Funciona no térreo de um dos casarões coloridos da Praça Antenor Navarro, um dos points mais boêmios do Centro Histórico de João Pessoa.
Além de bar, o Centrô oferece música ao vivo e atrações culturais à noite.
Brasil
Funciona no térreo de um dos casarões coloridos da Praça Antenor Navarro, um dos points mais boêmios do Centro Histórico de João Pessoa.
Além de bar, o Centrô oferece música ao vivo e atrações culturais à noite.
Foto: Wikimedia Commons
França
Foto: Wikimedia Commons
Numa rua estreita perto da Ópera de Paris, um bar batizado com um nome que soa mais Manhattan do que Rive Droite guarda uma das histórias mais curiosas da coquetelaria mundial. O Harry's New York Bar foi aberto em 1911 pelo barman escocês Harry MacElhone, que comprou um bar americano desmontado em Nova York e o remontou peça por peça em Paris — dando início a mais de um século de história como point de expatriados americanos, jornalistas e escritores.
O Harry's é frequentemente citado como o local de criação de pelo menos dois clássicos da coquetelaria: o Bloody Mary, feito com vodca e suco de tomate, e o Sidecar, à base de conhaque, Cointreau e suco de limão. A autoria de clássicos assim costuma ser disputada entre vários bares e bartenders ao redor do mundo, mas o Harry's guarda esse capítulo como parte central da sua identidade — e ainda serve as duas receitas praticamente como eram feitas há um século.
O balcão de madeira escura é praticamente o mesmo desde a fundação em 1911.
Durante os chamados "anos loucos" (années folles) em Paris, o Harry's se tornou reduto de uma geração de escritores americanos expatriados, com Ernest Hemingway como o nome mais lembrado. Reza a tradição da casa que Hemingway não só era cliente frequente como ajudou a popularizar o bar entre outros nomes da chamada "Geração Perdida", grupo de escritores americanos que viveu em Paris entre guerras. O clima de esconderijo americano no meio de Paris, com jornais e revistas dos Estados Unidos disponíveis no balcão, ajudou a consolidar essa fama.
Diferente de muitos bares históricos que mudaram de endereço ou perderam a decoração original, o Harry's mantém até hoje boa parte do visual de bar americano clássico: bandeirinhas de faculdades americanas penduradas no teto, fotos antigas nas paredes e um piano no porão, onde also funcionava um piano-bar frequentado por músicos de jazz ao longo do século XX.
A fachada discreta esconde mais de cem anos de história na coquetelaria.
O Harry's fica bem próximo da Ópera Garnier e da Place Vendôme, o que facilita incluir o bar num roteiro a pé pelo centro de Paris. Vale ir ao fim da tarde para conseguir lugar no balcão, onde os bartenders costumam compartilhar histórias sobre a origem dos coquetéis servidos ali há mais de cem anos.
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Brasil
Aberto desde 1955 em Copacabana, o Cervantes é um símbolo da boemia carioca. Os sanduíches generosos, servidos com uma fatia de abacaxi, atraem fila até de madrugada, já que a casa funciona até as 5h.
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📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Não tire o abacaxi do sanduíche, por favor.
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Brasil
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Itaipu usou mais concreto do que o Canal do Panamá — cerca de 12,3 milhões de metros cúbicos, volume suficiente para erguer uma cidade inteira de arranha-céus. Esse único número já dá a medida da usina hidrelétrica erguida na fronteira entre Brasil e Paraguai, perto de Foz do Iguaçu, que chegou a ser a maior do planeta em capacidade instalada e ainda hoje disputa com a chinesa Três Gargantas o posto de maior geradora de energia elétrica do mundo.
A história de Itaipu começa oficialmente em 26 de abril de 1973, quando os governos do Brasil e do Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, documento que definiu o aproveitamento hidrelétrico do trecho do rio Paraná que separa os dois países. O nome vem do tupi-guarani e significa algo como "a pedra que canta", referência a uma formação rochosa que existia no leito do rio, próxima ao ponto escolhido para erguer a barragem. Pelo acordo, a usina seria binacional: metade brasileira, metade paraguaia, com a energia dividida igualmente entre os dois países — mesmo o Paraguai, com população e consumo elétrico muito menores, usando historicamente só uma fração da própria cota e vendendo o excedente ao Brasil. As obras começaram efetivamente em janeiro de 1975, dando início a uma década de construção que mobilizaria dezenas de milhares de pessoas dos dois lados da fronteira.
A barragem vista do alto, na fronteira entre Foz do Iguaçu (Brasil) e Hernandarias (Paraguai)
Para erguer a usina, foi preciso primeiro desviar o curso do Paraná, um dos rios mais caudalosos da América do Sul. Um canal de desvio de quase 2 km de extensão foi escavado para que o leito original secasse e a barragem principal pudesse ser construída em terra firme. No auge das obras, cerca de 40 mil operários trabalhavam simultaneamente no canteiro, atraídos de várias regiões do Brasil e do Paraguai pela oferta de emprego. Alguns números resumem a escala do projeto:
Antes de Itaipu, o trecho represado do rio Paraná abrigava o Salto de Sete Quedas, um conjunto de quedas d'água que muitos brasileiros da época consideravam ainda mais imponente que as Cataratas do Iguaçu, rio abaixo. Em outubro de 1982, com o canal de desvio fechado, o novo reservatório começou a se formar rapidamente: em pouco mais de duas semanas, a água cobriu por completo as quedas, apagando do mapa um dos maiores acidentes geográficos do continente e alagando também comunidades ribeirinhas que precisaram ser realocadas. O Congresso brasileiro chegou a rebaixar formalmente o antigo Parque Nacional de Sete Quedas em 1981 para permitir o alagamento — uma perda lamentada até hoje por quem conheceu o lugar antes da usina.
O reservatório de Itaipu represa hoje o trecho do rio Paraná onde ficava o Salto de Sete Quedas
A primeira das 20 turbinas entrou em operação em 5 de maio de 1984, e novas unidades foram ligadas ao longo da década seguinte até a usina atingir a capacidade total. A rivalidade histórica com Três Gargantas, que assumiu o posto de maior hidrelétrica em capacidade instalada a partir de 2012, não tirou de Itaipu o título de recordista em produtividade: em 2016, a usina bateu o recorde mundial de geração anual de energia por uma única planta, com mais de 103 milhões de MWh produzidos em doze meses — energia suficiente para abastecer boa parte do consumo elétrico do Paraguai e uma fatia expressiva do Brasil ao mesmo tempo, mais de quatro décadas depois de um tratado assinado por dois países que dividiam um rio.
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