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📍 Istambul

Hagia Sophia: a catedral bizantina que virou mesquita, museu e mesquita de novo

Fachada da Hagia Sophia em Istambul

Foto: Arild Vågen / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Em 537, o imperador bizantino Justiniano I inaugurou, em 27 de dezembro, a Hagia Sophia (Ayasofya) em Constantinopla — a terceira igreja erguida no mesmo terreno, projetada pelos geômetras gregos Isidoro de Mileto e Antêmio de Trales. Por quase mil anos foi a maior catedral cristã do mundo, sede do patriarca ortodoxo e palco de coroações imperiais bizantinas.

Uma cúpula que caiu — e foi reconstruída mais alta

A cúpula original desabou em 558, após um terremoto, e foi reconstruída até 562 numa versão mais alta que a primeira. Hoje ela mede cerca de 31 metros de diâmetro e 55 metros de altura em relação ao piso, sustentada por um sistema de arcos e meias-cúpulas considerado, para a época, um feito de engenharia sem precedentes.

Interior da Hagia Sophia, com mosaicos bizantinos e elementos otomanos

O interior da Hagia Sophia reúne mosaicos bizantinos, medalhões caligráficos otomanos e o mihrab voltado para Meca.

De catedral a mesquita, de mesquita a museu — e mesquita de novo

Em 1453, após a conquista de Constantinopla pelo sultão otomano Mehmed II, a Hagia Sophia foi convertida em mesquita: minaretes foram acrescentados e os mosaicos figurativos, cobertos por gesso ou pintura, já que o islã sunita evita representações humanas em espaços de culto. Em 1934, o governo de Mustafa Kemal Atatürk transformou o prédio em museu, e parte dos mosaicos bizantinos foi revelada em trabalhos de restauro nas décadas seguintes. Em 2020, um decreto presidencial — depois de uma decisão do Conselho de Estado turco que anulou o status de museu de 1934 — devolveu à Hagia Sophia sua função de mesquita, com cortinas usadas para cobrir os mosaicos com figuras humanas durante as orações.

Perguntas frequentes

Dá para visitar a Hagia Sophia hoje?
Sim. Como mesquita em funcionamento, o acesso de visitantes segue horários fora das orações, e é preciso remover os sapatos e vestir-se de forma apropriada.

Os mosaicos bizantinos ainda podem ser vistos?
Parte deles sim, nos corredores e na galeria superior — os que ficam na área central, voltada para as orações, costumam ser cobertos por painéis ou cortinas.

Onde fica

  • Hagia Sophia (Ayasofya) Local
    Sultan Ahmet, Ayasofya Meydanı No:1, 34122 Fatih/İstanbul, Turquia

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Bandeira de Machu Picchu Machu Picchu

Machu Picchu: como a cidade inca ficou escondida dos espanhóis por séculos

Vista panorâmica de Machu Picchu, no Peru

Foto: Wikimedia Commons

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A quase 2.430 metros de altitude, encravada entre picos andinos e cercada por vegetação densa, a cidadela inca de Machu Picchu permaneceu praticamente desconhecida do mundo exterior por séculos após a conquista espanhola do Peru. Construída no século XV, provavelmente como residência real do imperador inca Pachacuti, a cidade nunca foi encontrada pelos colonizadores — um dos motivos que explica seu estado de conservação excepcional.

Redescoberta em 1911

Machu Picchu só se tornou conhecida internacionalmente em 1911, quando o historiador americano Hiram Bingham chegou ao local guiado por moradores locais que já sabiam da existência das ruínas. Bingham inicialmente acreditava ter encontrado Vilcabamba, a última capital inca de resistência aos espanhóis — teoria hoje descartada, mas que ajudou a projetar Machu Picchu ao mundo através de reportagens da National Geographic.

Engenharia sem argamassa

As construções de Machu Picchu usam a técnica inca de encaixe de pedras sem argamassa, com blocos talhados com tamanha precisão que se encaixam perfeitamente uns nos outros — método que, entre outras vantagens, conferiu às estruturas resistência excepcional a terremotos, comuns na região andina. Terraços agrícolas em curva de nível também demonstram avançado conhecimento de engenharia e agricultura adaptada ao relevo montanhoso.

Ruínas de Machu Picchu entre as montanhas dos Andes

Os terraços agrícolas em curva de nível demonstram a engenharia avançada dos incas.

Uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno

Em 2007, Machu Picchu foi eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno em votação popular internacional, ao lado de monumentos como o Cristo Redentor e o Taj Mahal. O sítio já era reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco desde 1983, tanto por seu valor cultural quanto natural, já que está situado dentro de uma reserva ecológica com biodiversidade significativa dos Andes peruanos.

Nascer do sol em Machu Picchu

O nascer do sol é um dos momentos mais procurados por visitantes madrugadores.

Dicas para a visita

O acesso normalmente é feito de trem até a cidade de Aguas Calientes, seguido de ônibus até a entrada do sítio arqueológico — ou pela tradicional Trilha Inca, caminhada de vários dias que exige reserva com meses de antecedência devido ao limite diário de visitantes. Como o número de ingressos por dia é controlado pelo governo peruano, comprar com bastante antecedência é essencial, especialmente na alta temporada entre maio e setembro.

Onde fica

  • Machu Picchu Ponto Turístico
    Machu Picchu, região de Cusco, Peru

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Bandeira de Cuba Cuba
Bandeira de Havana Havana

La Bodeguita del Medio: o bar em Havana onde Hemingway supostamente bebia mojito

Fachada de La Bodeguita del Medio, em Havana

Foto: Wikimedia Commons

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Numa rua estreita da Havana Velha, o centro histórico da capital cubana, um bar minúsculo e sempre lotado é parada praticamente obrigatória para quem visita Cuba. La Bodeguita del Medio abriu em 1942 como uma pequena mercearia que também vendia bebidas, e ao longo das décadas se transformou num dos bares mais famosos do mundo, conhecido sobretudo pelo mojito e por paredes completamente cobertas de assinaturas de visitantes.

A lenda do mojito de Hemingway

A frase mais repetida sobre o bar — "Mi mojito en la Bodeguita, mi daiquiri en El Floridita" — é atribuída ao escritor americano Ernest Hemingway, que viveu em Cuba por temporadas e é apontado como cliente frequente de ambos os bares. Historiadores debatem o quanto dessa história é fato e o quanto é lenda construída ao longo dos anos, mas a frase, supostamente escrita à mão pelo próprio Hemingway numa das paredes, virou parte central do marketing e da identidade do bar.

Paredes como livro de visitas

Desde os primeiros anos, clientes começaram a deixar assinaturas, frases e desenhos diretamente nas paredes do bar — uma tradição que nunca foi interrompida e hoje cobre praticamente cada centímetro disponível do espaço. Nomes de celebridades, políticos e escritores dividem espaço com turistas anônimos, criando uma espécie de mural coletivo que só cresce com o tempo.

Interior de La Bodeguita del Medio

O espaço pequeno e sempre cheio faz parte do charme do bar.

Point da vida cultural cubana

Além do turismo internacional, o bar historicamente também funcionou como ponto de encontro de artistas e intelectuais cubanos, incluindo o poeta Nicolás Guillén. A música ao vivo, geralmente son cubano tocado por pequenos grupos, é parte constante da experiência, com o espaço apertado criando uma proximidade quase inevitável entre música, bebida e clientes.

Paredes cobertas de assinaturas em La Bodeguita del Medio

Milhares de assinaturas cobrem as paredes ao longo de mais de oito décadas.

Dicas para a visita

O espaço é pequeno e costuma lotar rapidamente, especialmente à noite — ir no início da tarde é uma boa estratégia para experimentar o mojito com mais calma. Vale ter em mente que, por ser um ponto turístico extremamente popular, os preços costumam ser mais altos que os de bares menos conhecidos de Havana.

Onde fica

  • La Bodeguita del Medio Bar
    Empedrado 207, Havana, Cuba

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Bandeira de Roma Roma

Antico Caffè Greco: dentro do café mais antigo de Roma, aberto desde 1760

Salão do Antico Caffè Greco, em Roma

Foto: Wikimedia Commons

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Aberto em 1760 por um imigrante grego nas proximidades da Piazza di Spagna, o Antico Caffè Greco é o café mais antigo de Roma ainda em funcionamento e um dos mais antigos da Itália. Ao longo de mais de 260 anos de história, seus salões decorados com espelhos, mármores e centenas de quadros e esculturas se tornaram uma espécie de pequeno museu vivo, refletindo a passagem de gerações de artistas, escritores e viajantes pela capital italiana.

Point do Grand Tour europeu

Durante os séculos XVIII e XIX, o Caffè Greco se tornou parada obrigatória para jovens aristocratas europeus que faziam o chamado Grand Tour, viagem cultural pela Europa considerada parte essencial da formação da elite da época. A proximidade com a Piazza di Spagna, então um dos bairros preferidos por estrangeiros residentes em Roma, ajudou a consolidar o café como ponto de encontro internacional desde muito cedo em sua história.

Frequentadores ilustres

A lista de nomes célebres associados ao Caffè Greco inclui o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, o poeta inglês Lord Byron, o compositor Franz Liszt e o próprio Giacomo Casanova, entre muitos outros artistas e intelectuais que viveram ou passaram por Roma ao longo dos séculos XVIII e XIX. Mais recentemente, o café também recebeu figuras como o escritor James Joyce e o compositor Richard Wagner.

Interior decorado do Antico Caffè Greco

Os salões internos reúnem centenas de obras de arte acumuladas ao longo de mais de dois séculos.

Uma pequena galeria de arte

Ao longo dos anos, muitos dos artistas frequentadores pagavam suas contas com obras de arte em vez de dinheiro, prática que ajudou a formar o acervo de mais de trezentas pinturas e esculturas hoje espalhadas pelos salões do café, tornando uma simples visita para tomar um espresso também uma forma de percorrer parte da história artística europeia dos últimos séculos.

Salão histórico do Antico Caffè Greco em Roma

Mármores, espelhos e quadros compõem a decoração original de vários salões do café.

Dicas para a visita

O café fica na elegante Via dei Condotti, uma das ruas de compras mais caras de Roma, o que se reflete também nos preços praticados no salão principal — sentar-se em pé no balcão costuma ser uma opção mais econômica para experimentar o espresso tradicional da casa. Vale reservar um tempo para observar com calma as obras de arte nas paredes dos salões internos, muitas vezes ignoradas por quem visita apenas de passagem.

Onde fica

  • Antico Caffè Greco Cafeteria
    Via dei Condotti 86, Roma, Itália

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