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Castelo de Edo: a base de pedra vazia que Tóquio nunca quis reconstruir

Ponte Nijubashi, entrada do Palácio Imperial de Tóquio, erguido sobre o antigo Castelo de Edo

Foto: Wikimedia Commons

No coração de Tóquio existe uma base de pedra maciça, com cerca de 41 metros de largura e 11 metros de altura, no meio de um jardim aberto ao público. Ela não sustenta nada. Há quase 370 anos, era ali que ficava a torre principal do maior castelo do Japão — e a decisão de nunca reconstruí-la diz mais sobre a história da cidade do que a própria torre jamais disse.

De fortaleza de terra ao maior castelo do Japão

O Castelo de Edo nasceu em 1457, erguido pelo samurai e poeta Ōta Dōkan como uma fortificação relativamente modesta em terras pantanosas às margens da baía. Sua transformação começou mais de um século depois, em 1590, quando o senhor da guerra Tokugawa Ieyasu foi transferido para a região de Kantō por Toyotomi Hideyoshi e escolheu Edo — hoje Tóquio — como sua base.

A virada definitiva veio em 1603, quando Ieyasu se tornou xogum e fez de Edo a sede do governo militar que dominaria o Japão pelos 265 anos seguintes. O castelo cresceu junto com o poder dos Tokugawa: fossos, muralhas de pedra ciclópicas e um sistema de portões concêntricos transformaram a estrutura no maior castelo já construído no Japão, com um perímetro que chegava a superar 16 quilômetros somando todos os seus círculos defensivos.

A torre principal, o tenshu, foi erguida e reconstruída três vezes em pouco mais de trinta anos. Ieyasu ergueu a primeira em 1607, com muralhas externas cobertas de gesso branco. Seu filho Hidetada a reconstruiu em posição diferente em 1623. Foi o neto, o terceiro xogum Iemitsu, quem em 1638 encomendou a maior e mais alta das três: cerca de 45 metros do chão ao topo, assentada sobre uma base de aproximadamente 930 metros quadrados — mais alta do que qualquer torre de castelo japonês construída antes ou depois.

Base de pedra do tenshu (tenshudai) do Castelo de Edo, em Tóquio

O tenshudai, base de pedra da antiga torre principal, é hoje o que resta da estrutura erguida por Iemitsu em 1638.

A noite que apagou Edo — e a torre que nunca voltou

A obra de Iemitsu durou menos de vinte anos. Em 2 de março de 1657, o Grande Incêndio de Meireki começou em um templo e, alimentado por ventos fortes e pela construção quase toda em madeira da cidade, destruiu entre 60% e 70% de Edo em três dias. As estimativas de mortos ultrapassam 100 mil pessoas, um dos desastres urbanos mais letais da história do Japão. A torre principal do castelo, símbolo do poder Tokugawa, queimou junto com boa parte da capital.

Houve planos para reconstruí-la. Mas o conselheiro do xogunato Hoshina Masayuki argumentou que, em tempos de paz, gastar recursos enormes em uma torre puramente simbólica — sem função militar real havia décadas — fazia menos sentido do que reconstruir os bairros arrasados onde a população precisava recomeçar a vida. O argumento prevaleceu. A base de pedra ficou pronta, mas nenhuma torre voltou a ocupá-la. Pelos dois séculos seguintes do período Edo, a sede do maior governo militar do Japão funcionou sem a peça que, em qualquer outro castelo, seria seu símbolo máximo.

De castelo do xogum a Palácio Imperial

O xogunato Tokugawa caiu em 1868, na Restauração Meiji. Naquele mesmo ano, o imperador Meiji deixou Kyoto e se instalou no antigo castelo, que passou a se chamar Palácio Imperial e deu à cidade seu novo nome: Tóquio, a "capital do leste". Incêndios (como o que destruiu o antigo palácio em 1873) e os bombardeios da Segunda Guerra Mundial ainda cobrariam seu preço sobre as construções do local ao longo do século XX, mas o terreno e boa parte de suas muralhas e fossos originais resistiram.

Em 1º de outubro de 1968, os antigos terrenos do Honmaru e do Ninomaru — o núcleo do castelo dos Tokugawa, incluindo o tenshudai — foram abertos ao público como os Jardins do Leste do Palácio Imperial (Kōkyo Higashi Gyoen). Hoje é possível caminhar entre pedras de muralha assentadas há quatro séculos, jardins remodelados e a base vazia da torre que Iemitsu construiu para durar séculos e durou menos de vinte anos.

Lago do Jardim Ninomaru, nos terrenos do Palácio Imperial de Tóquio

O Jardim Ninomaru, parte dos Jardins do Leste do Palácio Imperial, ocupa terreno que já foi o núcleo administrativo do xogunato Tokugawa.

  • 1457 — Ōta Dōkan constrói a fortaleza original de Edo.
  • 1590 — Tokugawa Ieyasu se instala no castelo.
  • 1603 — Edo vira sede do xogunato Tokugawa.
  • 1638 — Iemitsu conclui a terceira e maior torre, com cerca de 45 metros.
  • 1657 — o Grande Incêndio de Meireki destrói a torre, que nunca é reconstruída.
  • 1868 — o castelo vira Palácio Imperial e dá nome a Tóquio.
  • 1968 — os antigos terrenos do castelo abrem como jardim público.

A base de pedra que ainda hoje se ergue sobre os Jardins do Leste é, talvez, o monumento mais honesto que o Japão feudal deixou para trás: um lembrete de que o poder mais duradouro nem sempre é o que constrói a torre mais alta, mas o que sabe a hora de não reconstruí-la.

Onde fica

  • Palácio Imperial de Tóquio (antigo Castelo de Edo) Histórico
    Palácio Imperial de Tóquio, Tóquio, Japão

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O que fazer em Curitiba: 5 paradas escolhidas

Fachada do Restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, Curitiba

Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Um roteiro com 5 paradas em Curitiba, PR, Brasil: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Restaurante Família Madalosso
  2. Confeitaria das Famílias
  3. Bar Palácio
  4. Ópera de Arame
  5. Jardim Botânico Fanchette Rischbieter

Onde comer

1. Restaurante Família Madalosso

Fachada do Restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, Curitiba
Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Madalosso começou em 1963 com 24 lugares. Os irmãos Severino, Carlos e Flora Madalosso serviam polenta, frango e as receitas que a família tinha trazido do Vêneto para Santa Felicidade, o bairro italiano de Curitiba. Era uma casa de vizinhança.

Hoje o mesmo endereço abriga 4.645 lugares distribuídos em 7.671 metros quadrados — números que renderam ao restaurante uma entrada no Guinness Book como o maior das Américas.

A conta de como se chega a isso é simples: o salão original, o Velho Madalosso, nunca foi demolido. Ele continua funcionando ao lado, do jeito que era. O que cresceu foi o Novo Madalosso, inaugurado em 1970, que foi ganhando anexos década após década enquanto Santa Felicidade virava destino de fim de semana da cidade inteira.

O cardápio é rodízio, e ele não mudou de identidade com o tamanho: massa feita na casa, frango frito, polenta frita, sopa de capeletti e os acompanhamentos que a colônia italiana do Paraná trata como padrão. Quem entra pela primeira vez costuma levar um susto com a escala do salão — filas de mesas até o fundo, garçons circulando com panelas.

Vale escolher o horário. No almoço de domingo, quando a cidade inteira sobe a Manoel Ribas, os 4.645 lugares são menos folga do que parecem.

Endereço: Avenida Manoel Ribas, 5875 - Santa Felicidade, Curitiba - PR

Onde tomar café

2. Confeitaria das Famílias

Calçadão da Rua XV de Novembro, onde a Confeitaria das Famílias funciona desde 1945
Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A Confeitaria das Famílias abriu em 11 de outubro de 1945, no calçadão da Rua XV — vinte e sete anos antes de o calçadão existir. Quem a fundou foi o confeiteiro espanhol Jesus Alvarez Terzado, e a casa continua no mesmo número desde então.

O produto que a tornou conhecida no Paraná inteiro é o bolo Marta Rocha, batizado em homenagem à Miss Brasil de 1954 e montado com um disco de merengue prensado entre camadas de pão de ló. A casa reivindica a criação da receita, que depois virou padrão em confeitaria antiga de Curitiba.

O balcão, porém, vive de outras coisas também: a rosquinha espanhola que fica logo na entrada, ao lado da porta, a bomba de creme, o folhado de maçã, as empadas e coxinhas do lado salgado.

É um café de balcão, não de mesa longa — o tipo de lugar em que se toma um cafezinho em pé olhando o movimento do calçadão pela vitrine. Vale entrar no meio da manhã, quando as fornadas saem e a fila do balcão ainda anda rápido.

Endereço: Rua XV de Novembro, 374 - Centro, Curitiba - PR

Onde beber

3. Bar Palácio

Centro de Curitiba, região onde o Bar Palácio funciona desde 1930
Foto: Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O Bar Palácio nasceu em 1930, na Rua Barão do Rio Branco, de frente para o então Palácio do Governo do Paraná — daí o nome. Naquela Curitiba, quase tudo fechava cedo. O Palácio não fechava, e foi essa teimosia que definiu a casa: jornalista saindo da redação, político saindo de sessão, artista saindo de espetáculo, todo mundo terminava a noite ali.

Jaime Lerner, cliente de longa data, chamava o lugar de bar do consenso. Francis Ford Coppola jantou lá em 2003. Parte do filme Estômago foi rodada no salão.

A história que mais merece ser contada, porém, é de 1984. Até então a casa não servia mulheres desacompanhadas — uma regra da fundação que atravessou meio século sem ser questionada. Naquele ano, quatro estudantes sentaram-se à mesa e se recusaram a sair. O caso foi parar na Justiça e a regra caiu.

A cozinha continua a mesma de sempre: filé grelhado e trinchado na sua frente, cabrito e leitão no espeto giratório, churrasco paranaense. De sobremesa, peça o Mineiro com Botas — banana, queijo e goiabada flambados com rum na mesa.

Um detalhe: o endereço original foi demolido. Desde setembro de 1991 o Palácio funciona na Rua André de Barros, a alguns quarteirões dali, com o salão, o serviço e boa parte da clientela transplantados inteiros.

Endereço: Rua André de Barros, 500 - Centro, Curitiba - PR

Vale a parada

4. Ópera de Arame

Estrutura tubular translúcida da Ópera de Arame, em Curitiba
Foto: Thiago Boesing, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Ópera de Arame foi inaugurada em 18 de março de 1992, dentro de uma pedreira desativada no bairro Abranches. Entre a decisão de construir e a estreia passaram-se 75 dias.

O projeto é do arquiteto Domingos Bongestabs, professor da UFPR, e a velocidade só foi possível porque quase nada é feito no local: a estrutura são 360 toneladas de tubos de aço pré-fabricados, fechados com placas de policarbonato transparente. As 2.400 cadeiras de tela metálica saíram da Brafer, em Araucária, na região metropolitana.

O resultado é um cilindro translúcido pousado sobre um lago artificial, com acesso por uma passarela. De dentro, durante o espetáculo, dá para ver a parede de pedra da antiga pedreira e o céu ao mesmo tempo — se chover, chove em cima do teto de policarbonato, e a plateia ouve.

A capacidade original era de cerca de 2.100 pessoas; depois da reforma de segurança concluída em 2006 a casa passou a operar com pouco mais de 1.500 lugares, segundo a prefeitura. Ao lado fica a Pedreira Paulo Leminski, o anfiteatro a céu aberto que recebe os shows grandes; juntos formam o Parque das Pedreiras.

Fora dos dias de espetáculo o espaço abre para visitação, e é aí que a arquitetura aparece melhor: sem plateia, o vão inteiro fica visível.

Endereço: Rua João Gava, 920 - Abranches, Curitiba - PR

5. Jardim Botânico Fanchette Rischbieter

Estufa principal do Jardim Botânico de Curitiba
Foto: Rodrigo Argenton, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A estufa de vidro e metal que virou o cartão-postal mais reproduzido de Curitiba foi aberta em 5 de outubro de 1991. As três cúpulas em art nouveau são uma citação direta ao Crystal Palace, o pavilhão de ferro e vidro erguido em Londres no século 19 — a referência é assumida no próprio projeto.

O nome oficial do parque é Jardim Botânico Fanchette Rischbieter, em homenagem a Francisca Maria Garfunkel Rischbieter (1929-1989), urbanista que participou do planejamento da cidade. São 278 mil metros quadrados no total, com o jardim francês geométrico que aparece nas fotos ocupando só a parte da frente.

Atrás da estufa há bem mais do que costuma caber no roteiro de meia hora. O Museu Botânico, incorporado em 1992, guarda o quarto maior herbário do país, com cerca de 400 mil exsicatas. O Espaço Cultural Frans Krajcberg reúne 110 obras do artista. E o Jardim das Sensações, aberto em dezembro de 2008, é um percurso feito para ser atravessado de olhos vendados, reconhecendo as plantas por cheiro e textura.

Em 2007 o conjunto foi o monumento mais votado numa enquete nacional das Sete Maravilhas do Brasil — o que explica a fila de fotos na escadaria da entrada em qualquer manhã de sol.

Endereço: Rua Engenheiro Ostoja Roguski, 350 - Jardim Botânico, Curitiba - PR

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Restaurante Família Madalosso — foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Bar Palácio — foto: Wikimedia Commons, CC BY 2.0
  • Confeitaria das Famílias — foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
  • Ópera de Arame — foto: Thiago Boesing, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Jardim Botânico Fanchette Rischbieter — foto: Rodrigo Argenton, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

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Fachada da cafeteria Tazza d'Oro em Roma

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Tazza d'Oro Cafeteria
    Via degli Orfani 84, Roma, Itália
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