientes da floresta

O cardápio do Banzeiro gira em torno de peixes como o tambaqui — servido, por exemplo, com sal de flores e arroz negro, ou grelhado na folha de bananeira com molho de tucupi, farofa de banana e massa de mandioca — e o pirarucu, que aparece em versões como a moqueca defumada com leite de coco. Há também pratos que reinterpretam clássicos da mesa amazonense, como o tacacá preparado na brasa com camarão grelhado e espuma de jambu, e o arroz arbóreo com tucupi, camarão, jambu e pimenta biquinho. A equipe do restaurante trabalha diretamente com produtores locais para garantir ingredientes como flores comestíveis, cogumelos e frutas regionais, muitas vezes pouco conhecidos fora do Norte do país.

Flores de jambu, planta amazônica usada em pratos do Banzeiro

O jambu, planta que provoca um leve formigamento na boca, aparece em pratos como o tacacá do restaurante.

Reconhecimento dentro e fora da Amazônia

Schaedler foi eleito Chef do Ano entre 2011 e 2013 pela revista Veja Manaus Comer & Beber, e o Banzeiro levou por cinco anos consecutivos, a partir de 2010, o título de melhor cozinha regional da cidade pela mesma publicação. Em 2012, o chef recebeu a Ordem do Mérito Cultural, e em 2014 entrou na lista da Forbes dos 30 brasileiros com menos de 30 anos mais influentes do país. O restaurante também integra o circuito "El Espíritu de América Latina", ligado ao ranking Latin America's 50 Best Restaurants, que descreve o Banzeiro como o restaurante âncora do trabalho de Schaedler em Manaus. Desde 2019, a marca também tem uma unidade em São Paulo, levando o cardápio amazônico para o maior polo gastronômico do país — mas é na casa original da Rua Libertador que a proposta nasceu, a poucos passos do Rio Negro, na cidade que segue sendo a porta de entrada da floresta.

Onde fica

  • Banzeiro Restaurante
    Banzeiro, Rua Libertador, 102, Manaus - AM

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Rules: dentro do restaurante mais antigo de Londres, aberto desde 1798

Fachada do restaurante Rules, em Covent Garden, Londres

Foto: Wikimedia Commons

Perto do movimentado mercado de Covent Garden, um restaurante de fachada discreta guarda mais de 225 anos de história gastronômica londrina. O Rules abriu em 1798, fundado por Thomas Rule, e reivindica o título de restaurante mais antigo de Londres ainda em funcionamento — atravessou o reinado de nove monarcas britânicos sem nunca fechar as portas definitivamente.

Point de escritores e realeza

Ao longo de mais de dois séculos, o Rules acumulou uma lista de frequentadores ilustres: os escritores Charles Dickens e Arthur Conan Doyle eram clientes (o restaurante aparece, inclusive, em histórias de Sherlock Holmes), assim como o futuro rei Eduardo VII, que se encontrava reservadamente no restaurante com a atriz Lillie Langtry no fim do século XIX, numa sala que até hoje leva o nome do relacionamento discreto.

Tradição em caça e pratos britânicos

O Rules é especialmente conhecido por servir caça (game) — carnes como veado, lebre e diferentes aves silvestres — trazida de uma propriedade rural própria no norte da Inglaterra durante a temporada de caça britânica, que vai tipicamente de agosto a fevereiro. Pratos como torta de rim e carne (steak and kidney pie) e pudim completam um cardápio que preserva receitas clássicas da culinária britânica raramente encontradas com esse nível de tradição em outros restaurantes da capital.

Praça de Covent Garden, em Londres

O Rules fica a poucos passos da movimentada praça de Covent Garden.

Decoração de outra época

O interior do restaurante preserva paredes cobertas de caricaturas, pinturas de caça e fotografias de mais de um século, criando um ambiente que parece intencionalmente parado no tempo eduardiano. A decoração por si só já é considerada parte da experiência, funcionando quase como uma pequena galeria histórica dentro do próprio restaurante.

Movimento na praça de Covent Garden

A região de Covent Garden combina teatros, lojas e restaurantes históricos.

Dicas para a visita

Por ficar numa das áreas mais turísticas de Londres, reservar com antecedência é recomendado, especialmente durante a temporada de caça (agosto a fevereiro), quando o cardápio de pratos sazonais atrai ainda mais clientes. Vale aproveitar a proximidade com os teatros do West End para combinar o jantar com um espetáculo.

Onde fica

  • Rules Restaurant Restaurante
    35 Maiden Lane, Londres, Reino Unido

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Bar La Ópera: o balaço de Pancho Villa que ainda mora no teto dourado da Cidade do México

Fachada do Bar La Ópera no Centro Histórico da Cidade do México

Foto: Wikimedia Commons

Há mais de cem anos, uma bala de revólver segue alojada no teto dourado de um bar no coração da Cidade do México — e, de propósito, ninguém jamais a removeu. O buraco pertence ao Bar La Ópera, uma cantina que resiste desde o século 19 na Avenida 5 de Mayo, no Centro Histórico, e que viu passar tanto jantares da elite porfirista quanto tropas revolucionárias armadas.

De confeitaria francesa a ponto de encontro da elite

O endereço não nasceu como bar. Em 1876, as irmãs francesas Boulangeot abriram ali uma confeitaria de luxo na esquina da antiga rua San Juan de Letrán com a Avenida Juárez — terreno onde hoje se ergue a Torre Latinoamericana. Em 1895, o negócio mudou de local e de vocação: passou a funcionar na esquina da Avenida 5 de Mayo com a rua Filomeno Mata, endereço que ocupa até hoje, já como cantina voltada à clientela mais refinada da capital.

Entre os frequentadores da nova fase estavam o presidente Porfirio Díaz e sua esposa, Carmelita Romero Rubio, além do então ministro da Fazenda, José Ives Limantour. O bar tornou-se um símbolo do chamado Porfiriato, período de mais de três décadas de governo de Díaz marcado pela tentativa de europeizar os costumes da capital mexicana — daí o nome "La Ópera" e a decoração que remete aos teatros de espetáculo da Europa do fim do século 19.

A noite em que Pancho Villa disparou no teto

Em dezembro de 1914, tropas de Francisco "Pancho" Villa e Emiliano Zapata ocuparam a Cidade do México após a queda do governo de Victoriano Huerta, no auge da Revolução Mexicana. Segundo o relato mais repetido sobre o episódio, transmitido de geração em geração pelos próprios funcionários do bar, Villa entrou no La Ópera, sentou-se para conversar com seus homens e, incomodado por não conseguir atenção, sacou a arma e disparou um tiro para o alto. A bala nunca foi retirada do teto ornamentado e segue visível até hoje, próxima a um pequeno letreiro que conta a história aos visitantes.

Há uma ironia conhecida pelos guias locais: ao contrário da fama de bebedor pesado que o cinema atribuiu a outros líderes revolucionários, Villa era abstêmio — seu vício declarado era milk-shake de morango, não tequila ou pulque.

Interior decorado do Bar La Ópera na Cidade do México

O salão interno do Bar La Ópera, com teto ornamentado e balcão de madeira.

Um teto de folha de ouro e um balcão vindo de Nova Orleans

A decoração do La Ópera segue o estilo afrancesado que dominava a arquitetura da capital mexicana na virada do século 19 para o 20, misturando traços barrocos com o Art Nouveau então em voga. Entre os elementos que sobrevivem até hoje estão:

  • Um teto trabalhado com molduras cobertas por folha de ouro;
  • Um balcão esculpido em madeira maciça de nogueira, encomendado e transportado de Nova Orleans;
  • Espelhos de vidro biselado emoldurados por talha em madeira escura;
  • Detalhes metálicos e vitrines que reforçam a atmosfera de teatro de ópera europeu.

Com o avanço da Revolução, o bar deixou de ser um espaço fechado à elite porfirista e passou a servir também tequila e pulque a um público mais amplo, consolidando-se como uma das cantinas mais tradicionais do Centro Histórico da capital mexicana — categoria de bar que, no México, guarda rituais e regras de sociabilidade próprios há mais de um século.

Rua 5 de Mayo no Centro Histórico da Cidade do México, onde fica o Bar La Ópera

A rua 5 de Mayo, no Centro Histórico da Cidade do México.

O escritor mexicano Salvador Novo definiu as cantinas tradicionais da capital como "templos de duas portas", numa referência às entradas duplas que antigamente separavam o acesso de homens e mulheres nesses espaços de socialização. O Bar La Ópera, com suas portas na esquina de 5 de Mayo com Filomeno Mata, segue aberto como bar e restaurante mais de cento e trinta anos depois de virar cantina — mantendo, no teto dourado do salão principal, a mesma bala que um disparo de revólver transformou em parte permanente da sua história.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): É ponto de parada obrigatória para turistas interessados na história da Revolução Mexicana.

Onde fica

  • Bar La Ópera Bar
    Bar La Ópera, Avenida 5 de Mayo 10, Cidade do México, México

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