Tem Café Aí Tem Café Aí Guia de destinos, sabores e histórias
Bandeira de Brasil Brasil
Bandeira de Paraná Paraná

O que fazer em Curitiba: 5 paradas escolhidas

Fachada do Restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, Curitiba

Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Um roteiro com 5 paradas em Curitiba, PR, Brasil: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Restaurante Família Madalosso
  2. Confeitaria das Famílias
  3. Bar Palácio
  4. Ópera de Arame
  5. Jardim Botânico Fanchette Rischbieter

Onde comer

1. Restaurante Família Madalosso

Fachada do Restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, Curitiba
Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Madalosso começou em 1963 com 24 lugares. Os irmãos Severino, Carlos e Flora Madalosso serviam polenta, frango e as receitas que a família tinha trazido do Vêneto para Santa Felicidade, o bairro italiano de Curitiba. Era uma casa de vizinhança.

Hoje o mesmo endereço abriga 4.645 lugares distribuídos em 7.671 metros quadrados — números que renderam ao restaurante uma entrada no Guinness Book como o maior das Américas.

A conta de como se chega a isso é simples: o salão original, o Velho Madalosso, nunca foi demolido. Ele continua funcionando ao lado, do jeito que era. O que cresceu foi o Novo Madalosso, inaugurado em 1970, que foi ganhando anexos década após década enquanto Santa Felicidade virava destino de fim de semana da cidade inteira.

O cardápio é rodízio, e ele não mudou de identidade com o tamanho: massa feita na casa, frango frito, polenta frita, sopa de capeletti e os acompanhamentos que a colônia italiana do Paraná trata como padrão. Quem entra pela primeira vez costuma levar um susto com a escala do salão — filas de mesas até o fundo, garçons circulando com panelas.

Vale escolher o horário. No almoço de domingo, quando a cidade inteira sobe a Manoel Ribas, os 4.645 lugares são menos folga do que parecem.

Endereço: Avenida Manoel Ribas, 5875 - Santa Felicidade, Curitiba - PR

Onde tomar café

2. Confeitaria das Famílias

Calçadão da Rua XV de Novembro, onde a Confeitaria das Famílias funciona desde 1945
Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A Confeitaria das Famílias abriu em 11 de outubro de 1945, no calçadão da Rua XV — vinte e sete anos antes de o calçadão existir. Quem a fundou foi o confeiteiro espanhol Jesus Alvarez Terzado, e a casa continua no mesmo número desde então.

O produto que a tornou conhecida no Paraná inteiro é o bolo Marta Rocha, batizado em homenagem à Miss Brasil de 1954 e montado com um disco de merengue prensado entre camadas de pão de ló. A casa reivindica a criação da receita, que depois virou padrão em confeitaria antiga de Curitiba.

O balcão, porém, vive de outras coisas também: a rosquinha espanhola que fica logo na entrada, ao lado da porta, a bomba de creme, o folhado de maçã, as empadas e coxinhas do lado salgado.

É um café de balcão, não de mesa longa — o tipo de lugar em que se toma um cafezinho em pé olhando o movimento do calçadão pela vitrine. Vale entrar no meio da manhã, quando as fornadas saem e a fila do balcão ainda anda rápido.

Endereço: Rua XV de Novembro, 374 - Centro, Curitiba - PR

Onde beber

3. Bar Palácio

Centro de Curitiba, região onde o Bar Palácio funciona desde 1930
Foto: Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O Bar Palácio nasceu em 1930, na Rua Barão do Rio Branco, de frente para o então Palácio do Governo do Paraná — daí o nome. Naquela Curitiba, quase tudo fechava cedo. O Palácio não fechava, e foi essa teimosia que definiu a casa: jornalista saindo da redação, político saindo de sessão, artista saindo de espetáculo, todo mundo terminava a noite ali.

Jaime Lerner, cliente de longa data, chamava o lugar de bar do consenso. Francis Ford Coppola jantou lá em 2003. Parte do filme Estômago foi rodada no salão.

A história que mais merece ser contada, porém, é de 1984. Até então a casa não servia mulheres desacompanhadas — uma regra da fundação que atravessou meio século sem ser questionada. Naquele ano, quatro estudantes sentaram-se à mesa e se recusaram a sair. O caso foi parar na Justiça e a regra caiu.

A cozinha continua a mesma de sempre: filé grelhado e trinchado na sua frente, cabrito e leitão no espeto giratório, churrasco paranaense. De sobremesa, peça o Mineiro com Botas — banana, queijo e goiabada flambados com rum na mesa.

Um detalhe: o endereço original foi demolido. Desde setembro de 1991 o Palácio funciona na Rua André de Barros, a alguns quarteirões dali, com o salão, o serviço e boa parte da clientela transplantados inteiros.

Endereço: Rua André de Barros, 500 - Centro, Curitiba - PR

Vale a parada

4. Ópera de Arame

Estrutura tubular translúcida da Ópera de Arame, em Curitiba
Foto: Thiago Boesing, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Ópera de Arame foi inaugurada em 18 de março de 1992, dentro de uma pedreira desativada no bairro Abranches. Entre a decisão de construir e a estreia passaram-se 75 dias.

O projeto é do arquiteto Domingos Bongestabs, professor da UFPR, e a velocidade só foi possível porque quase nada é feito no local: a estrutura são 360 toneladas de tubos de aço pré-fabricados, fechados com placas de policarbonato transparente. As 2.400 cadeiras de tela metálica saíram da Brafer, em Araucária, na região metropolitana.

O resultado é um cilindro translúcido pousado sobre um lago artificial, com acesso por uma passarela. De dentro, durante o espetáculo, dá para ver a parede de pedra da antiga pedreira e o céu ao mesmo tempo — se chover, chove em cima do teto de policarbonato, e a plateia ouve.

A capacidade original era de cerca de 2.100 pessoas; depois da reforma de segurança concluída em 2006 a casa passou a operar com pouco mais de 1.500 lugares, segundo a prefeitura. Ao lado fica a Pedreira Paulo Leminski, o anfiteatro a céu aberto que recebe os shows grandes; juntos formam o Parque das Pedreiras.

Fora dos dias de espetáculo o espaço abre para visitação, e é aí que a arquitetura aparece melhor: sem plateia, o vão inteiro fica visível.

Endereço: Rua João Gava, 920 - Abranches, Curitiba - PR

5. Jardim Botânico Fanchette Rischbieter

Estufa principal do Jardim Botânico de Curitiba
Foto: Rodrigo Argenton, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A estufa de vidro e metal que virou o cartão-postal mais reproduzido de Curitiba foi aberta em 5 de outubro de 1991. As três cúpulas em art nouveau são uma citação direta ao Crystal Palace, o pavilhão de ferro e vidro erguido em Londres no século 19 — a referência é assumida no próprio projeto.

O nome oficial do parque é Jardim Botânico Fanchette Rischbieter, em homenagem a Francisca Maria Garfunkel Rischbieter (1929-1989), urbanista que participou do planejamento da cidade. São 278 mil metros quadrados no total, com o jardim francês geométrico que aparece nas fotos ocupando só a parte da frente.

Atrás da estufa há bem mais do que costuma caber no roteiro de meia hora. O Museu Botânico, incorporado em 1992, guarda o quarto maior herbário do país, com cerca de 400 mil exsicatas. O Espaço Cultural Frans Krajcberg reúne 110 obras do artista. E o Jardim das Sensações, aberto em dezembro de 2008, é um percurso feito para ser atravessado de olhos vendados, reconhecendo as plantas por cheiro e textura.

Em 2007 o conjunto foi o monumento mais votado numa enquete nacional das Sete Maravilhas do Brasil — o que explica a fila de fotos na escadaria da entrada em qualquer manhã de sol.

Endereço: Rua Engenheiro Ostoja Roguski, 350 - Jardim Botânico, Curitiba - PR

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Restaurante Família Madalosso — foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Bar Palácio — foto: Wikimedia Commons, CC BY 2.0
  • Confeitaria das Famílias — foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
  • Ópera de Arame — foto: Thiago Boesing, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
  • Jardim Botânico Fanchette Rischbieter — foto: Rodrigo Argenton, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Presentes e livros relacionados

Itens que combinam com o que você viu aqui. Como Associado Amazon, ganhamos com compras qualificadas.

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Continue explorando Curitiba


Continue lendo

Bandeira de Egito Egito
📍 Gizé
📍 Dica rápida

Four Seasons Cairo at The First Residence: almoço à beira do Nilo

Jogo de Banho 100% Algodão (4 peças, alta absorção)
📦 Recomendação RadarCompraJogo de Banho 100% Algodão (4 peças, alta absorção)R$ 349,00Ver no RadarCompra →

Cercado pelo Zoológico de Gizé e pela margem oeste do Nilo, o Four Seasons Cairo at The First Residence reúne opções como o restaurante libanês Aura e o bar The First. É uma boa parada para um almoço tranquilo entre um passeio e outro.

Sala de refeições do Four Seasons Hotel Cairo at The First Residence, em Gizé

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Four Seasons Hotel Cairo at The First Residence Restaurante
    Four Seasons Hotel Cairo at The First Residence, 35 Giza Street, Gizé, Egito
— (0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
Bandeira de Nova York Nova York
📍 Dica rápida

Top of the Rock: o mirante que mostra o Empire State

Binóculo Profissional 20x50
📦 Recomendação RadarCompraBinóculo Profissional 20x50R$ 99,90Ver no RadarCompra →

No topo do 30 Rockefeller Plaza, o Top of the Rock tem três andares de deck aberto a quase 260 metros de altura. Diferente de outros mirantes da cidade, daqui dá para fotografar o Empire State Building fazendo parte do horizonte.

Vista panorâmica de Manhattan ao entardecer, vista do Top of the Rock

Foto: Hugo Maestá / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Top of the Rock Ponto Turístico
    Top of the Rock, 30 Rockefeller Plaza, New York
— (0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Espanha Espanha
📍 Granada

Alhambra de Granada: como um forte de tijolo vermelho virou o palácio mais deslumbrante do islã ocidental

Vista panorâmica da Alhambra de Granada a partir do Mirador de San Nicolás, com a Sierra Nevada ao fundo

Foto: Wikimedia Commons

Por que um reino islâmico isolado, cada vez mais pequeno e cercado por inimigos cristãos, decidiu construir o palácio mais sofisticado de toda a sua história bem no momento em que estava perdendo a guerra? Essa é a contradição no coração da Alhambra de Granada: quanto mais o Reino Nasrida encolhia, mais luxuosa e refinada ficava sua corte.

Uma fortaleza que virou capital de um reino sitiado

A história da Alhambra como a conhecemos começa em 1238, quando Muhammad I ibn Nasr — fundador da dinastia Nasrida, o último reino muçulmano da Península Ibérica — fez de Granada sua capital e escolheu a colina da Sabika, sobre o rio Darro, para erguer sua fortaleza-palácio. Ali já existiam estruturas anteriores, mas foi Muhammad I quem reforçou a Alcáçova, construiu a Torre da Vela e trouxe água encanada do rio para abastecer o novo complexo. Seus sucessores, Muhammad II e Muhammad III, ampliaram banhos públicos e uma mesquita no local.

O nome "Alhambra" vem do árabe al-Ḥamrā, "a vermelha", provavelmente uma referência à cor da terra e do tijolo usados nas muralhas externas, visíveis à distância sob a luz do entardecer.

O apogeu sob Yusuf I e Muhammad V

A maior parte do que hoje deslumbra os visitantes não vem do século XIII, mas do XIV. Foi sob os sultões Yusuf I (1333–1354) e seu filho Muhammad V (1354–1391) que a Alhambra ganhou suas obras-primas: o Palácio de Comares, com seu salão do trono, e o Palácio dos Leões, erguido por Muhammad V como espaço privado do sultão. No centro deste último está o Patio de los Leones, um pátio retangular cercado por 124 colunas de mármore branco, com uma fonte sustentada por doze leões esculpidos em pedra — um dos poucos exemplos de escultura figurativa em toda a arte islâmica ocidental, feita ainda no século XI para outro edifício e depois reaproveitada ali.

Patio de los Leones, no Palácio dos Leões da Alhambra, com suas colunas de mármore

O Patio de los Leones, construído sob o sultão Muhammad V no século XIV

Os artesãos nasridas cobriram salões inteiros com mocárabes (as estruturas de estuque em forma de estalactite), azulejos geométricos e inscrições caligráficas — muitas delas versos de poemas que elogiam o próprio palácio. Não muito longe dali, ainda dentro do complexo murado, os sultões mantinham o Generalife, construído no início do século XIV como residência de verão, com terraços e jardins irrigados que serviam de refúgio do calor do verão andaluz.

1492 e a chegada dos Reis Católicos

Em 2 de janeiro de 1492, o último sultão nasrida, Muhammad XII (conhecido como Boabdil), entregou as chaves da Alhambra a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, encerrando quase 250 anos de domínio nasrida e oito séculos de presença muçulmana na península. Segundo a tradição, Boabdil parou numa colina a caminho do exílio para lançar um último olhar sobre a cidade — o local ainda é chamado de "suspiro do mouro".

Os Reis Católicos preservaram boa parte do palácio, mas a marca cristã mais visível viria décadas depois: em 1527, o imperador Carlos V ordenou a construção de um palácio renascentista de planta circular dentro dos muros da Alhambra, ao lado dos salões nasridas — um contraste arquitetônico que permanece até hoje.

  • 1238 — Muhammad I funda a Alhambra como capital nasrida
  • Século XIV — Yusuf I e Muhammad V constroem o Patio de los Leones e o Palácio de Comares
  • 1492 — Boabdil entrega Granada aos Reis Católicos
  • 1527 — Carlos V inicia seu palácio renascentista dentro do complexo
  • 1829 — Washington Irving mora na Alhambra e escreve os relatos que originariam seu livro
  • 1984 — a Unesco declara a Alhambra e o Generalife Patrimônio Mundial
Fonte dos Leões no centro do Patio de los Leones, na Alhambra de Granada

A Fonte dos Leões, peça de escultura islâmica figurativa rara, reaproveitada de uma obra do século XI

Depois da conquista, partes do palácio foram usadas como quartel, prisão e até estábulo, e por séculos a Alhambra ficou em relativo abandono. Foi só no século XIX, com o interesse romântico europeu pelo exotismo mourisco, que o complexo voltou a ganhar atenção — o escritor norte-americano Washington Irving morou ali em 1829 e, em 1832, publicou "Contos da Alhambra", livro que ajudou a transformar as ruínas em destino de peregrinação literária. Restaurações sistemáticas começaram ainda naquele século, e em 1984 a Unesco reconheceu a Alhambra, o Generalife e o bairro do Albaicín como Patrimônio Mundial — título estendido em 1994 para incluir toda a área envolvente.

Hoje a Alhambra recebe milhões de visitantes por ano, mais do que qualquer outro monumento histórico da Espanha, e continua sendo lida como um paradoxo: o retrato mais completo que restou do poder islâmico ibérico foi construído justamente enquanto esse poder desmoronava.

Onde fica

  • Alhambra de Granada Histórico
    Alhambra, Granada, Espanha

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Carregando mais destinos…