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Castell de Montjuïc: a fortaleza que Barcelona virou contra si mesma

Vista externa do Castell de Montjuïc, em Barcelona

Foto: Wikimedia Commons

Hoje, quem sobe até o topo do Montjuïc encontra famílias fazendo piquenique, um teleférico cheio de turistas e uma vista aberta sobre o Mediterrâneo. Poucos param para pensar que, no mesmo terreno onde crianças correm entre canhões enferrujados, cerca de 250 pessoas foram fuziladas só durante a Guerra Civil Espanhola — e que um presidente da Catalunha morreu ali, fuzilado, em 1940. O Castell de Montjuïc concentra, dentro de um único perímetro de muralhas, quatro séculos de guerras, revoltas e repressão que ajudam a explicar a própria história política de Barcelona.

Uma fortaleza erguida às pressas contra Madri

A primeira fortificação no alto do Montjuïc surgiu em junho de 1640, no calor da revolta conhecida como Guerra dos Segadores (Guerra dels Segadors). Depois do episódio chamado Corpus de Sang, quando camponeses catalães se voltaram contra as autoridades da coroa espanhola em Barcelona, a cidade ergueu em poucas semanas uma fortificação de terra sobre o morro que dominava o porto e os acessos à cidade. A obra provou seu valor rápido: em janeiro de 1641, tropas catalãs e francesas usaram o forte para vencer o exército espanhol na Batalha de Montjuïc.

Mais de um século depois, em 1751, já com a Catalunha derrotada na Guerra de Sucessão Espanhola, a coroa mandou o engenheiro militar Juan Martín Cermeño demolir a fortificação original e reconstruir tudo do zero. Nasceu então o desenho que existe até hoje: um fosso seco voltado para a cidade — pensado para conter revoltas internas, não invasões estrangeiras — e baluartes em formato de estrela apontados para o mar. Entre 1779 e 1799 o complexo foi ampliado até comportar mais de 3 mil pessoas.

Muralhas e pátio interno do Castell de Montjuïc, em Barcelona

As muralhas erguidas por Juan Martín Cermeño a partir de 1751 ainda definem a planta do castelo.

Uma prisão com vista para o Mediterrâneo

O fosso voltado para a cidade não era um detalhe qualquer: ao longo do século 19, o castelo foi usado repetidamente contra os próprios barcelonenses. Em 3 de dezembro de 1842, o governo espanhol ordenou um bombardeio de doze horas contra a cidade a partir do Montjuïc, como punição por protestos populares, e repetiu a dose em 1843 e 1856. Nos mesmos anos, o castelo funcionava como prisão política para sindicalistas, anarquistas e revolucionários — papel que se intensificou durante os chamados Processos de Montjuïc, entre 1896 e 1897, quando dezenas de suspeitos foram torturados ali após um atentado contra uma procissão de Corpus Christi, e voltou a crescer durante a repressão da Semana Trágica, em 1909.

Alguns marcos dessa história de repressão dentro do castelo:

  • 1842 — bombardeio de doze horas contra Barcelona, ordenado a partir do próprio castelo;
  • 1896–1897 — Processos de Montjuïc, com tortura sistemática de suspeitos anarquistas;
  • 1909 — prisões em massa durante a Semana Trágica;
  • 1936–1939 — cerca de 1.500 pessoas presas e 250 executadas durante a Guerra Civil.

O fuzilamento que fechou uma era

Nenhum episódio marcou tanto o castelo quanto o desfecho da Guerra Civil. Entre 1936 e 1939, a fortaleza passou pelas mãos dos dois lados do conflito e serviu como centro de prisão, tortura e execução: somente em 11 de agosto de 1938 houve 62 fuzilamentos no fosso de Santa Elena, dentro do próprio castelo.

Depois da vitória franquista, o episódio mais simbólico ainda estava por vir. Lluís Companys, o 123º presidente da Generalitat da Catalunha, havia fugido para a França ao fim da guerra. Em 13 de agosto de 1940, já sob ocupação alemã, foi preso em La Baule e entregue à Espanha franquista, passando antes pela prisão parisiense de La Santé. Levado a Barcelona em 3 de outubro, foi julgado num conselho de guerra sumário em 14 de outubro e fuzilado no fosso de Santa Elena na madrugada de 15 de outubro de 1940 — tornando-se o único presidente de um governo democrático europeu executado no século 20.

Vista do Castell de Montjuïc sobre o porto de Barcelona e o Mediterrâneo

Os baluartes voltados para o mar guardam a mesma posição estratégica desenhada em 1751.

O castelo seguiu em mãos militares por mais duas décadas após a guerra, virando museu militar em 1963 — uma exposição que, por anos, quase não mencionava os fuzilamentos ocorridos ali dentro. Só em 2007 a fortaleza passou definitivamente para a prefeitura de Barcelona, que fechou o museu militar e reabriu o espaço como parque público e centro de interpretação da história da montanha. Caminhar hoje pelos baluartes de Cermeño é, por isso, passar por um dos poucos lugares da Europa onde ainda é possível ver lado a lado os vestígios físicos de quatro séculos de poder, guerra e memória — do canhão colonial ao fosso onde um presidente catalão foi fuzilado.

Onde fica

  • Castell de Montjuïc Histórico
    Castell de Montjuïc, Barcelona, Espanha

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Caffe Trieste: o café histórico que trouxe o espresso a North Beach

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Fundado em 1956 por imigrantes italianos, o Caffe Trieste é considerado o primeiro café a servir espresso na Costa Oeste dos Estados Unidos. O ambiente boêmio já recebeu poetas e artistas da geração beat, e a máquina de espresso vintage ainda funciona atrás do balcão.

Vale a pena tomar um espresso curto e observar as paredes cobertas de fotos e recortes de décadas de história do bairro.

Fachada do Caffe Trieste em North Beach, São Francisco

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Caffe Trieste Cafeteria
    Caffe Trieste, 601 Vallejo Street, San Francisco, Estados Unidos
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Igreja de Nossa Senhora do Carmo: fé e arquitetura quinhentista

Erguida em 1592 pelos carmelitas, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo integra um conjunto histórico com o Palácio Episcopal na Praça Dom Adauto.

A torre única e a fachada quinhentista são parada obrigatória em qualquer volta pelo Centro Histórico de João Pessoa.

Fachada do Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo em João Pessoa

Foto: Rogerio121402 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo Ponto Turístico
    Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Praça Dom Adauto, João Pessoa, Brasil
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Café du Monde: o café que abriu em 1862, com Nova Orleans ocupada

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O Café du Monde abriu em 1862, no French Market. A data merece uma pausa: era o auge da Guerra Civil Americana, e Nova Orleans estava sob ocupação das tropas da União. Começar um negócio de café numa cidade ocupada é o tipo de decisão que costuma durar pouco. Essa durou mais de 160 anos, no mesmo endereço.

O cardápio explica boa parte da longevidade, porque quase não existe. São quatro itens: café de torra escura com chicória, beignets, leite e suco de laranja. Nada mudou de lugar, nada foi reinventado por consultoria. Quem senta nas mesinhas sob o toldo verde e branco pede uma das duas coisas possíveis e acabou.

A chicória é a parte que confunde forasteiro. A raiz torrada e moída entrou no café na França como forma de esticar o grão em épocas de escassez, e chegou à Luisiana com os colonos franceses. Em vez de ser abandonada quando o café voltou a sobrar, virou identidade: o café com chicória tem corpo mais denso e um amargor terroso que, misturado a leite quente em partes iguais, produz o café au lait que a cidade adotou como próprio.

O beignet é um sonho quadrado, frito, sem recheio e sem furo, servido embaixo de uma camada de açúcar de confeiteiro tão generosa que é impossível comer sem sujar a roupa. Vem sempre em três. Existe um código não escrito entre frequentadores: não se sopra o açúcar, e não se usa roupa preta.

Por décadas a casa funcionou 24 horas por dia, e ainda hoje resume a própria escala numa frase: só fecha no Natal e quando um furacão passa perto demais de Nova Orleans. Os horários foram encurtados nos últimos anos, então vale conferir antes de aparecer de madrugada — mas a regra do Natal e do furacão continua sendo a melhor descrição do lugar.

O toldo verde e branco do Café du Monde, no French Market de Nova Orleans

Foto: Jeremy Thompson, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Café du Monde (Original French Market Coffee Stand) Cafeteria
    800 Decatur St, New Orleans, LA 70116, Estados Unidos
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